<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173</id><updated>2011-12-26T21:24:45.502-02:00</updated><title type='text'>A sede do peixe</title><subtitle type='html'>Fazer do medo uma escada, da queda um passo de dança...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-963854801565315366</id><published>2011-04-23T13:41:00.002-03:00</published><updated>2011-04-23T13:42:14.837-03:00</updated><title type='text'>Post-Mortem</title><content type='html'>Hoje estou tão triste, mas tão triste, que escreveria um conto. Seria um conto triste, é verdade. Mas talvez me aliviasse a angústia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-963854801565315366?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/963854801565315366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=963854801565315366' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/963854801565315366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/963854801565315366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2011/04/post-mortem.html' title='Post-Mortem'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7747866410528302523</id><published>2010-11-02T16:36:00.007-02:00</published><updated>2011-01-10T19:47:35.629-02:00</updated><title type='text'>Aqui termina a sede do peixe</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo que foi escrito neste blog é dedicado amorosamente a Fernando Sabino e a Carlos Drummond de Andrade. Eles é que começaram tudo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Leitores de "A Sede do Peixe",&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;depois de pouco mais de quatro anos e meio, este blog chega ao fim. Não tem mais sentido de ser.  Esgotou-se. Durante 4 anos e meio, este brinquedo, chamado João Pedro de Andrade, me permitiu inventar coisas e pessoas, dividir medos e desejos, imaginar estórias. Expus-me, reinventei-me, tentei fazer de meus pequenos pensamentos do dia-a-dia matéria para algo que se pretende literatura. Visto hoje, acho que fui feliz às vezes, tolo e ansioso em outras. Durante 4 anos e meio, senti na pele o que Drummond, certa vez, aconselhou: "convive com teus poemas antes de escrevê-lo". Muito do que foi escrito aqui foi vivido em meus pensamentos. Pessoas reais que me deram o mote para personagens, pessoas que nunca existiram senão nos meus sonhos, estórias que vivi e gostaria de ter vivido. Quis apenas dividir com o mundo  estes pensamentos vividos e, nesta divisão, aprender que meu olhar nada é senão um entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aqui chega ao fim este resumo dos meus medos, vícios e desejos, chamado João Pedro de Andrade. Ele me ensinou que tudo findo, tudo passado, restam as palavras. Há anos vivo de me emocionar e de viver com elas, remoendo-as, cheirando-as, comendo-as, tecendo-as. Este blog foi uma tentativa de devolver, com meus parcos recursos, um pouco do que a literatura faz em minha vida: torná-la possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei, recentemente, modificando o blog, reanimar o que já estava moribundo. Percebi que não era uma questão de design. Fui, com o tempo, para longe de João Pedro de Andrade, levado por caminhos novos que se abriram em minha vida. Todos inesperados, novos, que me exigem outros sentidos. Por isso, abandono o blog. Espero que nestes 4 anos e meio eu tenha conseguido, senão escrever coisas belas, tocá-los com algumas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De agora em diante, serão outros olhares, sob outros nomes.  Mas sei também, como me ensinou um irmão mais velho, chamado Eduardo Marciano, que o que vai acontecer depois não tem a menor importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço a todos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allan de Paula Oliveira&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7747866410528302523?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7747866410528302523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7747866410528302523' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7747866410528302523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7747866410528302523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/11/aqui-termina-sede-do-peixe.html' title='Aqui termina a sede do peixe'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1102470631927798674</id><published>2010-10-05T01:02:00.003-03:00</published><updated>2011-01-10T19:48:46.532-02:00</updated><title type='text'>A teus pés</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;Sequer conheço Fulana, vejo Fulana tão curto&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;Fulana jamais me vê, mas como eu amo Fulana&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;Drummond.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu te imagino todos os dias. Feita de carnes, sexos e maldades. Porém, não possuis um nome e a única pele que tens é a de uma defunta, alguém que já se foi. Necrófilo, eu? Não. Sou covarde demais para isto. Na verdade, eu te empresto um corpo que já é passado. Bebo corpos passados, masturbo-me sobre corpos passados, desejo corpos passados, penso em corpos passados. Eu preciso de um corpo para te imaginar. Mas ele sempre tem algo novo. A esperança que deposito em ti. Em algum lugar você se encontra neste momento. Estará com alguém? Amará? Tens 10 anos? Ou será 40? Preparo-me todos os dias para o dia em que te encontrarei. Como será? Às vezes passa pela minha cabeça que já nos encontramos e nada, nada aconteceu. Desespero-me pensando nisto e prefiro o melhor. Perdoe-me a esperança juvenil. Sou um homem de 36 anos, sozinho em meu quarto, envergonhado de meus olhos de menino. Invejo os que se mostram homens feitos, fortes, com traços de gilete e certezas. Eu não me iludo quanto a mim. Não tenho muitas certezas e cada vez as tenho menos. Mas sei ouvir os sambas e ler as palavras de certos poetas. Talvez seja pouco. Mas veja: os sábados à noite estão garantidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, uma coisa sei sobre mim: meu coração se recusa a envelhecer.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1102470631927798674?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1102470631927798674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1102470631927798674' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1102470631927798674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1102470631927798674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/10/teus-pes.html' title='A teus pés'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4980455559617188420</id><published>2010-09-18T05:28:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T05:42:14.601-03:00</updated><title type='text'>Grandes Momentos da Inveja ou Textos Que Eu Gostaria de Ter Escrito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A série "Grandes Momentos da Inveja" traz hoje um dos contos do livro "Amores Difíceis", de Ítalo Calvino, um dos escritores de quem mais gosto. Desse livro, apenas uma palavra: sublime. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem não lembra, a série "Grandes Momentos da Inveja" foi criada, em vidas passadas deste blog, com o intuito de ser um espaço onde eu possa destilar este pecado do qual padeço, chamado inveja. Pecado que, convenhamos, deve ser cultivado em lugares e horários propícios. Há quem reprima. Não recomendo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas deixemos de lado essas considerações inúteis. Segue, o texto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;i&gt;A Aventura de um Esposo e de uma Esposa&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; line-height: 24px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;O operário Arturo Massolari fazia o turno da noite, aquele que termina às seis. Para voltar para casa percorria um longo trajeto de bicicleta na estação boa, de bonde nos meses chuvosos e frios. Chegava entre as seis e quarenta e cinco e as sete, ou seja, às vezes um pouco antes, às vezes um pouco depois de tocar o despertador da mulher, Elide.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; line-height: 24px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Freqüentemente os dois ruídos, o toque do despertador e o passo dele entrando, se superpunham na mente de Elide, alcançando-a no fundo do sono, o sono compacto da manhãzinha que ela ainda tentava espremer por alguns segundos com o rosto enfiado no travesseiro. Depois pulava fora da cama de uma vez só e já ia metendo os braços às cegas no roupão, com os cabelos por cima dos olhos. Aparecia assim para ele, na cozinha, onde Arturo tirava os recipientes vazios da bolsa que levava consigo para o trabalho –  a marmita, a garrafa térmica – e os punha em cima da pia. Já havia acendido o fogão e posto o café no fogo. Mal ele a olhava, Elide sentia vontade de passar a mão pelos cabelos, de arregalar à força os olhos, como se a cada vez se envergonhasse um pouco dessa primeira imagem que o marido tinha dela ao entrar em casa, sempre assim desarrumada, com a cara meio adormecida. Quando dois dormem juntos é outra coisa, encontram-se de manhã a emergirem juntos do mesmo sono, estão em pé de igualdade.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Já às vezes era ele que entrava no quarto para despertá-la, com a xicarazinha de café, um minuto antes que tocasse o despertador; então tudo era mais natural, a careta para sair do sono ganhava uma espécie de suavidade preguiçosa, os braços que se erguiam para se estirar, nus, acabavam cingindo o pescoço dele. Abraçavam-se. Arturo trazia no corpo a jaqueta impermeável; sentido-o próximo, ela percebia o tempo que estava fazendo: se chovia ou havia bruma ou neve, dependendo de como ele estava úmido e frio. Mas assim mesmo dizia: “Que tempo está fazendo?”, e ele iniciava seu costumeiro resmungo meio irônico, passando em revista os incômodos que tinha atravessado, começando pelo fim: o percurso de bicicleta, o tempo que encontrara ao sair da fábrica, diferente daquele de quando lá entrara na noite anterior, e as encrencas no serviço, os boatos que corriam na seção, e assim por diante.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Àquela hora, a casa estava sempre pouco aquecida, mas Elide se despia toda, um pouco arrepiada, e se lavava, no pequeno banheiro. Atrás vinha ele, com mais calma, também se despia e se lavava, lentamente, tirava de cima a poeira e a graxa da oficina. Assim, estando ambos em torno da mesma pia, meio nus, um pouco enregelados, de vez em quando se dando esbarrões, tirando um da mão do outro o sabonete, o dentifrício, e continuando a dizer as coisas que tinham para se dizer, era o momento da intimidade, e às vezes, acontecendo de se ajudarem mutuamente a esfregar as costas, insinuava-se uma carícia, e se encontravam abraçados.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Mas de repente Elide: “Meu Deus! Que horas já são!”, e corria para meter as ligas, a saia, tudo com pressa, em pé, escovava os cabelos para cima e para baixo, e debruçava o rosto para o espelho da cômoda, com os grampos seguros entre os lábios. Arturo vinha atrás dela, havia acendido um cigarro, e olhava para ela em pé, fumando, e a cada vez parecia um pouco embaraçado, de ter que ficar ali sem poder fazer nada. Elide estava pronta, enfiava o casaco no corredor, davam-se um beijo, abria a porta e já se ouviam seus passos que desciam a escada correndo.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Arturo ficava sozinho. Acompanhava o ruído dos saltos de Elide degraus abaixo, e quando não a ouvia mais continuava a acompanhá-la em pensamento, aquele passo miúdo, rápido pelo pátio, o portão, a calçada, até o ponto do bonde. Já o bonde se ouvia bem: guinchar, parar, e o bater do estribo a cada pessoa que subia. “Pronto, tomou”, pensava, e via a mulher se segurando no meio da multidão de operários e operárias no “Onze” que a levava para a fábrica como todo os dias. Apagava o cigarro, fechava os postigos das janelas, ficava escuro, metia-se na cama.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;A cama estava como Elide a deixara ao se levantar, mas do lado dele, Arturo, estava quase intacta, como se tivesse sido arrumada naquele momento. Ele se deitava de seu próprio lado, como devia, mas depois esticava uma perna para lá, onde havia ficado o calor da mulher, em seguida esticava também a outra perna, e assim pouco a pouco se deslocava todo para o lado de Elide, naquele nicho de tepidez que ainda conservava a forma do corpo dela, e afundava o rosto em seu travesseiro, em seu perfume, e adormecia.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Quando Elide voltava, à noite, Arturo já havia um tempo rodava pela casa: tinha acendido a estufa, posto alguma coisa para cozinhar. Certos trabalhos ele é que fazia, naquelas horas antes do jantar, como arrumar a cama, limpar um pouco a casa, até pôr de molho as roupas para lavar. Elide depois achava tudo malfeito, mas ele para dizer a verdade não se empenhava muito: o que fazia era apenas um ritual para esperar por ela, quase um vir ao seu encontro permanecendo entre as paredes da casa, enquanto lá fora se acendiam as luzes e ela passava pelas vendas no meio daquele movimento fora de hora dos bairros onde há tantas mulheres que fazem compra à noite.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Afinal ouvia o passo pela escada, bem diferente daquele da manhã, agora mais pesado, pois Elide subia cansada do dia de trabalho e carregada de compras. Arturo saía no patamar, tirava da mão dela a sacola, entravam conversando. Ela se jogava numa cadeira da cozinha, sem tirar o casaco, enquanto ele ia tirando as coisas da sacola. Depois: “Coragem, um pouco de ordem”, ela dizia, e se erguia, tirava o casaco, punha uma roupa de casa. Começavam a preparar a comida: jantar para os dois, depois a marmita que ele levava para a fábrica para o intervalo da uma da madrugada, o lanche que ela devia levar para a fábrica no dia seguinte, e o que era para deixar pronto para quando ele acordasse no dia seguinte.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Ela um pouco se atarefava, um pouco se sentava na cadeirinha de palha e dizia a ele o que tinha de fazer. Já ele, era a hora em que estava descansado, agitava-se, aliás, queria fazer tudo, mas sempre um pouco distraído, com a cabeça já em outra coisa. Naqueles momentos ali, chegavam por vezes a ponto de se magoarem, de se dizerem palavras pesadas, porque ela queria que ele estivesse mais atento ao que estava fazendo, que se empenhasse mais, ou então que fosse mais ligado a ela, ficasse mais perto, que a consolasse mais. Enquanto ele, passado o primeiro entusiasmo da volta dela, já estava com a cabeça fora de casa, fixado no pensamento de fazer tudo com pressa porque tinha que ir.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Arrumada a mesa, postas todas as coisas prontas ao alcance da mão para não precisarem mais se levantar, então era o momento da angústia que tomava conta dos dois por terem tão pouco tempo para estarem juntos, e quase não conseguiam levar a colher à boca, da vontade que sentiam de ficar ali segurando a mão um do outro.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; line-height: 24px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;Mas o café ainda não havia acabado de passar e ele já estava atrás da bicicleta vendo se estava tudo &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em ordem. Abraçavam-se. Arturo" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;em ordem. Abraçavam-se.  Arturo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt; parecia que só então reparava como era macia e tépida sua esposa. Mas punha no ombro o quadro da bicicleta e descia atento as escadas.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; line-height: 24px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Perpetua; font-size: large; line-height: 24px; "&gt;&lt;i&gt;Elide lavava os pratos, examinava a casa de cima a baixo, as coisas que o marido tinha feito, sacudindo a cabeça. Agora ele estava correndo pelas ruas escuras, entre os raros faróis, talvez já estivesse depois do gasômetro. Elide ia para a cama, apagava a luz. De seu próprio lado, deitava, espichava um pé em direção ao lugar do marido, para procurar o calor dele, mas toda vez reparava que onde ela dormia era mais quente, sinal que Arturo também havia dormido ali, e isso despertava nela uma grande ternura.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4980455559617188420?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4980455559617188420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4980455559617188420' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4980455559617188420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4980455559617188420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/09/grandes-momentos-da-inveja-ou-textos.html' title='Grandes Momentos da Inveja ou Textos Que Eu Gostaria de Ter Escrito'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8904294379469601029</id><published>2010-09-08T20:33:00.002-03:00</published><updated>2010-09-08T20:40:13.218-03:00</updated><title type='text'>Asa da palavra</title><content type='html'>"Só não existe remédio é para a sede do peixe"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa em "Ave, Palavra"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8904294379469601029?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8904294379469601029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8904294379469601029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8904294379469601029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8904294379469601029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/09/asa-da-palavra.html' title='Asa da palavra'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1250238147573266262</id><published>2010-09-03T14:53:00.002-03:00</published><updated>2010-09-03T14:59:51.875-03:00</updated><title type='text'>Se Carson McCullers fumasse cachimbo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha cidade é como aquelas dos romances de Carson McCullers. Um fim-de-mundo, um cu-do-Judas. Tem um barbeiro que sabe da vida de todos, tem uma dondoca sonhando em ter fazenda de soja, tem um professor silencioso, tem uma dentista que trai o marido com o vizinho, tem o viciado em crack, tem o mudo que é caçoado por todos, tem a sesta que todos tiram às duas da tarde, tem um silêncio no meio do dia que nunca sabemos se é um silêncio de vida ou de morte, tem um leiteiro simpático, tem o garoto que ainda ontem foi pela primeira vez à zona, tem o boteco da Tere e o bar do João, tem tudo o que teria um livro de Carson McCullers. Tem inclusive o meu medo de ser enterrado neste cafundó. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1250238147573266262?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1250238147573266262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1250238147573266262' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1250238147573266262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1250238147573266262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/09/se-carson-mccullers-fumasse-cachimbo.html' title='Se Carson McCullers fumasse cachimbo'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-186325468503827921</id><published>2010-09-03T11:15:00.008-03:00</published><updated>2010-09-03T16:06:02.256-03:00</updated><title type='text'>Primeiros Socorros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livros e putas podem-se levar pra cama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Walter Benjamin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Decidido a inverter a ordem dos seus pensamentos, Bernardo O. acordou pela manhã e abriu todas as cortinas da casa, há muito fechadas. Escancarou janelas, ergueu poltronas e papéis, pos em som alto todos os velhos discos de Sabbaths, Hendrixes e Zeppelins que tinha. Sentia a necessidade desesperada de corpo, carne e unha. Na verdade, Bernardo O. queria sexo, mas este envolveria um outro alguém e ele não sabia se teria paciência para isto. Tinha medo de que tudo terminasse mal. Sabia de experiências anteriores que tão logo estivesse exausto e nu com outra pessoa, uma vontade infinita de solidão lhe tomaria os pensamentos. Recentemente, lhe ocorrera, durante uma transa casual com uma designer paulista, de belos olhos e cabelos curtos, uma cena patética na qual, terminado o sexo, enxotou a moça de sua casa - ele simplesmente surtara com a presença de alguém ali, na sua cama, querendo algo mais do que o sexo. Não suportou a primeira pergunta da moça - ainda mais uma pergunta sobre sua família - e emendou, com olhos tristes,  "eu adoraria que você se mandasse". A moça saiu furiosa, não sem antes gritar um "vá tomar no cu, seu broxa!", que, aos seus ouvidos chegaram na tonalidade de mi bemol menor e um tanto de humor. Chegou a sentir tesão com a cena, de tão hilária e, por um segundo, passou pela sua cabeça que poderiam transar de novo. Mas durou apenas um segundo o devaneio e quando se deu por conta a moça já estava batendo a porta da sala. Não queria que isto ocorresse de novo, daí que sexo com alguém não estava nos seus planos naquele dia. Mas o desejo o incomodava. Daí a vontade de se mexer, de barulho, de luz pela casa. Sabia que, no fim do dia, sentaria em frente ao computador e se masturbaria demoradamente diante de alguma imagem ou cena feita pra isto. E sabia que no fim se sentiria deprimido por algo que achava tão adolescente. Por hora, no entanto, Jimi Hendrix servia. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Purple Haze, are in my brain, lately things don't seem the same, acting funny but I don't know why, excuse me while I kiss the sky. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Excuse me while I kiss the sky&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Achava este verso lindo. Parecia-lhe algo do século XIX, a la Baudelaire ou Verlaine. Sentou-se no sofá do escritório e ficou pensando nestes poetas franceses. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Flaneurs, dândis, les fleurs du mal.&lt;/span&gt; Lembrou que citara Baudelaire para impressionar a designer paulista. "Que vergonha", pensou, "e eu nem li o livro todo". Aliás não lera quase nada de Baudelaire, mas não deixava de ter a impressão de ele não se importaria de ser citado para fins de sedução. A noite com a designer exigiu uma verdadeira aula de teoria literária, já que a moça - ele o sabia - tinha queda por "gente que cita" (um amigo a chamava de Maria Rodapé e brincava que para comer alguém assim basta atacar de &lt;i&gt;Livro do Desassossego, Fragmentos do Discurso Amoroso &lt;/i&gt;ou qualquer livro de Clarice Lispector, citados com cara de sensível). Entre vinhos e olhares, ele foi de Drummond a Ana Cristina Cesar, de Baudelaire a Dostoievski. Bernardo O. percebeu então o ponto baixo a que chegara: uma ginástica intelectual pelo sexo. "É o fim", pensou, rindo de si mesmo. Não, Baudelaire com certeza odiaria ver sua poesia relacionada a isto. "Pelo menos não citei em francês", completou em pensamento e se divertindo às próprias custas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não tinha tanta graça assim. Ainda sentado, virou-se para a estante e mirou seus livros. Amava-os mais do que a qualquer pessoa e no fundo sabia que estava, cada vez mais, trocando a companhia do mundo pela companhia dos livros. Por que banalizar daquela forma o objeto de sua devoção? Fora uma recaída, é verdade, pois há tempos não saía com ninguém e havia mais tempo ainda que não transava com uma Maria Rodapé. Mesmo assim, sentiu-se culpado e fútil. Viu naquela ginástica toda uma completa perda de tempo e se sentiu um daqueles personagens de Philip Roth, um cinquentão, professor, comedor de estudantes, que ele tanto odiara e amara nas suas leituras do escritor americano. Será que era por isto que os odiara? Seriam seu alter-ego?. Bernardo O. admitiu pra si mesmo que David Kepesh era uma espécie de medo que carregava dentro de si. Seu temor era se ver transformado num David Kepesh. Embora, naquele dia, ouvindo Led Zeppelin e com vontade de se masturbar estivesse se sentindo mais um personagem de Bukowski. Este pensamento lhe deu mais ojeriza ainda. O dia estava estranho, entre pensamentos tristes e ironias risíveis.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ali estavam eles, seus livros que tanto amava. Havia aqueles de seu trabalho. Havia alguns de música e outros de filosofia. Mas eram os de literatura os seus prediletos, os que guardava com mais carinho. Os livros, lera certa vez, eram como as putas - são o que você quer que sejam. E para ele, naqueles dias estranhos, em que se privara de um contato maior com o mundo, os livros eram sua caixa de primeiros socorros, seu porto, seu divã. Vivia-os, comia-os, embalava-os, eram sua valsa e seu rock'n'roll, seu fetiche e sua miséria. Talvez fosse isto: vivia como se fosse o personagem de algum daqueles romances que de tanto ler sua mãe dizia que ficaria "lelé". Não saberia dizer quando aquilo começou. Dizem que a literatura vem de exemplos familiares, mas nunca vira o pai lendo e se a mãe lera algo era algum versículo de Eclesiastes ou o Evangelho segundo São Mateus. A literatura entrara na sua vida lentamente, como quem não quer nada, e tomou-lhe a existência de supetão. Tudo girava em torno dos seus livros. Os fatos, as palavras, os acontecimentos de sua vida, eram vividos a partir de modelos lidos. "Vá tomar no cu, seu broxa!" lhe trouxe à mente, na hora, a briga do casal em &lt;i&gt;Um copo de cólera&lt;/i&gt;. A morte do pai lhe viera como Eduardo Marciano perde o seu em &lt;i&gt;O Encontro Marcado&lt;/i&gt;. A experiência de um &lt;i&gt;ménage&lt;/i&gt; foi vivida como os personagens de &lt;i&gt;O Jardim do Éden &lt;/i&gt;de Hemingway - assim como suas bebedeiras eram vividas como os personagens masculinos daquele autor. O medo da solidão lhe viera do pavor que sentira ao ler a história de Paulo Honório em &lt;i&gt;São Bernardo &lt;/i&gt;ou a covardia de Eugênio em &lt;i&gt;Olhai os lírios do campo&lt;/i&gt;. Até o sexo era vivido literariamente: masturbava-se como&lt;i&gt; &lt;/i&gt;um personagem de Alan Pauls e adorava dar ao sexo o ar masculino que percebia nos livros de Raduan Nassar, Milan Kundera ou Paul Auster. Obviamente vivias as mulheres pelos livros: amava algumas como amara Antonieta de &lt;i&gt;O Encontro Marcado&lt;/i&gt; e odiava outras como odiara &lt;i&gt;la mala niña&lt;/i&gt; de Vargas Llosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, aquele dia não lhe parecia literário. Algo estava estranho. Bernardo O. não conseguia evocar nenhum mito, nenhuma palavra, nenhuma página para se acomodar diante das janelas abertas de sua casa. A música cessara e agora era apenas ele e o silêncio daquela manhã. Sentado ali no sofá, evocara passagens e páginas e passagens que lhe dessem um portulano: um homem sentido-se só, sentado no sofá, de janelas abertas, vendo seus livros. Olhava os volumes e nada lhe vinha à mente. Aos poucos um desespero foi se tornando táctil, como se a luz do dia lhe revelasse uma terrível verdade: a de que se sua vida fosse um livro, a ninguém seria dado o direito de ler. Ele era um livro fechado, que buscava em outras páginas a escrita de si mesmo. Esse pensamento o envolveu num profundo incômodo porque o pos defronte aquilo que mais admirava nos seus heróis-escritores: a generosidade com que se compartilhavam com o mundo. Percebeu que não era generoso e com isto jamais poderia escrever, jamais poderia amar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconcertado, Bernardo O. levantou-se e fechou as janelas. Sentia-se envergonhado diante de todos - teve inclusive ímpetos de ligar para a designer paulista e se desculpar. Mas preferiu o silêncio da sua casa. Agora olhava os livros com vergonha. Talvez nunca mais pudesse abri-los, porque sempre se sentiria em falta com alguma coisa. Bernardo O. voltou para o quarto, deitou-se e cobriu-se como um caracol que, experimentando pela primeira vez encarar a luz do sol, desiste e se encerra para sempre na sua concha. Na beira da cama, entre o abajur, uma foto de alguém que se fora e um copo d'água, havia um exemplar de Dom Quixote.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-186325468503827921?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/186325468503827921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=186325468503827921' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/186325468503827921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/186325468503827921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/09/primeiros-socorros.html' title='Primeiros Socorros'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5548669838795204280</id><published>2010-07-12T12:19:00.008-03:00</published><updated>2010-11-02T17:02:56.475-02:00</updated><title type='text'>Os inocentes do Leblon, sempre eles.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda ontem me perguntaram deste blog. Por que escrevo (ou não escrevo)? Sempre que penso nisto me vem à mente um poema de Drummond, chamado "Os Inocentes do Leblon". Salvo engano é da primeira leva do Drummond (1930 ou 1934). Diz ele:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Os inocentes do Leblon&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt; não viram o navio entrar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Trouxe bailarinas?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;trouxe imigrantes?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;trouxe um grama de rádio?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;mas a areia é quente, e há um óleo suave&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;que eles passam nas costas, e esquecem.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;i&gt;Os inocentes, definitivamente inocentes...&lt;/i&gt;". Acho que escrevo por ter inveja deles e por achar sua condição bela. Talvez as palavras sejam tentativas de minha inveja e, quiçá, inventar um pouco desta beleza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5548669838795204280?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5548669838795204280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5548669838795204280' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5548669838795204280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5548669838795204280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/07/ainda-ontem-me-perguntaram-deste-blog.html' title='Os inocentes do Leblon, sempre eles.'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5633111840953359967</id><published>2010-06-23T23:46:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:03:38.647-02:00</updated><title type='text'>Suspiros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele entrou em um sebo no centro de São Paulo, daqueles de estantes de madeira velha e gibis empilhados no chão. Na verdade ele não entrou, mas "deixou-se entrar", como se nada pudesse fazer. Observou estantes, poeiras, gibis e livros. Parou diante de uma estante que continha um exemplar de "Insustentável Leveza do Ser". Lembrou de um dia longínquo de um verão distante, onde ele e uma mulher, a quem entregara as pistas mais importantes de sua vida, deitaram em um gramado de um parque e, sob a sombra pródiga e perene de uma árvore, leram trechos de um livro de Milan Kundera, com o qual ele a presenteara, e que lhes parecia profundamente erótico na descrição de personagens cujos nomes - Thomas, Tereza, Sabina e Franz - eles adoravam pronunciar. Ele tomou o livro nas mãos e o abriu. Havia uma dedicatória com a sua assinatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela terça de manhã, o calor nem estava tão absurdo. Andar pelos jardins do Flamengo, vindo da Glória em direção a Botafogo, lhe parecia a única possibilidade de solidão naquele momento. Andou e viu os prédios de uma aristocracia antiga, poliglota, porém decadente. Prédios de varandas transformadas em jardins, com janelas gigantescas dando para outros jardins à beira de uma avenida que, de tão insólita naquele lugar tão bonito, parecia onírica. Parou defronte a um boteco charmoso. Entrou e pediu um chopp. Dentro apenas um casal em um momento de afago verbal. Ele bebericou seu chopp lentamente enquanto olhava o movimento da avenida. Nesse instante, sentiu-se só. Nesse instante, percebeu que havia um rádio ligado e que começava tocar um samba de Nelson Cavaquinho chamado "Luz Negra".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ela se cansou de andar - percorrera toda a &lt;i&gt;rue de Seine -&lt;/i&gt; resolveu parar bem no meio da &lt;i&gt;Pont des Arts&lt;/i&gt; e ficar observando a &lt;i&gt;Pont Neuf. &lt;/i&gt;Quanto tempo ficou ali? Dias depois, não conseguia lembrar. Recordou apenas do momento em que o viu, num café com sua nova mulher, e que chorava silenciosamente na &lt;i&gt;Pont des Arts&lt;/i&gt; quando arremessou no rio o exemplar de &lt;i&gt;Rayuela&lt;/i&gt; que carregava na bolsa para os momentos em que queria lembrar do que vivera com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma certa comicidade em viver numa cidade no interior do Brasil que alguns confundem com uma cidade espanhola. Há uma certa tragicidade nas noites em que ele vive à base de jazz e vinho, como se fora Nova York ou alguma metrópole qualquer. Contudo, ao abrir a cortina do escritório se depara com uma cidade no interior no Brasil que ele não confunde com uma cidade espanhola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela estava há dez dias sozinha em Buenos Aires. Foi a um concerto no &lt;i&gt;Centro Cultural San Martín. &lt;/i&gt;Era um duo de piano e clarinete. Tocaram peças diversas: Ginastera, Piazzolla, Troilo, Villa-Lobos e, no final, surpreendentemente, um arranjo de um tema de Miles Davis. Foi com este tema, construído sobre uma nota &lt;i&gt;blue&lt;/i&gt;, que ela saiu pelas &lt;i&gt;calles porteñas. &lt;/i&gt;Não andou muito. Subiu a &lt;i&gt;Corrientes&lt;/i&gt;, dobrou à esquerda na &lt;i&gt;Callao&lt;/i&gt; e entrou no &lt;i&gt;La Academia, &lt;/i&gt;um lugar onde estivera anos antes com alguém que lhe suscitava lembranças de um época intensa. Não foi sem emoção que ela abriu a porta e lembrou de uma noite de segunda-feira, num mês de setembro, quando ele estava lá, lhe esperando. Ela olhou o lugar, mediu as pessoas e sentou numa mesa próxima à janela. Pediu um &lt;i&gt;doble &lt;/i&gt;e tirou da bolsa uma caneta e sua caderneta. Ficou pensativa durante minutos, enquanto sorvia aquele café de um amargor intenso. Findo o café, abriu a caderneta e registrou: "aqui fui feliz um dia".  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5633111840953359967?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5633111840953359967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5633111840953359967' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5633111840953359967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5633111840953359967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/06/suspiros.html' title='Suspiros'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2498113591575022052</id><published>2010-05-16T18:17:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.715-02:00</updated><title type='text'>A Invenção do Samba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/S_BhVRBlUeI/AAAAAAAAAS8/BaIVc1vxlRY/s1600/a+inven%C3%A7%C3%A3o+do+samba.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/S_BhVRBlUeI/AAAAAAAAAS8/BaIVc1vxlRY/s200/a+inven%C3%A7%C3%A3o+do+samba.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471980565230342626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); "&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;Quando ele percebeu que ela não viria, depois de horas esperando, ali, naquele café, ele pediu a conta, pagou, levantou-se e saiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-decorations-in-effect: none; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Fazia frio. Ele deixou-se envolver pelo casaco, sentiu cada poro da pele de seu braço em contato com o tecido grosso. Enfiou as mãos nos bolsos e olhou pro céu. Estava cinza, assim como seu coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Só neste instante, quando percebeu que seu amor se fora e que seu coração voltara a ser apenas um músculo, ele se permitiu a primeira e única lágrima.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2498113591575022052?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2498113591575022052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2498113591575022052' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2498113591575022052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2498113591575022052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/05/invencao-do-samba_16.html' title='A Invenção do Samba'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/S_BhVRBlUeI/AAAAAAAAAS8/BaIVc1vxlRY/s72-c/a+inven%C3%A7%C3%A3o+do+samba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3371536953238240668</id><published>2010-04-14T01:10:00.005-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.727-02:00</updated><title type='text'>Balada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As 3 mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Manuel Bandeira&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ainda hoje penso em Violeta. Tinha olhos verdes. Mistério profundo. Pensava eu: “de quem serão os olhos verdes de Violeta?”. Queria para mim, apenas para mim. Mas como? Eu? Quem era eu para os olhos verdes de Violeta? Não. Nada era. Por isso o mistério. Profundo. Quem seria? Um príncipe? Um algoz? Um estafeta? Um engenheiro de exatos pensamentos e seguro sexo? Um poeta louco e barroco, desses de estudantes sonhos? Talvez nenhum deles. Talvez apenas um homem que a olhasse nos olhos, verdes, sem medo. Era difícil não ter medo de Violeta. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ainda hoje penso em Violeta e meu corpo se punge. Penso em sexo, gozos e gosmas, salivas. Penso. Meu corpo pensa. Violeta. Todos os poros. Os olhos verdes nus. Violeta do sabonete Araxá. Meu reino por Violeta! Violeta de onze anos. De trinta. Pelancas de setenta. Perverso? Talvez. Ainda hoje penso em Violeta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Onde estará agora neste exato momento onde dou a volta de minha solidão e meus delírios? Com uma prima carioca, beijando na Cólquida ou amando no Leblon? Ou será uma beata numa igreja evangélica numa cidade perdida do Paraná? Talvez uma moça simples? Daquelas que trabalham numa confecção e que, às nove da noite, se abrem em ponto para um marido que usa boné e cursa contabilidade numa faculdade privada? Onde estará Violeta que outrora imaginei de olhos envoltos de livros e um tanto de rímel? Violeta do livro de Ana Cristina. Violeta existencialista. Violeta de boina. Violeta puta.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;Houve Violeta? Não sei. Talvez tenha sido apenas mais um desses meus delírios inventados quando a minha solidão marca meia-noite e meia.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;Ainda hoje, &lt;i&gt;bouleversé&lt;/i&gt;, pensarei em Violeta novamente.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3371536953238240668?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3371536953238240668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3371536953238240668' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3371536953238240668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3371536953238240668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/04/balada.html' title='Balada'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7672855423023291470</id><published>2010-01-24T01:46:00.003-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.734-02:00</updated><title type='text'>Adagio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aos poucos as palavras reaparecem à minha frente. Meu coração anda surdo ao seu apelo, mas elas insistem. Hoje mesmo, numa rede, no início da noite, dessas agradáveis de verão, algumas palavras escritas em uma língua outra por alguém que é apenas memória suscitaram aquela emoção que um bardo mineiro, a quem sigo como um irmão mais velho, chamou de "única, porque causada pela palavra escrita".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chorei discretamente, algo tanto mineiro. Mas chorei. Espero não ter sido visto: essas coisas a gente nunca sabe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7672855423023291470?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7672855423023291470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7672855423023291470' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7672855423023291470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7672855423023291470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2010/01/adagio.html' title='Adagio'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8295041620299773981</id><published>2009-10-20T08:40:00.003-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.885-02:00</updated><title type='text'>Mini-Crônica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;...está lá, em cima da mesa, aquele coração que fora congelado durante tanto tempo. É verdade que ele perdeu o hábito de bater e é verdade que seu dono, por falta de uso, não sabe direito o que fazer. Felizmente há pequenos remedinhos para estes momentos: uma música dançante qualquer, uma partida de futebol, uma bandinha na sexta à noite. O dono, contudo, sabe que tudo isto é paliativo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por via das dúvidas, e por uma certa desconfiança natural, ele escondeu os discos de tango. Enquanto isto ele vai de samba até mais tarde.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8295041620299773981?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8295041620299773981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8295041620299773981' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8295041620299773981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8295041620299773981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/10/mini-cronica.html' title='Mini-Crônica'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5170892513305025106</id><published>2009-08-30T20:22:00.005-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.897-02:00</updated><title type='text'>Uma canção tem três minutos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;He disliked bars and bodegas. A clean, well-lighted cafe was a different thing.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Hemingway&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A construção era simples: uma porta na esquina, entre duas ruas, e três grandes janelas laterais que permitiam uma boa visão do exterior, da rua, do mundo. Lá dentro, porém, era que a vida se desenrolava, cotidianamente, nas idas e vindas dos habituais fregueses daquele café. Quem freqüenta um café sabe a que me refiro: é uma questão de princípio e, escolhido um café, ela se torna o café. É como se cada freguês, que tinha seu horário e mesa certa, sua bebida exata, fizesse daquele lugar sua casa, um espaço só seu. E como da rua fosse possível observar tudo lá dentro, todos se sentiam observados pelo mundo que corria fora: todos os carros, transeuntes, podiam ver aqueles habitués em seus movimentos e pensamentos. Estavam expostos à curiosidade do mundo.&lt;br /&gt;O café tinha um nome: Descartes. A dona, uma paraense e ex-proprietária de livraria, o achava um bom nome para um café, um lugar onde ela gostaria de ver todos imersos em reflexões, algo cartesiano. Havia muito de idealismo nisto e Berenice, a dona, o admitia. Mas, apesar dos habitués não serem os intelectuais que ela gostaria que fossem, Berenice gostava do seu café, o Descartes e, com o passar do tempo, percebeu que o melhor não eram os pensamentos, mas a fauna humana que ali se revezava durante o dia. De fato, havia de tudo um pouco no café Descartes, uma profusão de tipos que por ali passavam todos os dias, nos mais diferentes momentos. Pessoas que, na maioria das vezes, mal se falavam, mas que se reconheciam mutuamente como habitués do mesmo café. Era como um segredo compartilhado por todos. Não se falavam, mas sabiam entre si que dividiam, nem que por breves instantes, o mesmo café.&lt;br /&gt;Berenice não imaginava mais um dia de sua vida sem aquelas pessoas por perto, pessoas que muitas vezes a aborreciam, mas que, ao mesmo tempo, preenchiam os espaços vazios de sua vida. Desde que se separara, após um ano onde, ironicamente, a convivência com seu marido tornara impossível a comunicação entre os dois, Berenice dedicara-se exclusivamente ao seu café, aquele pequeno lugar de uma esquina perdida no velho centro da cidade. Agarrara-se àquele lugar, àquelas pessoas, como se elas permitissem um mínimo de gozo na vida, uma pausa na solidão para onde, ela percebia, sua vida caminhava, como se o café Descartes e seus fregueses lhe servissem de senha para uma leveza momentânea, a única que lhe restara.&lt;br /&gt;Por isso mesmo, Berenice odiava os domingos, único dia da semana onde o Descartes não abria. Menos por ela própria, mas pelos seus dois funcionários, a Elisa, cozinheira, e o Josafá, garçom. Elisa era uma senhora bastante recatada, evangélica, que sustentava 3 filhos com aquele trabalho. Mal era vista em seu trabalho na cozinha. Josafá sim, era um companheiro para Berenice, uma espécie de irmão mais novo. Ela adorava o jeito galhofeiro, contido num humor preciso e mordaz, daquele gaúcho de Cruz Alta, torcedor do Inter, ouvinte de chulas e xamamés e que se revezava como amante de duas mulheres casadas, uma delas habitué do café. Não fosse por Elisa e Josafá, Berenice certamente abriria aos domingos, dia morto no qual ela era obrigada a vislumbrar o vazio que tanto temia.&lt;br /&gt;Era aos domingos, então, que Berenice sentia falta daquele povo que todo dia aparecia no Descartes e usava o café a sua maneira, delimitando espaços, vivendo rotinas íntimas, mesmo que observadas por qualquer um. Berenice sentia falta dos estudantes da faculdade de letras que, durante a manhã, se reuniam nas mesas, alguns para fazer seus trabalhos, outros para simplesmente matar aulas; do “seu” Melquíades e do “seu” Marinho, que ocupavam religiosamente a mesa do canto direito numa série interminável de partidas de damas; da Rosana, bela secretária da empresa ao lado, que entrava às nove; do João e da Valentina, casal que morava a uma quadra do café e que sempre iniciava ali seu dia, com o hábito de tomar café e folhear o jornal, pontuando as notícias com comentários e conversas que, Berenice percebia, eram pesadas e sérias – era ali que aquele jovem casal discutia sua relação; do Vinícius, professor de inglês que dava aulas particulares numa mesa do café, sempre às terças, quintas e sextas; da Dona Estefânia e as descrições de suas doenças todas; do Manoel, sempre lendo algum livro, sentado numa mesa próxima a uma das janelas e alternando a leitura com longas miradas para a vida que corria fora; da Beatriz, conhecida fotógrafa já aposentada, que vivia no mesmo prédio do café e que sempre descia no início da tarde e ali ficava conversando com Berenice; do Rolando, um portenho aqui radicado, completamente apaixonado por Nelson Cavaquinho, e que passava horas e horas numa mesa do canto observando as pessoas, conversando com todos e, às vezes, escrevendo pequenos hai-kais com que ele presenteava uma ou outra pessoa; da Laís, garota de programa que morava num prédio próximo e que marcava seus encontros no Descartes para depois ir a sua casa; do “seu” Dantas, antigo líder sindical preso na ditadura, além do Ramires, violonista que acompanhara Maysa numa de suas viagens ao exterior e que se gabava de ter tido um caso com a diva.&lt;br /&gt;Berenice achava bela a presença destas pessoas. Havia algo de comovente naquelas rotinas que se entrecruzavam e estavam expostas aos olhares do mundo. Sim, ela amava aquelas pessoas e precisava delas. Eram seus irmãos. Seus filhos. Sentia-se viva entre eles, num momento de sua vida em que o que mais temia era a solidão. Sem estas pessoas e outras que freqüentavam o Descartes, Berenice sentia-se perdida e profundamente triste. Vinha-lhe então a angústia de pensar que esta falta, sentida aos domingos, um dia se estenderia ao restante da semana. Nesse momento, ao perceber a finitude de tudo aquilo, ao pensar que todas aquelas pessoas que povoavam sua vida e seus dias não estariam ali para sempre e que haveria um momento onde ela estaria realmente só, Berenice se lembrava de um dia em sua infância em que o pai lhe levara ao circo e de como, ao terminar o espetáculo, ela desejara dolorosamente que ele continuasse. “Tem mais?”, perguntava ao pai. “Tem mais?”. Mas o espetáculo não continuou. Terminara, simplesmente, como tudo em sua vida terminaria um dia. Sua infância, seus amores, seu pai, seu casamento, sua juventude, tudo. E então, nesse momento, a idéia que evitava sempre lhe saltava à mente, súbita e simples: a morte. Temia a morte porquê percebia que, muito provavelmente, estaria sozinha. Um dia, ninguém mais estaria ali e nada mais, café, habitués, transeuntes e carros, haveria. Seria somente Berenice e mais ninguém.&lt;br /&gt;Assim, os domingos de Berenice passavam como meras expectativas e esperanças da segunda-feira. Ao contrário do habitual para a maioria das pessoas, as segundas eram vividas por Berenice com um grande alívio e até uma certa dose de esperança. Alívio porque o espetáculo continuara, esperança porque talvez ainda durasse mais um pouco. Como na infância, ela apenas desejava que tudo aquilo se prolongasse ao máximo, tingindo seus dias com um pouco da beleza que só as pequenas coisas humanas são capazes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5170892513305025106?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5170892513305025106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5170892513305025106' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5170892513305025106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5170892513305025106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/08/uma-cancao-tem-tres-minutos.html' title='Uma canção tem três minutos'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-6248143351694527880</id><published>2009-08-30T20:20:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.902-02:00</updated><title type='text'>Sueños porteños</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bolívar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El subte tiene siempre las mismas personas. Hay un hombre viejo con un pacote. ¿Que será? Miro con curiosidad. Tiene la elegancia de un porteño de los años 50, con su tierno azul. Tengo ganas de preguntarle cosas, pero es agradable solamente mirar. El hombre siempre salta en San Jose. Talvez sea un empleado, un abuelo, talvez un viejo peronista con sus recuerdos de 1955, talvez un boemio viniendo de la noche, talvez. En el subte,  una mañana, hay siempre muchas cosas para mirar. No es preciso hablar nada: las palabras son tan pocas para esto. Un hombre viejo con un pacote en el subte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belgrano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miro ahora una mujer que tiene una hija. La nena saca la lengua afuera para las otras personas y se ríe mucho. El subte ahora es un parque de infantes: todos tenemos cinco años y la nena nos guía en sus pensamientos. Yo soy un payaso y por la ventana miramos pezitos amarillos, azules, y ahora el subte no es más un subte, pero un submarino que flota como una burbuja. Y todo esto, de repente, se deshace con el movimiento del subte y nosotros, yo y la nena, nos miramos y ella se ríe mucho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independencia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Una mujer saca un libro. Yo confeso: no puedo ver alguien con un libro. Sí, es una compulsión saber que libro es, mirar las reacciones de la lectura (recuerdo una vez cuando miré una mujer leyendo Virginia Woolf en autobús y ella lloraba en silencio). El libro era una novela de Sábato y, de repente, pensé en Martin y Alejandra y los héroes y las tumbas de Buenos Aires. Y pensé también en la obsesión de Sábato con los ciegos (“ellos están por toda parte en Buenos Aires”) y miré en subte, pero no había ninguno ciego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;San Jose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estoy entre San Jose y Santiago del Estero. Santiago del Estero tiene una sonoridad linda. Repito la palabra como una canción: Santiago del Estero, Santiago del Estero, Santiago del....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre-Rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sí, ahora la veo. ¿Quién será la chica que siempre toma el subte en Entre-Rios? No, no me atrevo a hacer preguntas. Sería poco elegante. Pero, me gusta demasiado mirarla por todo su trayecto, hasta Boedo, donde baja todos los días. Hay días donde parece estar triste, pero hay otros donde percibo un gozo infinito, como si ella viviera las mañanas porteñas con una gana indecible, como si las calles tuvieran un placer que ella, con el tempo, aprendió a disfrutar, como si el ritual diario de tomar el subte fuera un salto hacía el día. Así como yo, percibo que ella mira a todos en subte con una atención toda suya. No sé si es triste o alegre (tampoco esto importa) pero no tengo dudas de que ella tiene una sensibilidad gigantesca y que su presencia da a las cosas otro modo de ser, otro sabor. Es una delicia estar cerca de ella. El simple trayecto del subte gana otras colores cuando ella entra en Entre-Rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pichincha, Jujuy y Urquiza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aún miro la chica. Hoy está con un suéter negro y tiene su cabeza apoyada en la ventana. ¿Qué pensará? Tal vez desee un día de sol, tal vez desee estar en un teatro barroco o un cinema antiguo, tal vez un poema de Discepolo, tal vez imagine una carta a escribir, tal vez piense en un beso de cine. Tal vez juegue con sus pensamientos ¿Quién sabe?&lt;br /&gt;Pero recuerdo, de repente, de una madrugada donde la vi en un parque con amigos. Quedé mirando, sin que ellos me vieran. En aquella noche, vi y oí sus sonrisos y su nombre era levedad y yo tuve la impresión de estar en un sueño. El parque quedaba en la esquina de un boulevard – Rosario Vera Peñaloza – con una calle llamada Julieta Lanteri (hay calles en Buenos Aires con nombres tan hermosos). Desde entonces siempre pienso en Julieta Lanteri, un lugar mítico, de sueño. No es nada, solamente una esquina, pero no tengo palabras para describir la levedad y la música de aquella noche. Una levedad que, para mí, es sinónimo de intensidad. Una levedad que, para mí, es sinónimo de la poesía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boedo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y ahora, la chica se va. Ella no sabe que, a veces, pienso en ella como si fuera un personaje de una película, con sus sonrisos, sus músicas y encuadramientos y me pregunto si a ella gustaría los sambas de mi imaginación. Tal vez sí, tal vez no. Tal vez esto no sea importante. Lo que importa es que esta chica me ha dado una de las llaves (hay otras...) con la cual siempre miraré Buenos Aires.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;La línea siegue abierta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-6248143351694527880?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/6248143351694527880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=6248143351694527880' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6248143351694527880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6248143351694527880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/08/suenos-portenos.html' title='Sueños porteños'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4220650805843398228</id><published>2009-08-30T19:51:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.911-02:00</updated><title type='text'>Mulheres segundo o Evangelho de São Jorge (versão apócrifa)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; 1. Que nega é essa&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os olhos negros de azeviche miram o espelho partido de um banheiro público em pleno sábado de carnaval. Jovem, não mais de 22 anos, usa batom de cor forte, mas a maquiagem é suave. A pele é quase escura: mel. As mãos, finas de dedos compridos e unhas vermelhas, remexem a pequena bolsa de poucos recursos, à procura de um cigarro perdido entre chaves, batom e pequenos papéis. Levanta novamente os olhos e se mira no espelho: a boca, o queixo fino, o pescoço, o colo. Acha-se dona do mundo. “Trouxa”, pensa. “Casar? De vestido branco?”. Ri da própria dissimulação, mas acha que mesmo assim vale à pena faturar alguma coisa em cima daquele otário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Cadê Tereza?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Tavares, funcionário de uma papelaria e torcedor do Madureira, a procura desesperadamente, Tereza pode ser vista num samba próximo à rodoviária (e não no morro, conforme versões posteriores ao crime), completamente bêbada e entregue aos braços de Pedrão (este, obviamente, um torcedor do Flamengo). Tereza não gosta de futebol, mas a esta altura do campeonato prefere os flamenguistas. Mal sabe ela que, mais tarde, no cemitério São João Batista, amigos, desinformados quanto à razão da sua morte, mas condoídos pelo suicídio de Tavares, enterrarão os dois sob uma bandeira do Madureira.  E ainda cantarão o hino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ive Brussel&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ive adorava passar as férias no Brasil. Nas últimas, há cerca de um ano e meio, foi ao Rio e a Salvador. Na capital carioca, encantou-se com um músico, meio desconfiado e sem jeito (quase calado), mas cheio de swing, chamado Jorge Duílio, que, encantado pela moça, lhe compôs uma canção. Apesar disto, Jorge Duílio foi rapidamente esquecido quando Ive desembarcou em Salvador e conheceu, num papo-cabeça, um estudante de filosofia cabeludo – que também cantava, e era até bonitinho com sua voz de cantor – chamado Emanuel Teles, que igualmente lhe compôs outra canção.  No entanto, o baiano logo a cansou e ela voltou para a Bélgica achando os homens brasileiros, apesar das belas canções, um pouco grudentos e um tanto quanto melosos. Resolveu ser prática em matéria de homens e atualmente namora um boxeador (peso pena) ucraniano que ela conheceu num bar em Bruxelas. À propósito: a única coisa de música brasileira que o namorado de Ive conhece é Sepultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Cinco minutos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não podia esperar mais. Não, eu não podia. Se ele falasse um pouco mais, eu não poderia voltar pra casa. Nunca mais. Eu gosto dele, mas não posso largar tudo assim. E os meus filhos? E o Zeca? O Zeca é tão bom pra mim e não merece isto. 5 minutos: foi o que o outro pediu para me dizer tudo. 5 minutos não é nada, eu sei. Mas eu não podia, eu não posso. Vi que ele ficou mal. Eu vi e sei o que estou perdendo. Eu o amo, mas é melhor assim. É. É melhor assim. O Zeca e as crianças não conseguiriam ficar 5 minutos longe de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Bebete vão embora&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando Bebete acordou eram mais de onze horas. Seus olhos pesavam e sua cabeça parecia uma gangorra. Acordou com os berros do seu filho, que ainda não havia mamado. Gritou para a irmã ordenando que desse um jeito naquela criatura estúpida. O samba da noite anterior estava muito bom e ela precisava dormir. “É tão bom ser casada com um homem que trabalha”, pensou enquanto se virava para se agarrar de novo ao sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Meus filhos, meu tesouro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, Anabela era chamada de gorda, inclusive pelo pai. Uma tremenda injustiça, já que ela era magra. Cresceu traumatizada pelo estigma e resolveu se vingar da vida: montou um consultório que atende precariamente, pelo SUS, mulheres com problemas de obesidade. Duas morreram devido a lipoaspirações mal feitas e Anabela teve que se esconder por uns tempos. Foragida, não pôde realizar seu projeto de vida: ser uma dona de casa atuante, de preferência casada com um milionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Xica da Silva&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No morro do Tijuco todos sabiam: ninguém podia sequer olhar para a Xica, mulher do Joãozinho Fernandes, maior traficante da cidade. Xica adorava jóias e tinha uma especial predileção por diamantes, o que Joãozinho, ávido pelos deleites proporcionados pela moça, satisfazia regularmente. Todos sabiam, contudo, e ninguém dizia um isto, que Xica tinha seus casos: aliás, hora ou outra, ela descia o morro caçando suas presas. E ai deles se fugissem. Definitivamente, contrariar Xica não era um bom negócio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4220650805843398228?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4220650805843398228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4220650805843398228' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4220650805843398228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4220650805843398228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/08/mulheres-segundo-o-evangelho-de-sao.html' title='Mulheres segundo o Evangelho de São Jorge (versão apócrifa)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8626195138997295786</id><published>2009-06-21T01:57:00.004-03:00</published><updated>2011-01-12T01:28:10.628-02:00</updated><title type='text'>Pequena carta para um velho amigo</title><content type='html'>Caro Erik,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;há muito tempo penso em lhe escrever. Mas hoje, particularmente hoje, numa noite fria de um céu sem nuvens, com todas as estrelas ao alcance das mãos (e, devo admitir, com este vinho...), você me pareceu tão próximo, tão presente que, tenho certeza, não vai se importar de eu lhe escrever algumas poucas palavras. Enquanto te escrevo, Erik, escuto sua música. Uma das Gnossiennes. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PLFVGwGQcB0&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PLFVGwGQcB0&amp;amp;feature=related"&gt;A de número um.&lt;/a&gt; Esta música me diz tanto, você nem imagina o quanto. Adoro te imaginar tocando isto em alguma noite quente em Paris, com folhas vermelhas e azuis e verdes, tais aqueles quadros de Monet. Esta música me traduz tanta coisa que eu nem sei escrever. Imagino uma brisa, uma tarde de verão, um fim de tarde, um daqueles retratos parisienses, um autocromo dos Lumiére. Isto: imagino um dia com aquelas cores. Dia desses fui a um museu ver estes autocromos e, te confesso, entre envergonhado e solitário, chorei. Discretamente, mas chorei. Pensei em você na hora em que entrei na galeria. Tua música me veio como um fardo. Em cada olhar, em cada gesto daquelas fotos, havia você e seu piano. Eu estava acompanhado de uma pessoa a quem prezo muito. E tudo pareceu perfeito: os Lumiere, a minha companhia, a tua música. Por isso, só por isso, emocionei-me. Passei dias pensando em te escrever só para contar isto. Bobo, não? Talvez. Mas não ria de mim. Você tem o dom de me desnudar. Tua música faz isto: me desnuda, desvela. Fico sem proteção alguma. Não é o único que faz isto. Mas o faz de um jeito singular, como nenhum outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu, desprotegido, te confesso, Erik, aqui estou solitário numa noite de sábado. Meus amigos estão longe e meu coração... meu coração nada faz senão bater. Serei um insensível? Serei um monstro? Não. Tenho certeza que não. Tua música me diz que não. Cada vez que te escuto, sobretudo aquelas em modo sentimental, sou tomado de um furor, um sentimento absurdamente vivo. Um poeta escreveu certa vez: "esta lua, este conhaque, botam a gente comovido como o diabo". É isto: sua música me deixa tão comovido que me garante que estou vivo. Eu me refujo na sua música: cesso todas as relações, todas as palavras. Ali, somos apenas eu e os sons. Mais nada. Há tempos que eu te uso para isto. Para sentir-me vivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas músicas tristes. São noturnas como agora são duas da manhã e o vinho é apenas um passado remoto. Mas eu sei que tua melancolia revela também um senso de humor absurdo. Me reconheço nisto. Você nem imagina o quanto. Eu rio, Erik. Rio de mim o tempo todo. Minha sanidade depende disto. Houve um tempo em que achei isto ruim. Hoje preservo isto como meu maior dom. Rir de si. Eu sei que você ria de você também. E, por isso, entendo a melancolia das tuas músicas. Uma melancolia feita de fins de tarde impressionistas. Uma melancolia feita de pedaços de memória, pequenos gestos e tardes de sábado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moro numa cidade pequena, Erik. Há dias onde o silêncio da minha rua me surpreende. Ouço apenas o vento. E penso na tua música. Ouço o azul do céu. Um céu azul, sempre, sempre sem nuvens que, no inverno, tende ao escuro e é lindo. O vento é azul na minha cidade. É puro impressionismo. Ao lado da minha casa há uma construção, um prédio a ser levantado por uma família. Pois dias desses, resolvi fazer um passeio num domingo à tarde e vi a família toda reunida num almoço em um prédio em construção. Em meio a argamassas, tijolos e madeiras, havia uma mesa, com pano quadriculado, um perú bem no centro, e algazarra típica de um família de domingo: o pai, a mãe, taciturnos, os filhos bagunceiros, o tio debochado. Pensei, de novo, na tua música. Aquilo era tão íntimo, como os autocromos dos Lumiere. Senti-me invasivo e invejoso. Inveja daquela intimidade, daquela simplicidade familiar da qual me lembro em fios de memória que ainda resistem, mas que se encontram cada vez mais esgarçados. Fiquei tão emocionado! Uma simples família de alemães no interior de um estado do Brasil. Tão longe da sua música, mas tão perto!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E hoje à noite, é isto. O silêncio da minha casa. Uma certa melancolia feita de sábados. À minha direita, um livro de um conterrâneo seu, chamado Michel Leiris. Dele tomo uma epígrafe que talvez lhe diga algo: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Eu sozinho. Sinto meu coração e conheço os homens. Não sou feito como nenhum dos que vi; ouso acreditar não ser feito como nenhum dos que existem. Se não valho mais, ao menos sou diferente..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto é Rousseau e eu tenho certeza que você não discordaria. Tua música, aos meus ouvidos, soa como esta frase: "Sinto meu coração e conheço os homens". Sempre que o verbo sentir me bate à porta, tua música me ajuda a abri-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do seu,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Pedro de Andrade&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8626195138997295786?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8626195138997295786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8626195138997295786' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8626195138997295786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8626195138997295786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/06/pequena-carta-para-um-velho-amigo.html' title='Pequena carta para um velho amigo'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3107625899540728870</id><published>2009-06-05T23:54:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.933-02:00</updated><title type='text'>Saudosismo ou "João girando na vitrola sem parar..."</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje à tarde deparei-me, lendo um texto, com a palavra saudosismo. Tanto a palavra quanto a idéia me estimulam a imaginação. Este blog, em certa medida, tenta dar conta do meu saudosismo, crime do qual sou réu mais do que confesso. Porém, passei o resto do dia imaginando um texto a ser escrito com este título. Fuçando nas minhas coisas e na internet cheguei a uma canção de Caetano Veloso, de 1969, intitulada "Saudosismo". Eu já conhecia a canção há muito tempo, mas havia me esquecido dela. Foi gravada pela Gal Costa, em 1970 (Caetano fez para ela) e só nos anos 80 pelo autor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;eu, você, nós dois, já temos uma passado meu amor/um violão guardado, aquela dor, e outras mumunhas mais"&lt;/em&gt; (mumunha é uma das palavras de que mais gosto). "&lt;em&gt;eu, você, nós dois, quarta-feira de cinzas no país"&lt;/em&gt;. E por aí vai...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvi a canção durante o resto do dia e desisti de escrever. As palavras (e a música) de Caetano, hoje, valeram o dia e qualquer texto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui o link uma gravação com o próprio &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5hOoyWNMtCc"&gt;autor&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3107625899540728870?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3107625899540728870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3107625899540728870' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3107625899540728870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3107625899540728870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/06/saudosismo-ou-joao-girando-na-vitrola.html' title='Saudosismo ou &quot;João girando na vitrola sem parar...&quot;'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-6111884302002687694</id><published>2009-05-14T18:18:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.938-02:00</updated><title type='text'>Singles</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Josileide vai, aos sábados, visitar os pais. Faz isto antes que eles venham a sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André separou-se há três semanas. Não há perspectiva de volta. No primeiro final de semana foi a um puteiro no centro da cidade – pela primeira vez na vida. Transou com uma moça de codinome Karen, depois de barganhar por trinta reais. De cem, ela baixou o preço para setenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vanessa passa as noites de sexta fumando maconha. Adora se masturbar quando está chapada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucinda nunca teve ninguém, senão um namorado quando adolescente, numa pequena cidade do interior. Agora, aos 43 anos, passa os sábados em casa, vendo seriados e comendo balinhas. Lucinda, vez ou outra, suspira pelo marido de uma vizinha no prédio. “Ela tem só 22. Pode arranjar outro”, pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um mês saindo com Leila, Marcos acordou no meio da madrugada. Mirou a moça nua, estendida sobre a cama. Achou-a linda e percebeu que sentiria sua falta. Foi embora assim, sem nada dizer. E, durante um tempo fugiu dos insistentes telefonemas de Leila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allan, quando se sente só, tenta escrever. Adora escrever cartas que jamais envia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Davi tentou se matar duas vezes. Planeja uma terceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda dorme com a luz do quarto acesa. Tem pavor do escuro e, pra falar a verdade, anda com medo até de dormir. Ultimamente, tem se dedicado a sessões noturnas de muito café e livros. Mais alguns dias e ela terminará de ler a obra completa de Philip Roth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano vence os domingos, o dia que em que ele percebe que está só, ouvindo música em um volume ensurdecedor. Seus vizinhos não agüentam mais ouvir os discos de Jay McShann, Dizzy Gisllepie e Velvet Underground.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana tornou-se bissexual depois de sua separação. Atualmente está saindo com uma DJ alemã cheia de tatuagens e com o irmão de seu chefe. Ele tem insistido num encontro a três, mas ela teme que a DJ se interesse por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maristela passa o fim de semana em casa, aproveitando o pouco tempo livre para se dedicar à filha de oito anos. Vez ou outra deixa a filha na casa de alguma amiguinha e se tranca em casa onde se entrega a sessões de blues e crack.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ivonete acabou de cair e, por azar, bateu a cabeça na pia. Bem que seu filho havia dito que era necessário contratar uma enfermeira, para não deixá-la só desde que ficara viúva. Agora, ficará ali, morta, até que algum vizinho sinta o cheiro e chame os bombeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo resolveu aprender trompete. Já tentou violão e piano, mas desistiu. Jura que tem vocação para a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliza recebe visitas de um homem bem mais velho, casado. Quase tudo na casa dela é presente dele, inclusive o armário de compensado na cozinha e o jarro em cima da geladeira. Até terminar a faculdade, ela pensa que vale a pena ficar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís instalou na área de serviço um saco de areia onde pratica exercícios de boxe ao som de hip-hop. Seu objetivo é participar de um campeonato amador de boxe e vale-tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Selma adora receber amigas em sua casa, onde passam horas bebendo vinho, escutando Amy Winehouse, fumando e dividindo intimidades masculinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danilo está tentando aprender a fazer bolo. Para isto aproveita um livro de receitas da ex-namorada, que ele surrupiou um dia antes de ser dispensado. Danilo, contudo, precisa comprar um liquidificador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luciano vive como se fosse observado. Assim, dentro de casa, encena poses e dramas. Há quem diga que é caso para internação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-6111884302002687694?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/6111884302002687694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=6111884302002687694' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6111884302002687694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6111884302002687694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/05/singles.html' title='Singles'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-6718458133101076336</id><published>2009-04-13T22:32:00.002-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.943-02:00</updated><title type='text'>A maçã e o elefante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;“Homens, perdoem-no, pois Ele não sabe o que faz”&lt;br /&gt;O Evangelho segundo Jesus.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foram necessários mais de vinte tiros para liquidar o elefante. Um dos tiros foi dado dentro de sua orelha, arrebentando-lhe a cabeça a partir dos tímpanos. O elefante levou horas para morrer e enquanto agonizava, chegou a ver seus algozes serrando suas presas e mirando-o com temor, satisfação, sadismo e respeito. Enquanto os mirava, seus olhos repousaram sobre mim, um mero leitor sentado dentre de um ônibus em uma cidade de céu cinza. Seus olhos tinham o silêncio da morte inevitável; os meus tinham o grito histérico do desespero. Seus olhos tinham a secura da sabedoria, do ascetismo; meus olhos eram lágrimas de vícios e masturbações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive ganas de descer do ônibus enquanto aquele elefante agonizava por páginas e páginas de um livro que, ironicamente, falava do paraíso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S: à propósito, o elefante foi morto por Deus-pai, travestido de caçador. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-6718458133101076336?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/6718458133101076336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=6718458133101076336' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6718458133101076336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6718458133101076336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/04/maca-e-o-elefante.html' title='A maçã e o elefante'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4464566280779755508</id><published>2009-03-16T01:30:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.955-02:00</updated><title type='text'>Only Tom Waits saves (ou réquiem para descrentes)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem à noite sentei defronte a um boteco. Pedi uma cerveja, uma dose de cachaça e fumei um charuto. Desfrutei tudo no mais completo silêncio. Quase um desespero o meu silêncio, porém vivo, muito vivo. Eis então que um marido esbofeteia a esposa na mesa ao lado. Eu lia um conto de Cortázar (sobre Che). Parei a leitura, pus o livro sobre a mesa e mirei a mulher, que caíra ao chão com o tapa. Nos olhamos. Quanto durou? Um segundo, dois, talvez? Não sei, mas o suficiente para ver no seu desespero o silêncio da morte.&lt;br /&gt;Voltei à minha leitura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S: e ela voltou aos braços da marido. Quando fui embora, às duas da manhã, os dois beijavam-se apaixonadamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4464566280779755508?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4464566280779755508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4464566280779755508' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4464566280779755508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4464566280779755508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/03/only-tom-waits-saves-ou-requiem-para.html' title='Only Tom Waits saves (ou réquiem para descrentes)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7855229397153511431</id><published>2009-03-16T01:16:00.003-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.959-02:00</updated><title type='text'>Substância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por que éramos os dois olhando a mesma janela. Eu e ela buscávamo-nos assim, por um vidro sem cortes, completamente transparente ao tempo. E mirávamos a janela de uma tarde de janeiro apagada pelo tempo, com a esperança de muitos janeiros e marços e carnavais. Por que éramos os dois tateando em vão as perguntas envoltas no ar do impossível, daquilo que não pode ser dito sem o preço da ofensa. Tateávamos às sombras de uma infinita ternura, por vezes azeda, tal um vinagre negro a se impor sobre a mesa durante um almoço de domingo. Porém, do azedume partíamos para um silêncio que nos constrangia e salvava-nos antes do fim da tarde. Salvos, porém culpados. Por que éramos os dois desesperados pelo corpo, corpo, corpo, visto sempre de lado, nunca de frente, como um caroço que se evita, mas que se busca até o fim de uma fruta suculenta. O sumo não tinha gosto, mas dor. Por que éramos os dois, somente os dois, mais nada. Não havia fiadores: por isso tudo era espera e resignação. Esperávamos o dia em que confrontados, perguntaríamos: por que somos os dois? E nesse dia vimos que a janela tinha ranhuras profundas. Sentamos e miramos de mãos dadas a chuva que caia numa quarta-feira feita de papéis brancos e verdes e brancos e rubros. Nada dissemos, por que sabíamos que éramos os dois, conjugados pela última vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7855229397153511431?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7855229397153511431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7855229397153511431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7855229397153511431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7855229397153511431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/03/substancia.html' title='Substância'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-727486904862138028</id><published>2009-01-29T11:37:00.004-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.961-02:00</updated><title type='text'>Antígona's Dark Shoes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;... a estrada parece não ter fim enquanto aquela mulher carrega pela mão um homem cego de outroras lendas. fora um bravo, decifrara a charada dos homens e agora, ali, cego como veio ao mundo, era guiado pelas mãos de uma mulher. a estrada nunca teria fim, não porque faltasse um destino, mas porque ele jamais o veria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;para sempre ele seria guiado feito uma criança não pelo filho, mas pela filha. a ela caberia salvar o pai da escuridão sem fim de todos os caminhos. a voz do pai, uma vez a lei do mundo, agora era uma súplica pelo fim de uma estrada que jamais chegaria. e ele maldizia, xingava, ofendia, a filha que insistia naquele caminho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;porém aos olhos de Antígona nada disto era um fardo. estava ali, com seus sapatos negros e um velho vestido que antes vestira uma outra mulher que se matara pelo remorso de ter gerado a ela, Antígona; ali, guiando pela mão o único homem que amara e que se recusara a abandonar. outros homens passaram, mil vezes colhera o gozo alheio em suas faces, mil vezes quedara deitada em silêncio enquanto algum homem, crente de sua importância, lhe dizia: "estou indo". e seu silêncio significava "que bom que isto acabou". mil vezes teve mil homens. porém nenhum como ele, o pai, agora tornado filho. e a ela, somente a ela, caberia salvar o pai do silêncio de um caminho escuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e ela já não sabia mais se tomava seus braços como acolhimento ou se o tomava em seus braços e lhe oferecia os seios como salvação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;isto não importava. agora era ela e ele. a filha e o pai, tornados mãe e filho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-727486904862138028?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/727486904862138028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=727486904862138028' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/727486904862138028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/727486904862138028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/01/antigonas-dark-shoes.html' title='Antígona&apos;s Dark Shoes'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7947663707931999518</id><published>2009-01-23T03:31:00.007-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.964-02:00</updated><title type='text'>Arrombamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;... eu juro: estou há dias atrás de um mísero mote, uma palavra, uma idéia, uma cena, o que for. estou atrás de quê? já nem sei. penetrei surdamente no reino das palavras e nada. penetrei então com ruído, feito um vendedor ambulante da 25 de março, um vascaíno em dia de clássico, um evangélico no culto. de novo, nada. esse Drummond me enganou. mineiro entojado. bem sei que não se deve confiar em mineiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;com raiva dele e das palavras apelei para a ignorância: invadi o reino das palavras sem pedir licença. literalmente, arrombei a porta. algumas resistiram e talvez eu não possa usá-las. paciência. as palavras que reclamem pro bispo. e se quiserem levem o Drummond junto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;chega, palavras. acabou minha paciência. agora o dicionário onde vocês estavam mudas e sós se chama "meu desejo". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7947663707931999518?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7947663707931999518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7947663707931999518' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7947663707931999518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7947663707931999518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2009/01/arrombamento.html' title='Arrombamento'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-644548079306735308</id><published>2008-12-03T22:35:00.006-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.969-02:00</updated><title type='text'>Grandes Momentos da Inveja ou Textos Que Eu Gostaria de Ter Escrito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O romance chama-se "A Trégua", do uruguaio Mário Benedetti. É de 1960 e há tempos eu o namorava, curioso. Algo me dizia que eu iria gostar. Certa vez, li um pequeno livro de poemas de Benedetti - "Poemas de hoy por hoy" - o que me deixou ainda mais curioso. Dizem as más línguas entendidas que, junto com Juan Carlos Onetti, Benedetti forma a dupla mais importante da literatura uruguaia moderna. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Independente das más línguas, por razões diversas "A Trégua" veio parar em minhas mãos há três dias. Edição de bolso, daquelas da LP&amp;amp;M. De fato, estou gostando. Tanto que leio lentamente, com medo de acabar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A Trégua" conta a história de Martín Santomé, um funcionário público de 49 anos, prestes a se aposentar. Sua vida chama-se regularidade. Viúvo, três filhos, espera apenas a aposentadoria chegar. O livro é escrito na forma de um diário, na primeia pessoa, no qual se revela um daqueles personagens fascinantes: completamente só, absurdamente regrado, totalmente inerte. Ele não ama, não deseja, não ambiciona. Está entregue a uma liberdade com relação aos próprios anseios que ele define como inércia. &lt;em&gt;"Liberdade é o outro nome da inércia da minha vida&lt;/em&gt;". A liberdade é azul, diria um filme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis que aparece Laura Avallaneda. Vinte cinco anos mais jovem, sua funcionária na repartição e que desperta em Santomé algo adormecido, esquecido, pretérito. Será possível manter-se livre?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compartilho aqui um momento belo do livro, no qual Santomé vai a uma feira, num domingo, planejando um encontro casual:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;............................&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Domingo, 12 de maio&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;....Em nenhuma parte encontrei seus olhos. Apesar disso (somente agora me dou conta), não sei como eles são, nem de que cor. Retornei cansado, aturdido, incomodado, aborrecido. Ainda que haja outra palavra mais certeira: retornei solitário.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Segunda-feira, 13 de maio&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;São verdes. Às vezes, cinzentos. Estava olhando para ela, talvez com demasiada insistência, e então ela me perguntou: "O que há de errado comigo senhor?". Que ridículo que me trate por "senhor". "Tem uma mancha no rosto", respondi, como um covarde. Passou o indicador pela maçã do rosto (um gesto bastante característico seu, que puxa o olho para baixo e que não lhe cai bem) e voltou a perguntar: "E agora?""Agora está impecável", respondi com um pouco menos de covardia. Sorriu, e eu pude acrescentar: "Agora não está apenas impecável, está linda". Creio que se deu conta. Creio que agora sabe que alguma coisa está acontecendo. Ou terá interpretado o que eu disse como um elogio paternal? Tenho nojo de me sentir paternal.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;...................&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei explicar o porquê, mas achei esta passagem singularmente bela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-644548079306735308?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/644548079306735308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=644548079306735308' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/644548079306735308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/644548079306735308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/12/grandes-momentos-da-inveja-ou-textos.html' title='Grandes Momentos da Inveja ou Textos Que Eu Gostaria de Ter Escrito'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7199440434468231409</id><published>2008-11-03T00:19:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.973-02:00</updated><title type='text'>Litania</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi num mês de outubro que descobri os tangos: Troilo, Piazzola, Pugliese, todos eles passaram a fazer sentido para mim num mês de outubro. Foi num mês de outubro que compreendi a dimensão do amor de Oliveira, perdido entre sua arrogância absurda, seu clube da Serpente, e seu amor angustiado, que se desdobrava feito um guarda-chuva atirado por dois amantes no parc Montsouris. Foi num mês de outubro que todas as calles de Buenos Aires, com suas paredes negras e seus boliches desertos pela madrugada se desdobraram para mim. Foi num mês de outubro que ouvi pela primeira vez a minha voz. E o que eu disse? “Estou perdido”. E disse isso com um misto de desespero pelo conteúdo e de alívio pela forma, como se na minha voz estivessem guardados 32 anos de segredos, sujos, covardes, infantis, puros, bobos, obscenos, lindos, afetuosos. Humanos. Foi num mês de outubro que me encontrei, ironia suprema, com o meu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num mês de outubro que mirei pela primeira vez meu pai e descobri que jamais poderia salvá-lo como Pinocchio faz com Gepeto. Porém, foi também quando percebi que ninguém me salvará da solidão e que todos nós estamos dentro de uma baleia. Descobri o limite das minhas forças, revelei minhas fraquezas e, ao mesmo tempo, tornei-me mais forte. Ou será insensível? Foi num mês de outubro que chorei pela última vez e descobri que nunca havia chorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mês de outubro me descobri numa escada de uma casa de dois pavimentos, escada que hoje, nos raros acessos que permito à poesia, ouso chamar de juventude. No andar de baixo, a inocência e a perversão de um mundo feito de avós, jabuticabas, músicas e acalantos maternos. No andar de cima, a solidão sensual de um mundo feito de giletes, tabaco e vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em outubro que me vi atravessado por um dardo e descobri que, sim, chegara o meio-dia da minha vida, onde as perguntas não mais poderiam ser guardadas em velhos armários cujas portas rangiam ao peso do já-vivido. Outubro foi um mês no qual mirei os olhos do amor e vi o que há de mais trágico neste sentimento: que ele subsiste o tempo todo se transformando. “O amor é uma torrente contínua”. Li isto num mês de outubro. Sim, é contínuo. Ele nunca acaba. Mas sempre é outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro e descobri que só me resta amar, além das manhãs de domingo como consolo. Os amantes? Estes são como a melodia de um blues: duram o tempo suficiente para uma linda canção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7199440434468231409?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7199440434468231409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7199440434468231409' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7199440434468231409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7199440434468231409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/11/litania.html' title='Litania'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2472366373805467815</id><published>2008-09-20T14:45:00.008-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.978-02:00</updated><title type='text'>Blues</title><content type='html'>&lt;a href="http://notasaocafe.files.wordpress.com/2006/11/la_chanteuse_jazz.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://notasaocafe.files.wordpress.com/2006/11/la_chanteuse_jazz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://notasaocafe.files.wordpress.com/2006/11/la_chanteuse_jazz.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho o papel diante de mim e, ao meu redor, um vazio infinito. Minhas mãos estão mudas e meus olhos não mais procuram tatear entre ombros alheios e dores mal disfarçadas. Minha casa chama-se silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desse silêncio nasce a memória de dias findos onde as palavras, sobretudo as palavras, faziam dos meus sábados e dos meus domingos um acolhimento, daqueles de quintal-pé-descalço-manga-no-pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que eu gostaria era traduzir aqueles dias. Mas a luz deles era intensa que não caberiam no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o papel diante de mim e, ao meu redor, meu cachimbo e um disco de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YC8sDz_V1uY&amp;amp;feature=related"&gt;blues&lt;/a&gt;. O papel que me perdoe.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2472366373805467815?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2472366373805467815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2472366373805467815' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2472366373805467815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2472366373805467815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/09/blues.html' title='Blues'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-6901654222999390062</id><published>2008-08-27T17:04:00.002-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.988-02:00</updated><title type='text'>Réquiem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De Lúcia lembro, sobretudo, os silêncios. Eles me acariciavam, envolviam-me. Ninar – meninar, me ninavam. Davam-me uma paz, um sentimento esquisito de amparo. Os silêncios de Lúcia desafiavam o tempo da minha solidão. Neles eu me embrenhava feito um garrote desgarrado, um noviço. Lúcia não sabia, mas seus silêncios eram a minha razão de ser. Como eu gostava de estar ao seu lado naqueles momentos de domingoazulcéu e nós, nós, nós, nós dois em silêncio andando horas pelo centro daquela cidade vazia. Éramos nós dois tal feito um nó górdio a que nada no mundo era capaz de separar. Éramos nós dois tal feito dois infantes na inocência de anjos de um quadro renascentista. Éramos nós dois e só: somente a cidade de testemunha. Suas esquinas provam. Seus prédios confirmam. O asfalto? Nosso leito. Postes? Abajures. Pedestres e carros? Estes não existiam. Percorríamos ruas, olhávamos arquiteturas, sentávamos em praças, espiávamos janelas, víamos bêbados e pederastas e nos encantávamos com a cidade. E nosso encantamento se traduzia para mim no silêncio de Lúcia. Pois eu sabia que naqueles momentos de silêncio, Lúcia estava como nunca mergulhada em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de Lúcia lembro também dos olhos. Acolhedores. Curiosos. Intensos de não mais se esquecer. Impossível olvidar os olhos de Lúcia. Diante deles parecia que nada era indiferente e tudo era distante ao mesmo tempo. Olhos de se devorar. Olhos de se medir. Lembro de quando eu, ainda absorto em uma vã tentativa de tocar a música do mundo, sentava em um canto e dedilhava uma velha canção dos Beatles – que ironicamente falava do que ficou no passado – lembro-me de como Lúcia somente me mirava, como se ela soubesse de uma grande verdade sobre mim (e de fato, ela sabia). Aqueles olhos me desafiavam, me excitavam. Aqueles olhos buscavam o livro do mundo para nele inscrever novas palavras, riscar no céu os versos mais bonitos. &lt;em&gt;Lucy in Sky with Diamonds&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Lúcia guardo a lembrança de tardes infindas de inverno onde, ao som de copos de chá, revolvíamos a prosa do mundo. Nada existe que não se fale nesta mesa de bar. Lúcia dizia rimmel e marxismos; sabia de magias das terras sudanesas e os ascendentes todos; Bach e Magritte. E lá pelas tantas eu desistia de uma interlocução imensamente prazerosa, porém inútil, e me colocava onde jamais saíra: na posição de noviço. Lúcia me ensinou quase tudo que eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era a minha verdade. O norte. Eu, à época, um menino, não desconfiava do tamanho do seu lugar na minha vida, tampouco da imensidão do espaço que ocupara em meu coração. E assim como os dias se sucedem e ao outono segue-se os dias frios, Lúcia e eu nos perdemos, nos deixamos ficar em algum lugar do qual, anos depois, só posso lembrar contritamente: &lt;em&gt;e choro, menino, choro&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sabia, mas minha vida se resumiu a Lúcia. Hoje, aqueles anos só existem na minha memória: não há mais cidade, dias frios, silêncios, palavras. Há apenas um homem velho que se recusa a esquecer, pois sabe que viveu um grande amor. &lt;em&gt;Vidamor&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-6901654222999390062?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/6901654222999390062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=6901654222999390062' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6901654222999390062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/6901654222999390062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/08/rquiem.html' title='Réquiem'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-951390343365791757</id><published>2008-07-09T20:16:00.003-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:14.999-02:00</updated><title type='text'>Aviso aos possíveis navegantes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vez ou outra, o autor se dirige à beira de um rio que tem três margens. Dessa vez, o rio, que sempre lhe pareceu assustador, tornou-se familiar e o autor ainda se encontra ali, à margem, cutucando velhas perguntas. Por isso, a ausência de escrita neste espaço. Porém, eles, o autor e o espaço, continuam vivos, muito vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pedro de Andrade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-951390343365791757?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/951390343365791757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=951390343365791757' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/951390343365791757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/951390343365791757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/07/aviso-aos-possveis-navegantes.html' title='Aviso aos possíveis navegantes'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5464235158703543188</id><published>2008-05-11T21:51:00.003-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.004-02:00</updated><title type='text'>Corolário para Umberto Eco</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;escrito após o post anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se à mesa diante de uma folha em branco, disposto a escrever. Mirou a grande janela que dá para a cozinha e tentou lembrar do último momento no qual teve certeza de estar feliz. Sim, ele lembrou de um instante. Porém, já se iam alguns anos e ele percebeu que em sua memória não somente os fatos se esvaiam, mas também a própria sensação de estar feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez chegue um dia onde ele não se lembre mais do que é estar feliz. Nesse momento, o branco da folha se tornará a noite sem volta do esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me recuso a esquecer.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5464235158703543188?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5464235158703543188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5464235158703543188' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5464235158703543188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5464235158703543188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/corolrio-para-umberto-eco.html' title='Corolário para Umberto Eco'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3291153231010835576</id><published>2008-05-11T21:47:00.003-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.007-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita (Umberto Eco)</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sinto-me feliz agora...e talvez seja essa a razão pela qual escrevo, para encontrar esses momentos muito breves de felicidade que consistem em relembrar momentos da própria infância. Sim, é por isso que escrevo".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3291153231010835576?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3291153231010835576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3291153231010835576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3291153231010835576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3291153231010835576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/condio-da-escrita-umberto-eco.html' title='A condição da escrita (Umberto Eco)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1897782128528676150</id><published>2008-05-08T00:53:00.002-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.010-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita (Fernando Pessoa)</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;...se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir&lt;/span&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1897782128528676150?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1897782128528676150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1897782128528676150' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1897782128528676150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1897782128528676150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/condio-da-escrita-fernando-pessoa.html' title='A condição da escrita (Fernando Pessoa)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2464436365575788571</id><published>2008-05-08T00:37:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.013-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita (João Cabral de Melo Neto)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Saio do meu poema&lt;br /&gt;como quem lava as mãos..."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2464436365575788571?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2464436365575788571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2464436365575788571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2464436365575788571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2464436365575788571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/condio-da-escrita-joo-cabral-de-melo.html' title='A condição da escrita (João Cabral de Melo Neto)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7978997774641540971</id><published>2008-05-08T00:37:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:20.942-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita (João Cabral de Melo Neto)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Saio do meu poema&lt;br /&gt;como quem lava as mãos..."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7978997774641540971?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7978997774641540971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7978997774641540971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7978997774641540971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7978997774641540971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/condicao-da-escrita-joao-cabral-de-melo.html' title='A condição da escrita (João Cabral de Melo Neto)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4443146535048801693</id><published>2008-05-08T00:30:00.002-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.023-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita (Milan Kundera)</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nós escrevemos livros porque nossos filhos se desinteressam de nós. Nós nos dirigimos ao mundo anônimo porque nossa mulher tapa os ouvidos quando falamos com ela&lt;/span&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4443146535048801693?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4443146535048801693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4443146535048801693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4443146535048801693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4443146535048801693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/condio-da-escrita-milan-kundera.html' title='A condição da escrita (Milan Kundera)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2362326103822630281</id><published>2008-05-08T00:15:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.035-02:00</updated><title type='text'>A condição da escrita ( André Gorz)</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É preciso aceitar ser finito: estar aqui e em nenhum outro lugar, fazer isto e não outra coisa, agora e não sempre ou nunca [...]; ter apenas esta vida"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2362326103822630281?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2362326103822630281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2362326103822630281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2362326103822630281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2362326103822630281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/05/o-escrever-segundo-andr-gorz.html' title='A condição da escrita ( André Gorz)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3201726515010349500</id><published>2008-04-27T19:15:00.006-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.048-02:00</updated><title type='text'>Ana e Murilo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia mal havia surgido e ela estava de pé na cozinha. Uma chaleira vermelha esquentava a água para o café. Forte, como gostava. Estava ali havia tempos, acordara de madrugada e não mais conseguira dormir. Pedro permanecera no quarto, esticado entre os lençóis, paralisado em algum sonho. De uns meses para cá, ela andava acordando mais cedo do que de costume. Alguma coisa a interrompia no sono.&lt;br /&gt;Adorava ficar na janela grande da área de serviço enquanto a água fervia. O barulho da calefação combinava com os telhados que observava atentamente, assim como alguns moradores das casas, levantando para mais um dia. Havia um gordo na terceira casa, à esquerda. Todo dia ela o via ir ao quintal, buscar uma toalha. Em alguma casa alguém escutava um programa de rádio AM e suas músicas sertanejas. Ela adorava esta hora do dia. Esticava este prazer de observar sem ser vista o máximo que podia. O máximo: até a chaleira lhe avisar que era hora do café.&lt;br /&gt;Pois enquanto observava o gordo ao som da música sertaneja, em baixo volume, percebeu que estava triste. Alguma coisa a incomodava havia tempos. Uma sensação ruim tomou conta de si: o que havia? Sua mãe lhe dissera, dias antes, que não parecia feliz. Tal observação a incomodara. Não ousara retrucar: exatamente por isto ficara incomodada. Sua mãe a conhecia.&lt;br /&gt;Feliz? Parecia que a janela tinha a resposta. A chaleira lhe chamou. Pensou em fumar um cigarro. “Muito cedo, Ana, muito cedo”, disse a si própria. Àquela hora a cozinha era de uma luz linda, toda vinda da janela grande da área de serviço. O café era forte, como gostava. Tomaria lentamente, só, como estava fazendo nos últimos meses.&lt;br /&gt;Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes se masturbara aquele dia? Perdera a conta. Quantas vezes se masturbara nos últimos dias? Não poderia dizer. O dia começava e terminava assim: era seu único vício. Havia tempos deixara de beber. Vez em quando se permitia um cigarro. Mas eram raros. Seu único vício era a masturbação. Palavra horrorosa que, por vezes, lhe atrapalhava o próprio ato. Evitava pensar no nome. Porém, de tempos para cá, isto era a todo instante. Nem gozava mais. Era simplesmente a sensação de ter um pênis. Objetivo. Possível..&lt;br /&gt;Sim, havia um trabalho. Textos para o jornal. Sim, havia algumas pessoas. Conhecera, recentemente, uma paulista. Saíram algumas vezes. Ela bem que tentou cercá-lo. Mas ele não permitiu que ela se aproximasse. Algo o impediu. Sabia o que era, mas não ousou sequer pensar no assunto. Não via nada disto, textos e paulistas, senão como burocracias a que estava condenado.&lt;br /&gt;Quarta-feira. Duas da tarde. Ele, nu, diante do computador. Texto aberto em sua frente. Mãos sobre o seu corpo e pensamento sobre um corpo distante. Ele sabia que aquilo era demais e que ele não deveria alimentar sequer os pensamentos. Mas, no ódio da sua posição, vencido pela timidez, resolveu vingar-se de si mesmo e deixou-se levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrara numa loja qualquer do centro. Uma loja de roupas. Não queria comprar nada, senão olhar, olhar, olhar.  Pedro lhe exigia uma vaidade que nunca lhe caíra bem. Usava salto para agradá-lo. Não que não gostasse. Mas usaria menos, caso estivesse sozinha. Um pensamento lhe tomava de súbito: “ele me sufoca”. Não queria pensar nisto. Não queria pensar em Pedro. Se o fizesse, o grito lhe seria inevitável. Não. Ela estava feliz. Casara-se com um homem que a amava. E mais: que a amava absurdamente. Ela sabia que era um brinquedo, um objeto, algo de posse, para Pedro. E, no começo, isto lhe dava segurança: saber que ela era dele. Então por que aqueles pensamentos? Aquela estranha sensação de que algo a mais havia. Desde uma certa noite quando foram jantar. Ali começou. Ela, Pedro e Murilo, um velho amigo de seu marido. E bastou Murilo pronunciar a primeira palavra. Bastou mirá-lo, por um segundo, nos olhos. Bastou o primeiro encontro para que uma vertigem tomasse conta de si. Para que o pensamento “sinto-me só diante de Pedro”, “sinto-me ofuscada por ele”, lhe viesse à mente. Murilo e sua voz olhos suspiros gestos lhe davam uma sensação, estimulante e horrível ao mesmo tempo, como se neles estivessem a chave para si. E era disto que ela fugira sempre. De si própria. Murilo significava o poço sem fundo de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interlúdio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em “O Céu que nos Protege”, Paul Bowles monta um triângulo amoroso envolvendo um casal e um amigo, todos americanos: Port e Kit, Turner. Os três viajam pelo Saara em uma jornada cujo centro é a tentativa de Kit e Port de se reencontrarem depois de 10 anos de casamento. Turner, nesse sentido, é um mero brinquedo, muito diferente de Murilo – não há paralelo entre os dois. Ao contrário de Ana, Kit ama seu marido. A terceira pessoa, nesse caso, não passa de um momento de repouso para uma melodia que&lt;/em&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/SBXhaCjXp9I/AAAAAAAAAL8/bhLRj_LbNdY/s1600-h/Corner+table+at+Charlie+Brown%27s+-+Bill+Brandt.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/SBXhaCjXp9I/AAAAAAAAAL8/bhLRj_LbNdY/s200/Corner+table+at+Charlie+Brown%27s+-+Bill+Brandt.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194305582719805394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; exige muito de seus solistas. No entanto, Kit e Ana têm em comum o fato de amarem justamente aqu&lt;/em&gt;&lt;em&gt;ilo que lhes é desconfortável, aquilo que, sabem, as confrontam consigo mesmas. É exatamente este encontro que as assusta. Há, em todos os lugares, pessoas que fogem de si, o tempo todo. De suas perguntas, de seus medos, de suas ambições. Para elas, a relação amorosa é um ponto de fuga, um porto seguro contra os próprios demônios. A maioria das histórias amorosas de Hemingway, por exemplo, é feita desta matéria: amores que são, antes de tudo, redenções, desvios de trajetos destinados à queda. Nestes personagens, nestas pessoas, o encontro consigo mesmo significa a morte. Sempre me fascinou Sommerset Maughan terminar um dos seus livros (“O Fio da Navalha”) dizendo que um dos personagens (“Sofia”) buscava a morte. Pois Kit e Ana a temem e percebem que suas relações amorosas as colocam diante dela. Para Kit, amar Port era penoso porque este lhe dava uma visão do mundo que a desconcertava e lhe punha medo – Port não tinha medo da solidão. Para Ana, Murilo lhe despertava uma volúpia, uma sede, que ela sabia desregrada e que a conduziria a um descompasso, a um ponto de ebulição. Enquanto vejo Ana em sua cozinha, penso em Kit: para ambas, amar era renunciar ao conforto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era antes de dormir que ele percebia a extensão do seu estado. Há muito tempo não se apaixonava. Há muito tempo. Rememorava as poucas mulheres que chegaram perto. Porque não as deixara ir adiante? Não sabia responder. Faltava algo do feminino que lhe era indizível. Não sabia definir. E, então, porque ela? Algo naquela mulher acolhera seus desejos e seus pensamentos.&lt;br /&gt;Tinha ganas de chamá-la. “Para quê?”, pensava. Não havia sentido naquilo. Fora tudo tão rápido. Mas tudo tão intenso. Uma noite. Um jantar. Ele, Pedro, seu amigo de infância, e Ana, a esposa deste. Começou por uma leve sensação de que ela o observara de um modo diferente. Mais ouvira do que falara aquela noite, afogado diante da expansão de Pedro e suas histórias e seus trabalhos e suas vantagens e suas idéias. Tanto ele quanto Ana apenas ouviram Pedro falar de si. Sempre de si. E foi aí que, num segundo, a mirara. E foi ali, quando ela lhe devolveu o olhar, que se perdeu num emaranhado de desejos e perguntas. Ana e seus olhos. Ana e seu corpo. Ana, a mulher do seu amigo. Amigo? Sim, ele e Pedro se conheceram na infância, cresceram juntos numa pequena cidade do interior de São Paulo. Lembrou de como se separaram em um momento: cada seguiu para lugares diferentes, rumos distintos. Ele, jornalista; Pedro, um administrador. Depois de anos, retomaram os contatos. Pedro lhe escrevera num dos primeiros e-mails: “casei. Ela se chama Ana. É linda, você precisa ver. Você vai gostar dela.”. E então, numa visita que eles fizeram à cidade, o chamaram para jantar. E foi naquela noite que ele revira Pedro, depois de anos. E foi naquela noite que ele conhecera Ana. E foi naquela noite que Ana deparou-se com seu casamento infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando um teto passa a ser uma prisão?”. Não dormiu enquanto pensava nisto. Vez ou outra, virava-se e ficava mirando Pedro em seu sono infantil. Um sono sem dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era na área de serviço que hora ou outra, ela, com um cigarro entre os dedos, chorava em silêncio. Odiava pensar que chorara pela primeira vez na noite da sua lua-de-mel, enquanto Pedro dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que a única coisa em que pensa é que ela tem os cabelos vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela adorava os encontros que tinham em uma livraria do centro, quando ele lia em voz alta passagens de Ítalo Calvino ou Carson McCullers. Quando recitava trechos de Drummond. Para ela eram momentos únicos: ele lendo, lhe revelando coisas belas tristes intensas. Isto a seduzia: a curiosidade dele. Vez em quando ele aparecia com um escritor do qual ela jamais ouvira falar e isto provocava nela uma grande admiração e atiçava o seu desejo. A curiosidade era uma virtude para o masculino. Ele se encantava por Ana em sua leveza: tudo parecia mais fácil próximo a ela. E ela falava, falava, falava, contava casos, ria, chorava. Certa vez, numa tarde de maio, fim de tarde, quando o céu já estava num tom escuro de tão azul, os dois entraram em um sebo e ali ficaram folheando revistas e livros velhos. De súbito, ela tomou uma revista Cruzeiro, dos anos 50, e observando as fotos dos homens percebeu que ele tinha uma beleza antiga, como um Gregory Peck, um Marlon Brando. Ficou mirando-o durante um bom tempo, sem que ele desse conta disso. E naquele momento, vendo-o absorto com algum livro, completamente entregue, porém sem falar de si (ele raramente falava dele mesmo), ela percebeu que estava vivendo os momentos mais intensos da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um domingo à tarde, quando Pedro estava viajando, os dois se pegaram andando por uma parte mais velha do centro. “Vê, Ana. Aqui o tempo fez seu efeito. Ele sempre faz. Não temos como fugir. Uma hora, eu, você, nós, Pedro, tudo isto será passado”. Ana ouviu em silêncio. Nunca gostara muito dessas frases de Murilo, solta assim, de repente. Algumas a assustavam, porque tratavam sempre disto: do fim. E ela, Ana, nunca gostara de pensar no fim de nada. Fins a deprimiam. Neste ponto, Murilo lhe era totalmente oposto: pensar no efeito do tempo, para ele, era tornar tudo mais belo, simplesmente porque, sabendo que nada é para sempre, o presente se torna infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interlúdio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em um dos verbetes que mais me seduzem nos “Fragmentos do Discurso Amoroso” (“Espera”), Barthes conta a história de um mandarim chinês que, apaixonado, escuta da sua amada: “serei tua se passares cem noites sentado num banquinho do meu jardim, à minha espera”. Ele sentou-se e esperou 99 noites e, antes de findar a última, simplesmente levantou-se e foi embora. É porque sabemos o fim da prova que essas 99 noites adquirem uma dimensão que chega a nos afogar. Paul Bowles, novamente: é como correr atrás de um ônibus parado em um ponto, do qual sabemos que o próximo só virá dali há horas,   e que sai um segundo antes de chegarmos. Exatamente porque vamos esperar horas, e sabemos disto, o presente, no primeiro segundo após a saída do ônibus, assume uma dimensão infinita. Tamina, personagem de Milan Kundera em dois dos contos de “O Livro do Riso e do Esquecimento” percebe exatamente este ponto: esperando, atrás de um balcão, a passagem do tempo, mas pensando o tempo todo no fim dessa espera, ela percebe a infinitude do presente. Para ela, o tempo nunca passa, lhe dando a sensação de estar parada. E isto, em um determinado momento, a enfastia.&lt;br /&gt;Há, porém, uma diferença entre o mandarim e Tamina. O primeiro, apaixonado, faz da sua espera a prova de um amor que não reconhece o objeto. Pouco lhe importa a sua amada: ele, na verdade, deseja o desejo, ama o amor. Tamina é o oposto: tudo está no objeto (o marido já falecido). Sua espera não tem um fim em si mesma. Ela espera alguém que confunde consigo própria. Ela não ama o amor, não deseja o desejo. Pelo contrário: ela espera livrar-se do amor e e é por isso que o presente e seu infinito a angustiam. Murilo ama o amor, deseja o desejo, vê beleza não no objeto, mas na relação. De tudo ficará apenas a memória: e isto, para ele, basta, e é belo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que você está fazendo?”. “Lendo”. “O quê?”. “Dois contos de Borges”. “...”. “...”. “Borges me entendia”. “...”. “...”. “Eu gosto. Onde está Pedro?”. “No banho”. “Vocês treparam?”. “Sim”. “Fico pensando como você consegue”. “Eu penso em outras coisas, outras pessoas”. “Outras pessoas... pensa em mim?”. “Não”. “...”. “...”. “Outras pessoas... Podemos nos ver amanhã?”. “Sim, acho. Pedro chegará tarde em casa e terei o fim da tarde livre”. “...”. “Eu te ligo”. “Sinto sua falta”. “Eu também. Eu te ligo amanhã”. “Sinto sua falta”. “Tchau”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o sexo com Pedro, ela pensava em uma tarde da adolescência onde vira um homem no metrô com uma ereção enquanto encostava em uma passageira. Ela lembra de não poder desviar os olhos do volume da calça, até que reparou que o homem a mirava, enquanto ficava ali, encostado a uma passageira que mal percebia o que se passava. Ao encarar o homem, ela desejou ter nojo, ódio. Mas não. Pelo contrário, sentiu algo como um arrepio em suas costas que, lhe parecia, vinha dos quadris. Ficou confusa e desconcertada. E durante alguns segundo, mirou o homem mas não o viu, assustada com o que estava sentido. Quando retomou, segundos depois, o olhar, viu apenas o sorrisinho de um homem que tinha percebido mais do que devia. Nesse instante sentiu ódio: por ela, não pela passageira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminaram, sabiam que seria a última vez. Ficaram ali, na cama, mirando o teto daquele quarto impessoal, de um hotel descoberto ao acaso numa das primeiras incursões. Ela ouvia a respiração dele, o ritmo monótono e como que fatigado. Olhou para os pés. Firmes, que sempre a fascinaram. “Pés de um anjo”, como sempre lhe dizia, rememorando as infinitas tardes humoradas e repletas de ritmo que tiveram. Ficou muito tempo olhando os pés, esforçando-se para não olhá-lo nos olhos. Ela sabia que ele a mirava. Esperava seus olhos. Por um segundo, odiou-o por isto, como se ele maculasse com uma birra infantil uma tarde que ela gravaria na memória para sempre. Era a última vez. Ela já havia lhe dito e ele assentiu num silêncio que, de início, a havia assustado e incomodado, mas que depois lhe deu a impressão de tratar de mais um, entre tantos, gestos da sua entrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderiam continuar. Ela resolvera tentar ainda com Pedro, um novo arremedo em direção a algo que ela considerava mais confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele e ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquela hora, a praça estava vazia, com alguns transeuntes, míseros bêbados e algumas crianças. Como sempre, os pombos. Os dois, que até então caminhavam em silêncio, pararam. Era hora da despedida. Miraram-se demoradamente, porém nada foi dito. Ele perscrutou cada milímetro do rosto dela, cada cavidade, os olhos, a boca, sobrancelhas, cada parte que ele tantas vezes mirara pela manhã, ao acordar. Por um instante observou os cílios e pensou no tanto que eles lhe chamavam a atenção, pois davam aos olhos uma beleza ímpar.&lt;br /&gt;Ele quis dizer uma palavra. Ela tapou sua boca levemente:&lt;br /&gt;- Não – disse com a voz embargada.&lt;br /&gt;Ela tomou sua mão e, por alguns segundos, a segurou firmemente. Pela última vez.&lt;br /&gt;De súbito, virou-se e partiu. Sem olhar para trás. Foi a pé para casa e mal reparou na cidade, que tantas vezes os dois percorreram durante as tardes. E quanto mais se aproximava de sua casa, maior era o seu esforço em transformar aquilo em passado. Sim, agora tudo era a invenção de um passado feito de nostalgia e remorso. “&lt;em&gt;Toda história é remorso&lt;/em&gt;”, lembrou dos versos de um poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava cansada de tanto caminhar e tentou, ao máximo, prorrogar a chegada em casa, que ela sabia que seria dolorosa. Sabia que Pedro não estaria, mas mesmo assim seria dolorosa. A casa. Abriu a porta e observou a escuridão da sala, que por um instante ela quis que perdurasse para sempre. Seguiu direto para a cozinha, pois lá era o seu refúgio. Ao entrar no aposento, enterneceu-se por um segundo com o cheiro e a textura tão familiar de tudo: da escuridão iluminada pela janela da área de serviço, do ar, o ambiente. Estava a salvo e agora o trabalho seria transformar tudo em um sonho. Murilo foi apenas um sonho. Murilo foi apenas. Murilo foi. Fechou os olhos e se entregou à luz negra da cozinha. “&lt;em&gt;Toda história é remorso&lt;/em&gt;”. Ao acender a luz, deparou-se com a chaleira e um resto de água que fervera pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3201726515010349500?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3201726515010349500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3201726515010349500' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3201726515010349500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3201726515010349500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/04/ana-e-murilo.html' title='Ana e Murilo'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/SBXhaCjXp9I/AAAAAAAAAL8/bhLRj_LbNdY/s72-c/Corner+table+at+Charlie+Brown%27s+-+Bill+Brandt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1098392106651140819</id><published>2008-04-27T19:13:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.056-02:00</updated><title type='text'>Instantâneos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os dois não se falam, mas vão todos os dias à mesma padaria que iam quando estavam juntos. Ele não sabe, mas ela sempre chega logo depois dele, senta no mesmo lugar em que ele estivera há pouco, e pede para que não recolham a xícara usada que ainda está sobre a mesa. Às vezes, ela imagina as conversas que teriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mazinho é estudante de ciências sociais e acredita na causa dos oprimidos. É vegetariano, milita na PETA, vota na esquerda, odeia os EUA e a TV Globo, assina Caros Amigos e lê Noam Chomsky. Desesperado, resolveu fazer terapia para se livrar do vício de buscar na internet sites de pornografia infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena adora brincar com os homens. Por isso, troca de namorado a cada dois meses. Segundo ela, depois de dois meses de uso qualquer homem fica com um gosto enjoativo. “Algo como uma Fanta Uva quente, sem gás”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as amigas dizem à Laís que agora sua vida está bem melhor. Aos 41 anos, está bem no trabalho, bonita, alto-astral e tem um caso com um designer bom de cama, carinhoso e seis anos mais novo. Porém, nenhuma amiga sabe que, desde que se separou, Laís acorda sempre no meio da noite e não consegue pegar mais no sono. Sente falta do ex-marido. Era um canalha, é verdade, mas a escutava como ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides é engenheiro e odeia seu nome. Nas festas se apresenta como Eduardo. Acha que este nome lhe trará mais sorte com as mulheres. Euclides tem 38 anos e nunca namorou ninguém. Seu maior medo é ficar sozinho para resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávia descobriu aos 30 anos que todas as suas amigas já haviam tido uma experiência homo. Resolveu não ficar pra trás e, numa festa, após seis taças de vinho, ficou com Geovana, 25, uma dentista estrábica. Flávia gostou da experiência, mas achou melhor ainda perceber que Geovana não era tão boa de cama e que demorava mais tempo para gozar do que ela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1098392106651140819?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1098392106651140819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1098392106651140819' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1098392106651140819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1098392106651140819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/04/instantneos.html' title='Instantâneos'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5651259004206218741</id><published>2008-03-09T23:18:00.004-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.060-02:00</updated><title type='text'>Pra quê rimar amor e dor?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor começa tarde&lt;br /&gt;Drummond&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pois o amor tem disto: feito de caminhos que se bifurcam, de jardins suspensos que se tornam cada vez mais misteriosos à medida que nele adentramos. Tem disto o amor: perguntas que jamais que serão respondidas e melodias intermináveis feitos de riso e lágrima. Ou ainda: é feito de encontros fortuitos que, acaso não se olhe com a devida atenção, parecem meros acasos. Mas jamais o são.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Meu bem, não se iluda. Nada é fortuito neste dia de sol.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Porém há uma beleza superior nisto: capaz de conformar danças, modular gestos, o amor nunca aparece por inteiro. Está ali, espreitando. Tem disso o amor: mesmo que ele não se consuma, ele está ali, possível e inexplicável. Indecifrável como uma palavra não pronunciada, mas que se traduz em doces risadas e um pote de sorvete.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pode ser que amor não apareça e nos deixe esperando. Mas, convenhamos, um pote de sorvete... sempre cai bem, não?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5651259004206218741?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5651259004206218741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5651259004206218741' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5651259004206218741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5651259004206218741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/03/pra-qu-rimar-amor-e-dor.html' title='Pra quê rimar amor e dor?'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7753447304862202954</id><published>2008-03-09T22:24:00.005-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.066-02:00</updated><title type='text'>Crônica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um instante resolveu tirar seu coração do congelador.&lt;br /&gt;Tirou.&lt;br /&gt;Pôs sobre a mesa e ficou olhando, para lembrar como se usa.&lt;br /&gt;O coração deu umas batidinhas e parou de novo.&lt;br /&gt;Perdeu o hábito, pobre músculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por segurança, o congelou mais uma vez. Uma hora ele verá o que fará com aquilo.&lt;br /&gt;Talvez sirva para alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7753447304862202954?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7753447304862202954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7753447304862202954' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7753447304862202954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7753447304862202954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/03/crnica.html' title='Crônica'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3829998896527907162</id><published>2008-02-29T19:40:00.003-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.069-02:00</updated><title type='text'>Mensagem numa garrafa</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;este é outro texto que já foi postado aqui em outras épocas e foi retirado por uns tempos, para uma aventura externa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;Quando abrires o livro daquele poeta mineiro cujas palavras lemos como navegantes liam antigos portulanos, como se elas fossem rotas possíveis em um mar de desenganos e perdas, e leres “&lt;i&gt;palavras duras ditas em voz mansa te golpearam/ nunca, nunca cicatrizam/ mas e o humour&lt;/i&gt;?”, talvez chores no silêncio do teu quarto, contemplando a vista deste bairro de vida lenta tal qual cidade no interior, e talvez se entregue a uma solidão de tipo diferente das que viveras até hoje, uma solidão feita não da ausência de matéria ou carne, mas sim de humana compreensão diante do que consideras natural em ti. Ou talvez apenas se enrede num fio interminável de considerações e ponderações do que fizeras até então, remoendo cada lágrima dita, cada palavra vertida, cada silêncio pronunciado, cada esporro contido, lembrando com vertigem dos dias de um outono distante da tua vida onde o gozo se tornara fácil e o medo se dissipara em ondas de esquecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;Porém voltando os olhos pela superfície opaca do papel, na qual transparecem estados d’alma de alguém que nunca vimos, lerá também “&lt;i&gt;vamos não chore, a mocidade está perdida, a infância está perdida, mas a vida não se perdeu&lt;/i&gt;”. Ao leres esta litania de um mineiro triste, orgulhoso, de ferro, talvez sintas um misto de desespero e angústia, tamanhos que não caberiam nas linhas de uma carta, no texto de um e-mail ou numa mera conversa com os poucos sobreviventes que te cercam e aos quais não precisa oferecer uma face pública feita de afetos e risos forçados. Uma angústia muda, tal qual lâmina que trespassa qualquer esperança que tenhas no que virá, qualquer remorso que sintas pelo que fora, qualquer apego que tenhas pelo que aí está. Ou talvez cresça em ti uma raiva inaudita pela tentativa deste bardo em te convencer que nem tudo está perdido e que podes ainda contar com um simples, um mísero poema impresso numa folha de papel. A este sentimento de raiva, lembre-se: e o humor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;E se ao poema voltas: “&lt;i&gt;O primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou&lt;/i&gt;”. Sim, disto não podes fugir e desabas no solo frágil da tua existência e admites que, de todos os amores findos, restou apenas a memória de breves momentos condensados na lembrança de um beijo, de uma música, de um cheiro, de um tapa, de uma traição ou de um simples momento de intimidade de uma manhã de domingo. Amores pretéritos: àquilo que concedeste o benefício da eternidade sobreveio uma imprecisa sensação do tempo, medo de que sejas tu o erro, o engano, ou o temor de que paire sobre ti o vaticínio da solidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;Neste instante talvez lhe venha a idéia da longa viagem, a sensação de que tudo se revelará um sonho quando caminhares pelo Leblon, ou pela Paulista, ou pela Avenida de Mayo ou por uma outra paisagem que não a tua. Ledo engano: descobres que alguém se adiantou aos teus pensamentos. “&lt;i&gt;Não tentaste qualquer viagem. Não possuis casa, navio, terra&lt;/i&gt;”. A viagem seria apenas um desvio momentâneo, um breve interromper da dor, suspensa sabe-se lá por quanto tempo. Então, se não vale a viagem, tudo está perdido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;Não, te responde a inscrição do poeta. “&lt;i&gt;Tens um cão!&lt;/i&gt;”. Risível comentário diante dos teus pensamentos, que talvez soe como um gracejo de mau gosto. Porém, talvez só um cão, um gato, um peixe, possa lhe dar o silêncio que procuras e a presença que exiges. O que procuras? Tu também não sabes e nem um cão te perguntaria. A ele basta apenas o carinho das suas mãos. E se por um acaso a idéia do cão continuar lhe ofendendo, lembre-se novamente da pergunta anterior: e o humor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;É possível também que a esta altura do poema você tenha se esquecido de que estas palavras são de um Escorpião, incapaz de oferecer um ombro, mas pronto a compartilhar contigo da dor que talvez sintas. Um Escorpião que jamais lhe ofereceria seu corpo (“&lt;i&gt;tão infenso à efusão lírica&lt;/i&gt;”), mas que choraria a morte de um simples leiteiro ou se comoveria pelo sumiço de uma moça sem graça chamada Luísa Porto. Não convém, portanto, recusar estas palavras, dádivas, mesmo que elas provenham de alguém que se define como sendo alheio ao que “&lt;i&gt;na vida, é porosidade e comunicação&lt;/i&gt;”. Talvez as palavras sejam as únicas dádivas possíveis. Talvez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;E se você ainda duvida da compaixão que um cidadão de uma cidade perdida no interior de Minas é capaz de sentir, permita-se seguir adiante no consolo que ele te dirige. Verás que no fim de tudo, após os protestos tímidos, após o amigo que partiu, após os amores que passaram, após descobrir que nada tens e que talvez o melhor seja realmente “&lt;i&gt;precipitar-te, de vez, nas águas&lt;/i&gt;” – hipótese que, com certeza, passou pela tua cabeça um dia – verás que, após tudo isto, o melhor a fazer é simplesmente dormir: “&lt;i&gt;Estás nu, na areia, no vento. Dorme&lt;/i&gt;”. Sim, dormir embalado pelas palavras que, senão lhe tocam o corpo, talvez sejam a única via para o teu coração.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;;font-family:&amp;quot;;"&gt;Vamos, não chores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3829998896527907162?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3829998896527907162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3829998896527907162' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3829998896527907162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3829998896527907162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/02/mensagem-numa-garrafa.html' title='Mensagem numa garrafa'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4898035855265156163</id><published>2008-02-24T14:50:00.009-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.075-02:00</updated><title type='text'>Até que a morte os separe</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R8Gv0zgYgqI/AAAAAAAAALQ/VQu822bawqc/s1600-h/At%C3%A9+que+a+morte+os+separe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R8Gv0zgYgqI/AAAAAAAAALQ/VQu822bawqc/s200/At%C3%A9+que+a+morte+os+separe.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170607168912130722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assim, já não são dois, mas uma só carne&lt;br /&gt;Portanto, não separe o homem o que Deus uniu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mateus 19,6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Valquíria e Irineu, Natália e Roberto, Sandra e Jorge e Luciana e João se encontram uma vez por mês na casa de um deles para uma “festinha”. Sugestão de Sandra e Natália, que achavam que seria interessante manterem certas “manias” da época de faculdade, quando estudaram juntas na capital. Luciana e Valquíria gostaram da idéia. Já Irineu, Roberto, Jorge e João não se pronunciam sobre o assunto. Aliás, fizeram um pacto para que o pessoal da pelada nunca ficasse sabendo destas modernidades. “Não vão entender”, disse Irineu.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Religiosamente, às quintas e sábados, “seu” Marinho faz uma visita à Lucinha, 20 anos, olhos verdes e balconista da farmácia onde ele compra seus remédios. Todo mundo sabe destas visitas, inclusive sua esposa, dona Josefa, que faz que não vê. Aliás, desde que ganhou um jogo de sofás novos e um armário de cozinha – de pinho – dona Josefa não vê mais nada.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Melquíades sempre faz sexo pelas manhãs, ao acordar. Dona Beatriz já se acostumou com aquilo. Não que ela goste muito. Por ela, eles fariam menos. Aliás, para ela, é bom que resolvam o assunto logo de manhã. Assim ele a deixa em paz.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É tiro e queda. Dona Lair já sabe. Se o Flamengo perde, “seu” Ademir simplesmente não funciona para mais nada por uns dias. Agora, se o Flamengo está ganhando o jogo, lá por volta dos trinta minutos do segundo tempo ela se levanta e vai tomar um banho prolongado, porque a noite promete. O que ela esconde a sete chaves é uma foto da sua juventude, onde aparece abraçada com o Toninho Carlos, famoso lateral do Fluminense e que até jogou na seleção. “Tem certas coisas que é melhor o outro não saber”, pensa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Oto e Márcia estão casados há doze anos. Têm dois filhos e são muito felizes. Felicidade que se completa quando, vez ou outra, Márcia se pega pensando em Daniele, a quem amou profundamente em um passado distante. Sem Daniele em sua vida, Márcia jamais amaria Oto. &lt;/p&gt;      &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Seu” José sentou-se à mesa da cozinha e calmamente acendeu um cigarro. O corpo da sua esposa estava no chão, ao lado. Ela já estava morta, desde a primeira facada. Foram oito. Ele ficou ali, pitando, pensando em como iria esconder o corpo e o que iria dizer a todos sobre o “sumiço” de sua esposa. Seus pensamentos duraram o tempo de um cigarro, que ele fumou lenta e calmamente. Aliás, sua esposa não cansava de dizer a toda a vizinhança como seu marido era sossegado.&lt;span style="font-family:Shruti;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4898035855265156163?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4898035855265156163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4898035855265156163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4898035855265156163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4898035855265156163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/02/assim-j-no-so-dois-mas-uma-s-carne.html' title='Até que a morte os separe'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R8Gv0zgYgqI/AAAAAAAAALQ/VQu822bawqc/s72-c/At%C3%A9+que+a+morte+os+separe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7706514298455145874</id><published>2008-02-15T13:57:00.009-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.094-02:00</updated><title type='text'>Aforismas de Botequim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema de Lacan, Cortázar e Roland Barthes é que eles não conheceram Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Freud, por sua vez, aprenderia algo se conhecesse Machado de Assis e Capitu. E Jung nos teria poupado de sua carolice caso tivesse ido a algum inferninho da Augusta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Camus? O que dizer de Camus? Como ousou escrever a palavra "existência" sem nunca ter comido um pastel na 25 de Março ou um sanduba de mortadela do Municipal? Convenhamos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;P.S: e querem que eu leve este povo à sério... Estivessem vivos e eu dava uns conselhos para eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7706514298455145874?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7706514298455145874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7706514298455145874' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7706514298455145874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7706514298455145874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/02/pensamento-profundo-ou-aforisma-de.html' title='Aforismas de Botequim'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5184144412000250870</id><published>2008-02-15T09:36:00.003-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.099-02:00</updated><title type='text'>Confissões</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, João Pedro de Andrade, moço tímido (cada vez mais) e que por vezes sou tomado de acessos de sensibilidade e memória, confesso, meio a contragosto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Sou dado a inércias profundas nas quais meu pensamento flutua sem rumo algum. Nesses momentos, eu penso e penso e penso. Curiosamente (e por razões ainda desconhecidas) isto ocorre com mais freqüência diante do ser feminino, com graves prejuízos para a minha participação neste comício chamado amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Tenho uma certa maldade guardada a sete chaves e que se manifesta diante, apenas, de uns poucos escolhidos. Se você, um dia, for um destes, seja discreto, por favor. E, para o seu próprio bem, fique perto de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Escrevo para ganhar elogios. Sempre tento disfarçar, mas, no fundo, no fundo, no fundo, eu quero cafunés. Somente isto. Mas quem disse que cafuné não é razão para a palavra escrita? O problema é que eu mesmo jamais me dou cafunés. Eu sei que eu não mereço (ainda mais com o que escrevo). Ora, se eu mesmo não me dou elogios, esta é a tarefa do mundo. Mundo, por favor, seja caridoso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Às vezes caio em um silêncio profundo que disfarço com muitas palavras. Estes são os momentos onde encontro minha nostalgia.  Você quer saber por que disfarço? Ora, não quero dividir minha nostalgia com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Talvez a confissão mais terrível: eu tenho o péssimo hábito de comparecer aos meus desencontros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5184144412000250870?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5184144412000250870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5184144412000250870' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5184144412000250870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5184144412000250870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2008/02/confisses.html' title='Confissões'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8719139128207313777</id><published>2007-12-17T13:02:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.101-02:00</updated><title type='text'>A Procura e o Encontro</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Foi. Nunca será de novo. Lembre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paul Auster&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Há uns vinte anos, pela primeira vez, caiu em minhas mãos “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino. Livro publicado em 1956, é considerado o “romance de uma geração”. Conta a história, que a mim sempre pareceu tristíssima, de um escritor e sua descoberta de si mesmo diante do mundo, desde a infância até uma idade onde simplesmente vivemos sem muitas esperanças. Drummond, certa vez, escreveu que desejava “a vida apenas, sem mistificação”. Acho lindo e tocante este verso e sempre me impressionei com ele. Neste blog há várias passagens escritas com este verso em mente. Hoje percebo que “O Encontro Marcado” é exatamente isto: a história de alguém que, aos poucos, percebe a vida apenas, sem mistificação (pois talvez não exista nada mais místico que a própria vida...).&lt;br /&gt;Quando li pela primeira vez, aos doze anos, não percebi muitas e muitas coisas ditas subliminarmente. Mas lembro de sentir medo de que minha vida fosse parecida com a de Eduardo Marciano, o personagem central do romance. Lembro de, na época, ter identificado meus pais no livro: o ambiente familiar descrito por Sabino me soou muito próximo do que era minha famíl&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R2aRMOfsl7I/AAAAAAAAAKQ/W0n5z5tP4Qs/s1600-h/encontro.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144959263552870322" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R2aRMOfsl7I/AAAAAAAAAKQ/W0n5z5tP4Qs/s200/encontro.bmp" border="0" height="194" width="118" /&gt;&lt;/a&gt;ia em 1986 (eu, meu pai, minha mãe e minha irmã, então com 3 anos). Um ambiente de carinhos e incompreensões, de encontros e perdas, enfim, uma família. Isto me deu um sentimento ambíguo: por um lado percebi uma certa comunhão com o personagem, por outro senti medo de que a história da minha vida se desenrolasse como a do livro. Por um lado, me senti acompanhado; por outro, só.&lt;br /&gt;Depois disto, li o livro mais três vezes, além de folhear e namorar pedaços ad infinitum. Até hoje, não posso vê-lo em uma livraria (curiosamente, nunca o comprei), sem folheá-lo e reler alguma passagem. Na maioria das vezes, me emociono. Um pouco pelo medo que ele ainda me provoca – outras importantes pessoas que povoaram minha vida estão, para mim, no livro. Um pouco por esta experiência literária única: achar que um livro foi escrito pra você. Esta sensação é indescritível. Sem dúvida nenhuma, foi o livro de Sabino que me fez gostar de literatura.&lt;br /&gt;Vieram outros livros, autores e textos que se tornaram meus (“O Fio da Navalha” de Sommerset Maughan, Drummond, Hemingway, Raduan Nassar, “O Primeiro Homem” de Camus, “Os Amores Difíceis” de Ítalo Calvino, “A Insustentável Leveza do Ser” de Kundera, “Memorial do Convento” de Saramago e, recentemente, “A Invenção da Solidão” de Paul Auster), descobri outros personagens com os quais me identifiquei em diferentes momentos, amei certas mulheres dos livros (Maria Madalena, Blimunda, Sofia, Hannah, Antonieta), odiei outros personagens; porém, nenhum destes livros (com exceção, talvez, de Paul Auster) me disse tantas coisas que levo há tanto tempo.&lt;br /&gt;O medo de viver algo semelhante ainda me toca. Mas isto, hoje, me parece de menos. De alguma forma, todos vivemos a descoberta de Eduardo Marciano: a de que estamos sós, sempre, e de que a vida se esvai no tempo. Porém, esta descoberta não é o fim, pelo contrário: é dela, e somente nela, que se pode ter a real medida do valor do outro, seja ele um marido, uma amante, um amigo, uma filha, um pai. Com Eduardo Marciano, aprendi que a descoberta do outro passa pela invenção da própria solidão. Se consigo aplicar esta lição a minha vida, aí é outra história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo estas linhas, muitas e muitas pessoas me vêm à mente. Gostaria aqui de lembrar de três: o Romeu, o João e o Andrew, meus colegas de Colégio Militar, turma de 1988. Éramos, os quatro, curiosos entre livros e nos reuníamos todos os dias, no “recreio”, na biblioteca do Colégio, cuja bibliotecária, Maria Helena, nos incentivava a leitura. Ficávamos, durante os vinte minutos do intervalo, ali, nos corredores da biblioteca, conversando sobre tudo. Lembro de como me impressionava a cultura literária de João, um ano mais velho do que eu, mas que, aos meus olhos, parecia ter lido tudo. Foi de João que ouvi, pela primeira vez, a história de um livro onde o personagem se transformava numa barata. O autor se chamava Kafka e era “importante”. Alguns dias depois, sem meus colegas por perto, emprestei uma edição que trazia dois contos de Kafka, “O Artista da Fome/A Construção”. Dormi durante a leitura, achei chato e, envergonhado, devolvi sem terminar de ler o primeiro conto sequer. Foi de João que ouvi pela primeira vez a história de Rodrigo Cambará. No Colégio Militar, havia uma edição em sete volumes do “Tempo e o Vento”, do Érico Veríssimo. João, para o meu espanto, já havia lido o épico inteiro. E nos contava histórias e mais histórias dos Cambará. Destas, me lembro perfeitamente do personagem Licurgo, que João sempre citava. Nesta época, em 1986 ou 87, a Rede Globo apresentou uma adaptação do livro de Veríssimo. Rodrigo Cambará, obviamente, era Tarcísio Meira, o galã da época. Ana Terra era Glória Pires e Licurgo era vivido por Armando Bogus. Até hoje, se vejo alguma foto ou imagem deste ator, lembro de meu amigo João. Foi por ele que ouvi pela primeira vez referências a diversos autores: Thomas Mann, Kafka, Borges, Proust, Guimarães Rosa. Curiosamente, não me lembro de ter ouvido algo sobre poesia. Enfim, João foi uma espécie de guia literário para mim e minhas primeiras descobertas se devem a ele. Eu tentava ser como ele, embora, para meu desespero, não conseguisse ler como meu amigo. Para mim, ele realmente lia e eu tentava seguir seus passos.&lt;br /&gt;Lembro de uma vez, sozinho na biblioteca, pegar a “República” de Platão. João havia falado do livro e tinha me deixado curioso. Quando fui emprestar, Maria Helena me olhou e disse:&lt;br /&gt;- “Allan, tem certeza que vai este? É meio pesado pra você. Não é fácil de ler não”.&lt;br /&gt;Eu, todo metido, não me fiz de rogado:&lt;br /&gt;- “Não. Eu posso ler sim”.&lt;br /&gt;Levei o livro e saí da biblioteca morrendo de vergonha pela reprimenda, mas também desafiado a ler o livro todo. Uma vez mais, falhei no meu intento, e li apenas umas vinte páginas. A idéia de ler um daqueles livros importantes por inteiro (líamos obras infanto-juvenis para a aula de português) era, de certa forma, o que me desafiava. Mais do que entender, aproveitar as palavras, era chegar até o fim o que me motivava. Hoje percebo que deixei de ler muita coisa bacana devido a este intuito. Mas também não é justo me julgar vinte anos depois. As linhas podem ter sido tortas, mas minha curiosidade com os livros veio assim. E isto devo muito a João, que sem saber, me despertou esta curiosidade com os livros. E uma curiosidade que segue o meu próprio ritmo..&lt;br /&gt;De Romeu e de Andrew tenho outras lembranças. Romeu me mostrou Júlio Verne e livros de ciências. Ele gostava muito deste tipo de texto e lembro de ter lido “Viagem ao Centro da Terra” (inteiro!) em uma edição emprestada por ele. Lembro de associar muito Romeu à idéia de ciência (hoje, músico e jornalista, talvez ele odiasse ler isto...). O pai de Romeu era engenheiro e o incentivava com coisas científicas. Lembro que Romeu tinha um microscópio em casa. Um microscópio! Ir à casa de Romeu, lembro, era como ir a uma feira de ciências. Pai engenheiro e um microscópio: isto me impressionava demais! Eu morria de inveja.&lt;br /&gt;Não me lembro de Andrew ter me mostrado algum livro. Mas lembro que estudávamos juntos na casa dele, próximo a onde hoje é a Faculdade de Artes do Paraná. A casa era silenciosa e ele era concentrado nos estudos. O pai de Andrew era professor de inglês (ele era britânico) na universidade e eles falavam em inglês entre si. Eu achava aquilo o máximo do intelectual. Além disso, Andrew era o melhor aluno da nossa turma. Me lembro muito de tardes e tardes em que estudamos juntos para provas de matemática (do temido professor Altemir). Havia na casa de Andrew um mural com gravuras dos reis ingleses. Coisas de intelectuais, eu achava... E assim como na casa de Romeu, eu sentia inveja, pois tudo isto era muito distante da minha casa, onde minha mãe via novela das oito e meu pai ia à mercearia da esquina – a mercearia do “seu” Nelson – tomar cerveja e uma cachacinha. Minha casa era um alarido só e não havia aquele silêncio da casa de Andrew. Aos meus olhos de onze ou doze anos, a casa dos outros era sempre melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi João quem, num dia qualquer (de 85 ou 86, não lembro), sacou de uma das estantes da biblioteca um livro e abriu numa página qualquer. Leu uma passagem onde um grupo de alunos se pergunta sobre a vida sexual da professora. Um deles perguntava (sobre o namorado da professora): “será que ele enfia nela?”. Lembro de ter ficado muito impressionado com tal passagem. Lembro do meu tesão. “Será que ele enfia nela?”. Fiquei tão surpreso de ver uma frase assim num livro “sério”. Lembro de ter pensado tanta coisa: na professora de Geografia (minha utopia e fantasia sexual...), na Josiane (minha amiga de bairro e que foi, talvez, minha primeira “paixão” e, obviamente, minha primeira dor-de-cotovelo...). Mas, sobretudo, lembro do meu tesão. Vi que o livro se chamava “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino. Dias depois, emprestei o livro na biblioteca. Obviamente, escondido, para ninguém saber que eu ainda não havia lido.&lt;br /&gt;Reconheci meus pais. Reconheci o ambiente sufocante da família e da escola. Reconheci minha mãe e seus medos, que à época eu achava tão bobos, em Dona Estefênia, mãe do personagem. Reconheci meu pai no pai de Eduardo – fazendo a barba, terminando e dizendo “uma de menos”. Sofri quando Eduardo rompe com sua namoradinha de infância, isto bem no começo do livro. Ela se chamava Letícia e eu me apaixonei por ela (e obviamente, na minha leitura, ela era a Josiane). Porém, fui cativado por algo no personagem que reconhecia em mim: a sensação de que havia sempre algo a mais em relação a tudo e que este algo sempre me escaparia. Era como se a vida fosse uma procura de algo que não sabemos. Reconheci-me tanto nele que vi sua história como uma projeção da minha. Quando li sobre seu casamento, quis que o meu fosse daquela forma. Seu namoro com a futura esposa (Antonieta) era o que eu queria pra mim (e hoje me pergunto se não o tive). Da mesma forma, tive muito medo de perdê-la como ele a perde. Enfim, era o meu livro e Eduardo Marciano era uma espécie de síntese, de projeção, das minhas ambições e dos meus medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se vão vinte anos que “O Encontro Marcado” entrou na minha vida. Não tenho mais contato com meus amigos. João e Romeu são jornalistas em Curitiba. Não encontro João há uns cinco anos, pelo menos. Romeu, vez ou outra, o encontro. Mas não convivemos mais. O tempo passou e já não temos mais assuntos, a não ser um passado cada vez mais distante. De Andrew nunca mais tive notícias. A última vez que nos vimos foi por volta de 1991 e ele morava na Inglaterra. Salvo engano, estudava engenharia química.&lt;br /&gt;Olhando mais atentamente, nós três também tínhamos um encontro marcado. Aliás, o livro tem este nome por várias razões, sendo a mais imediata o encontro que Eduardo, Hugo e Mauro (que a mim, me lembram de amigos mais recentes), colegas do Liceu, marcam para depois de quinze anos da sua formatura. Assim, como no livro, porém, percebemos que, em um determinado momento, a vida não se conta senão em anos e o encontro mais importante que temos não é entre nós, mas com nós mesmos. Acho que era esta a procura que eu reconhecia no personagem: a procura de si. Hoje, quando lembro de pessoas que passaram pela minha vida e, sobretudo aquelas que foram marcantes, não posso deixar de pensar que todas me deram algumas pistas desse encontro comigo mesmo. É delas, de amizades findas, de amores vividos, de distanciamentos silenciosos, de perdas e ganhos, que o salto entre a procura e o encontro, tão tênue e, que se desfaz a cada momento, é vivido. Com elas, aprendi o sentido de uma frase do livro, que sempre me instigou e que foi usada como capa numa das suas edições (e que peguei como subtítulo do blog...): “fazer do medo uma escada, da queda um passo de dança, da procura um encontro”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8719139128207313777?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8719139128207313777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8719139128207313777' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8719139128207313777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8719139128207313777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/12/procura-e-o-encontro.html' title='A Procura e o Encontro'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/R2aRMOfsl7I/AAAAAAAAAKQ/W0n5z5tP4Qs/s72-c/encontro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5135091123162990013</id><published>2007-10-23T10:16:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.109-02:00</updated><title type='text'>Fragmentos Mínimos de um Sábado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Assim como o post anterior, este texto já foi postado em outro momento e foi retirado para uma "aventura externa". Agora retorna. Ele foi escrito com um poema de Vinícius na cabeça.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje chove. Apenas. O dia está cinza e um violoncelo toca uma melodia de Bach. Levanto-me e vou à janela. Um casal passa correndo entre árvores, marquises e poças. Eles param. Ela leva sua mão ao rosto dele. Trocam algumas palavras. Brigam. Ofendem-se embaixo da chuva e ao som de Bach. Meus olhos seguem cada gesto do casal, cada palavra, cada sinal. De repente, um deles se vai e o outro fica. Imóvel, suspenso, vendo apenas alguém que ama se afastar, se afastar, se afastar. Perdem-se de vista. A moça senta no meio-fio e chora copiosamente.&lt;br /&gt;Volto os meus olhos para o quarto e silencio Bach. Certas lágrimas não admitem outros sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o velório se arrasta e poucos conhecidos chegam para prestar sua homenagem. A viúva mira o caixão e sente um desejo enorme de que tudo termine rápido. Não suporta aquelas pessoas, os filhos, aquelas roupas, aquela compaixão. Lembra, por um segundo, de um outro velório, há anos, em que fora com o marido e resolveram escapulir para uma praia próxima, onde se empanturraram de sol, camarão e caipirinhas. Beberam em honra do defunto. “Um imbecil”, segundo os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Helenice tomou o último tapa, a única coisa em que pensava era estar longe dali. E, de alguma forma, estava mesmo. Jorge não sabia, mas se prestasse atenção nos olhos da esposa, saberia a falta que ela sentia do pai, que também a espancara várias vezes na vida. Porém, o pai jamais se desculpara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No boteco do Japa é possível encontrar os bêbados do Juvevê, o pastel mais engordurado, o marido enfastiado, o torcedor sem esperança, o estudante vagabundo, a garota que tem dois namorados, o alcoólatra de balcão, o casal mais íntimo. É também o único lugar de Curitiba onde o guardanapo tem a inscrição “inseminação artificial”. No boteco do Arlindo, é possível encontrar o estudante de sociologia, o fã do Art Brut, o jornalista pé-rapado, a garota multi-piercing, o hippie inveterado. É também o único lugar de Curitiba onde há quadros de Garrincha por todo lado. Mesmo assim muitos fregueses carregam um livrinho de Marx e acham o futebol um dos “ópios do povo”. No bar do Dante, a barriga é obrigatória, e no Santa Rita de Cássia mulher só entra se estiver impressa em pôster de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desdete não se conforma que a patroa lhe dê trabalho aos sábados. Assim, tem que acordar cedo, sair daquele fim de mundo, pegar dois ônibus até chegar à casa onde trabalha. Por isso mesmo, não se cansa de dar uns cascudos na filha da patroa logo que esta vai às compras. Adora descontar sua raiva naquela criança entojada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os dois terminaram, exaustos, ficaram em silêncio. O quarto era apenas a luz fraca do fim de tarde e os barulhos dos outros casais em quartos vizinhos. Não sabiam há quanto tempo estavam ali e tampouco se lembravam de que eram tio e sobrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, em Curitiba, há dois estupros em andamento, há alguns casais que se amam, há vários bares cheios, há uma garoa que insiste, há um frio que resiste, há alguém escutando Troilo, há um leitor e um Vinícius, há uma gestante que espera, há várias coisas que são belas e outras tantas que nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto à janela. São seis horas da tarde e a noite se aproxima. Bach volta a ecoar pelo quarto. Penso no que desejava escrever e naquilo que escrevi. Penso no que desejava para o meu sábado e naquilo que ele foi. Sábado, o dia do descanso ou o dia da criação? Não importa: sábado é o dia em que Deus resolveu ser generoso consigo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5135091123162990013?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5135091123162990013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5135091123162990013' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5135091123162990013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5135091123162990013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/10/fragmentos-mnimos-de-um-sbado.html' title='Fragmentos Mínimos de um Sábado'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8565567808694132215</id><published>2007-10-21T16:14:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.173-02:00</updated><title type='text'>A Aventura de um Leitor V - fim</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RxuZnP239PI/AAAAAAAAAJY/Ealj0qpySGQ/s1600-h/Para+o+blog.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123857900614710514" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RxuZnP239PI/AAAAAAAAAJY/Ealj0qpySGQ/s200/Para+o+blog.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quando o livro terminou, quando ele chegou ao fim daquela história, percebera que aquele livro, que entrara de forma repentina em sua vida, agora fazia parte de si. De tal forma que tinha impressão de que aquela história já lhe era familiar há anos, séculos, milênios. O livro agora entrara num outro universo: o da mitologia da sua vida - aquele reino formado por objetos, coisas, eventos e pessoas sem as quais não nos reconhecemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquele livro, apesar das ondas de tristeza que lhe causara, cumprira, talvez, sua função: lhe dera a sensação única de que não estava sozinho. Poucas coisas no mundo lhe eram tão prazerosas quanto esta sensação: o conforto de saber que um escritor, alguém a quem nunca viu, imaginou muitos dos seus pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8565567808694132215?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8565567808694132215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8565567808694132215' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8565567808694132215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8565567808694132215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/10/aventura-de-um-leitor-v-fim.html' title='A Aventura de um Leitor V - fim'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RxuZnP239PI/AAAAAAAAAJY/Ealj0qpySGQ/s72-c/Para+o+blog.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8224065510938807627</id><published>2007-10-02T11:52:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.187-02:00</updated><title type='text'>A Aventura de um Leitor IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lera, no jornal, que uma adaptação cinematográfica do livro seria lançada muito em breve. E toda a sua leitura, agora, passara a ter imagens correlatas. Onde se lia Rímini, imaginava o galã que o faria. Logo lhe veio uma idéia, que lhe causava temor: de que o filme seria uma espécie de veredito final na sua relação com aquela história. Ou o libertaria ou entraria de vez na mitologia da sua vida (mais do que já entrara).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E esta idéia lhe causou ansiedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8224065510938807627?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8224065510938807627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8224065510938807627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8224065510938807627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8224065510938807627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/10/aventura-de-um-leitor-iv.html' title='A Aventura de um Leitor IV'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2060307951131473928</id><published>2007-10-02T11:30:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.193-02:00</updated><title type='text'>A Aventura de um Leitor III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"... a idéia de que o amor, o amor verdadeiro, esse amor que estava além de qualquer estilo, não tinha nada a ver com a efusão, nem com a sensibilidade ou o caráter envolvente dos sentimentos, e tudo, ao contrário, com a precisão, a economia e uma faculdade antiga, injustamente desprestigiada, chamada &lt;strong&gt;pontaria&lt;/strong&gt;. O amor não abraça, pensava Rímini: fere. Não inunda, crava-se..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não saber mais de quem era a história, se dele ou dos personagens. Estes eram os momentos de maior vertigem, quando se via no livro, ora como Rímini, ora como Sofia; ou quando percebia que ambos estavam do seu lado o tempo todo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num sábado, carregou o livro consigo, lendo-o nos intervalos de um trabalho exaustivo que arranjara. Logo depois de ler uma passagem marcadamente dolorosa, na qual Rímini se esquivava pelas ruas de Buenos Aires, fugindo das lembranças de Sofia, passou defronte a um lugar que acionou suas próprias lembranças. E foi uma dor tão aguda, tão intensa, que fechou os olhos, na esperança de que isto o aliviasse mais rapidamente. E durante alguns segundos, a vertigem de não saber mais se estava no Batel, em Las Heras, seu nome, se era ele mesmo, Rímini, se era ela ou Sofia, onde estava; esta vertigem que o assolava e o levava a reconhecer que estava perdido, que nada, absolutamente nada, o salvaria do mesmo périplo de Rímini, da mesma crueldade de Sofia; durante alguns segundos, esta vertigem o inundou e o fez desejar, infantilmente, a possibilidade do retorno a um tempo onde nada daquilo faria sentido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2060307951131473928?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2060307951131473928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2060307951131473928' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2060307951131473928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2060307951131473928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/10/aventura-de-um-leitor-iii.html' title='A Aventura de um Leitor III'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2569361904158517827</id><published>2007-09-30T00:50:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.198-02:00</updated><title type='text'>Aventura de um Leitor II</title><content type='html'>Era quando chegava em casa exausto que ele percebia a extensão do seu vício: aquele livro tornara-se sua droga, sua masturbação. Mal colocava o pé dentro de casa e os personagens e as situações e as palavras lhe invadiam novamente, alcançando-o de onde as havia deixado anteriormente. Um livro, apenas um livro - mas era como se alguém pudesse ver e descrever, ao longe, muitas das coisas que vivia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2569361904158517827?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2569361904158517827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2569361904158517827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2569361904158517827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2569361904158517827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/09/aventura-de-um-leitor-ii.html' title='Aventura de um Leitor II'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-284364796588718041</id><published>2007-09-29T08:12:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.204-02:00</updated><title type='text'>A Aventura de um Leitor I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Começou por acaso. Uma tarde, uma livraria, a companhia de alguém querido. Eis, então, que esbarrou no livro. Uma edição diferente, que lhe chamou a atenção. O nome da obra favoreceu a primeira impressão. Tomou-o às mãos - textura da capa, das páginas, peso, cheiro (embora evitasse cheirá-los, por timidez, na livraria...) - e procurou alguma frase. Geralmente o fazia abrindo o livro a esmo. Mas desta vez, por alguma razão desconhecida, foi à contra-capa, e leu aquelas frases de efeito escritas, geralmente, por alguém que não leu o livro, mas que precisa vendê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leu: "&lt;em&gt;O amor é uma torrente contínua&lt;/em&gt;". Teve um sobressalto. Por um instante, pensou nisto. Será mesmo? Uma torrente contínua? Voltou os olhos ao texto e viu do que se tratava: uma história que lhe pareceu ligeiramente familiar. Pronto: estava desperta a sua curiosidade (fosse a história profundamente familiar, talvez o largasse no mesmo instante) e o livro cumprira sua função primeira. Fisgara-o como se prende uma criança a um brinquedo. Procurava uma resposta. Ele sempre procurava respostas para as suas indagações e, às vezes, se deparava com um livro que lhe dava a impressão de poder respondê-las. Na maioria da vezes, os livros apenas despertavam novas perguntas. Algumas vezes, porém, raras, é verdade, mas preciosas, um livro não somente lhe dava alguma resposta, mas a imagem de uma outra pessoa fazendo as mesmas perguntas. E esta era uma sensação, ao mesmo tempo, devastadora e reconfortante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-284364796588718041?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/284364796588718041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=284364796588718041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/284364796588718041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/284364796588718041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/09/aventura-de-um-leitor-i.html' title='A Aventura de um Leitor I'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4627463522881124924</id><published>2007-07-18T13:07:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.310-02:00</updated><title type='text'>Clarice</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Clarice fuma um cigarro lentamente sentada no parapeito da janela do seu apartamento localizado numa escura rua do Centro Clarice tem os pés brancos como lírios e brinca de olhá-los contra o fundo escuro da rua lá embaixo A sensação de vertigem é única e a delicia Sente o vento da noite de inverno Uma brisa de aço e nicotina&lt;br /&gt;Vuuuuu Há ecos vindo da rua Vuuuuu Clarice tem os pés mergulhados no sons Lembra de uma música que gosta “Como desaparecer completamente” Um violão e uma voz triste “Eu ando através dos muros” Balança os pés Brancos como lírios Pensa em uma balança onde poderia soltar os pés ao largo do movimento “Eu ando através dos sons”&lt;br /&gt;Fixa os olhos num ponto distante Vê fogos de artifício em algum bairro longínquo As luzes sem som são lindas Cores quase neutras de distantes Deseja estar lá Os bairros distantes são repletos de pessoas que nada mistificam da vida Vivem simplesmente Os fogos duram minutos e Clarice os observa Silenciosas luzes mudas do subúrbio&lt;br /&gt;As luzes cessam e os olhos ouvidos poros pele de Clarice são consumidos pela noite É outono e suas lembranças a remetem a uma primavera distante Foi feliz um dia Havia alguém Agora é apenas noite e Clarice se descobre só somente só&lt;br /&gt;Ouve uma voz Estanca Procura e descobre a calçada De novo o quadro da rua e seus pés balançando na escuridão Clarice se delicia com os próprios pés Já não sabe mais o que é a noite os pés os lírios o vento Vuuuuuu A calçada a chama Vuuuuu&lt;br /&gt;“Esta não sou eu” balbucia Lembra de uma voz numa primavera distante Clarice amava ouvir a voz de alguém no início da noite Clarice amava alguém no fim do dia Clarice amava&lt;br /&gt;“Pedro” “Pedro” “Pedro” Três vezes ela repetiu o nome que nunca mais pronunciara Agora era seu coração que a chamava&lt;br /&gt;Vuuuu Ouve a voz da calçada uma vez mais A última vez Pés brancos como lírios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um mergulho no escuro da noite Vuuuuuu &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, algumas pessoas que andavam por aquela rua estranhavam aqueles dois lírios entre os vãos das pedras na calçada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4627463522881124924?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4627463522881124924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4627463522881124924' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4627463522881124924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4627463522881124924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/07/clarice.html' title='Clarice'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8734631689945745373</id><published>2007-07-02T20:16:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.315-02:00</updated><title type='text'>Passatempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um dos momentos mais difíceis para quem escreve é quando não se tem assunto algum para um texto. É horrível. A página em branco nos encara e desafia, como se nos chamasse para um duelo. Eu, nesses momentos, tenho alguns rituais: varro a casa, escuto música, vou à janela ou simplesmente puxo assunto com alguém próximo. Às vezes funciona. Na maioria das vezes, não.&lt;br /&gt;Hoje estou vivendo um destes momentos. Já varri a casa duas vezes, escutei Beatles, fui à janela e enchi a paciência do João, que está aqui próximo. E nada. Nenhuma idéia. Nenhum mote. Sobre o que escrever?&lt;br /&gt;Como dizem que, nestes momentos, deve-se escrever somente e deixar a imaginação à vontade, resolvo então criar uma cena. Um casal em um momento de intimidade. Tema já desgastado, é verdade. Mas um casal sempre dá margem para boas estórias. Poderia ser um casal em crise. Mas isto seria triste e, como sou romântico, prefiro o momento de intimidade. Isto até dá margem para um texto picante. Quem sabe?&lt;br /&gt;Um casal. Penso em nomes compostos: Maria Lúcia e Paulo André. Será que funciona? Não sei. Tudo vai depender do desenrolar da cena. Vamos ver.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando Maria Lúcia disse no seu ouvido “vem”, Paulo André sentiu pela primeira vez, naqueles quatro meses de casamento, aquela preguiça básica. Não que tenha perdido a libido em relação à esposa. Longe disto. Ainda ontem mesmo eles tinham tido uma noite ótima. “Então”, pensou, “já está bom, né?”. Ele até queria, mas se pudesse ficar parado, sem se mexer muito, seria melhor. Enfim, estava com aquela preguiça em relação ao que já é rotina, aquela lentidão diante do que é familiar. Quem nunca sentiu isto que atire a primeira pedra. Ora, caro leitor, chegue mais perto e diga, só pra mim: nunca teve preguiça de algo que faz todos os dias? Preguiça de levantar da cama e ir para o trabalho? Preguiça de lavar a louça? Então, por que criticar o pobre Paulo André por estar com preguiça de... fazer exercício à noite? E ainda mais um exercício que ele vinha fazendo com freqüência? Sejamos compreensivos com o moço.&lt;br /&gt;Mas será que Maria Lúcia entenderia?&lt;br /&gt;“Vem”, repetiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PAUSA: vamos fazer um pacto, caro leitor. Estou pensando numa Maria Lúcia ninfomaníaca. Tem&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RomaYiS87AI/AAAAAAAAAGk/z_VTTdmSSgA/s1600-h/Passatempo+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082763400778148866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 139px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" height="165" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RomaYiS87AI/AAAAAAAAAGk/z_VTTdmSSgA/s200/Passatempo+4.jpg" width="200" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; que ser uma ninfo senão o texto não funciona. Pode ser? Uma ninfo insaciável. Devoradora. Fisicamente pode ser de qualquer jeito. Eu, particularmente, sempre que penso numa ninfo penso em uma mistura de Nastaja Kinski em “Paris, Texas” com Angelina Jolie em qualquer filme. Nunca soube o porquê, mas as duas sempre me deram medo, como se nunca cansassem de sexo. Porém isto não importa e, além disto, não quero influenciar seu pensamento. Pense na ninfo que você quiser. Pensou? Está certo que Maria Lúcia não é nome de ninfomaníaca. Uma ninfo de apelido Malú? Não dá. É muito docinho. Mas já estou adiantado no texto e mudar agora seria um trabalhão. Peço desculpas por esse deslize. Enfim, uma Maria Lúcia ninfomaníaca. Combinado? Então, retornemos ao mais importante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vem”, repetiu.&lt;br /&gt;Não, Maria Lúcia não entenderia sua preguiça. Ela gostava muito de sexo. Ela nunca cansava e os dois ficavam horas naquilo. Ele jamais vira uma mulher com tanta aptidão. Nos primeiros dias do casamento ficara até assustado, pois ela não era daquele jeito enquanto namoravam. No começo achou muito bom. Mas já eram quatro meses naquele ritmo e a vida exigia outros afazeres e ele era trabalhador e estava ali deitado. Sem sono, é verdade, mas deitado. Enfim, estava com a dita preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;MAIS UMA PAUSA: O leitor mais atento deve estar se perguntando: “mas como alguém tem preguiça de fazer sexo?”. Não é isto. Ele não estava com preguiça do sexo propriamente dito. Não nos precipitemos nos julgamentos. Ele estava querendo ficar ali, apenas. Entenderam? Ali. Era uma preguiça digamos... da vida... Ora, caro leitor, não faça muitas perguntas. Você já entendeu.&lt;br /&gt;Outra coisa: alguém pode estar pensando “será que esse João Pedro de Andrade escreve a partir da própria experiência?” A resposta é não. Eu sou de Minas Gerais e, como todos sabem, mineiros não sentem preguiça. Além disso, eu jamais me retrataria com um nome de novela como Paulo André. Por favor!? Se não confiam na minha capacidade literária, pelo menos confiem no meu bom gosto para comigo mesmo.&lt;br /&gt;Voltemos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Paulo André resolveu então apelar para um estratagema que funcionara em sua vida amorosa passada: fingiu que não era com ele. “Quem sabe assim ela desiste”, pensou. Fingir-se de morto. Resolveu ficar quietinho. Maria Lúcia veio então para cima dele, usando a clássica tática dos beijos no pescoço seguidos de aliciamentos nas partes pudendas. Maria Lúcia era uma mulher decidida. De ações imediatas. Beijos e aliciamentos. Mão aqui e mão ali. Mas Paulo André, mesmo não sendo sertanejo, era um forte. Agüentou incólume. Resistente. Tenaz. Fechou os olhos e se concentrou na sua preguiça. Era uma daquelas preguiças de quarta à noite, no inverno. Daquelas onde a cama já estava quentinha quando Maria Lúcia viera deitar. Não era uma preguiça qualquer, era uma preguicinha. O que era melhor ainda.&lt;br /&gt;Maria Lúcia continuava ali, nos beijos e mãos e apertos e cheiros. Ela era ótima nisto, o sonho de qualquer homem. E pior: era tinhosa. Não desistia assim tão fácil. E percebendo que suas ações não surtiriam efeito, resolveu baixar o nível, quer dizer, o local dos beijos.&lt;br /&gt;Paulo André sentiu um frio na barriga. Ou melhor, uma lambida na barriga. Neste momento percebeu que era preciso fazer algo, uma reação capaz de interromper aquela tentativa que ele, escaldado, sabia onde ia parar. Ele iria acabar cedendo. Agora era uma questão de princípios. Resistiria.&lt;br /&gt;Assim, virou-se e deitou-se de bruços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PAUSA: perdão, mas aqui não resisto a um comentário. Porém, este comentário destina-se ao leitor, respeitando o artigo o. Então, por favor, a leitora dê um tempinho na leitura deste texto. Vá à cozinha pegar um copo de leite, uns aperitivos. Que tal ir à janela para ver o movimento da rua? Enfim, inventa alguma coisa porque a conversa agora é entre homens.&lt;br /&gt;Caro leitor, uma das coisas mais dignas de atenção é a imaginação feminina e sua capacidade de inventar labirintos de idéias e pen&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RomZ1CS86_I/AAAAAAAAAGc/3ep779mrdJM/s1600-h/Passatempo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082762790892792818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RomZ1CS86_I/AAAAAAAAAGc/3ep779mrdJM/s200/Passatempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;samentos. Por exemplo, quando uma mulher diz não, pode-se interpretar três coisas: a) não; b) peça de novo, porém de um jeito mais interessante; c) sim. Cabe a quem pergunta descobrir qual a resposta correta. Deve-se, para isso, atentar para os sinais. O problema é que existem milhares deles: o tom da voz, o movimento da sobrancelha, o beicinho, ou até mesmo, a conjunção de Júpiter com Plutão num ângulo de 62° em relação à Lua. O sucesso com as moças depende da capacidade masculina de interpretação. E ai daquele que descobrir errado. É ou não é algo espantoso? E tamanha complexidade não poderia ficar de fora deste texto. Em suma: quero dizer que nada é simples com Maria Lúcia. E pior: é uma daquelas mulheres bem criativas...&lt;br /&gt;Assim, até para o melhor usufruto do texto, imagine uma Maria Lúcia cheia de criatividade. Pensou? Então vamos lá.&lt;br /&gt;Aguardemos um pouco a volta da cara leitora.&lt;br /&gt;Retomemos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, virou-se e deitou-se de bruços.&lt;br /&gt;Maria Lúcia estranhou este gesto. Num primeiro segundo, não entendeu e ficou, por um instante, olhando para o marido. Mas já no outro segundo, percebeu a proposta. “Paulo André? Você?”, disse. Jamais esperara isto do marido. Mas não achou ruim. Pelo contrário, até gostou da idéia. Como ela não era uma mulher de se fazer de rogada, e estava aberta a novas experiências, não perdeu tempo.&lt;br /&gt;Paulo André achou que tinha resolvido o assunto e salvo a honra da sua preguiça. Mas eis então que sente algo viscoso como uma língua na base das suas costas. E pior: avançando a lambidas firmes rumo ao desconhecido. O pânico tomou conta de Paulo André. Era preciso pensar em algo rapidamente. Questão de segundos. Um minuto talvez. E a língua ia descendo. O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PAUSA: eu mesmo que estou escrevendo fiquei surpreso e nervoso com esta iniciativa de Maria Lúcia. Que angústia! Estou na dúvida do que fazer. Preciso salvar o meu herói. Talvez um ataque de espirros por parte de Paulo André? Isto o salvaria com certeza. E também seria uma boa saída, pois daria ao texto um toque ao estilo de alguns cronistas brasileiros dos quais gosto, como Fernando Sabino, Stanislaw Ponte-Preta ou Luís Fernando Veríssimo. Eu poderia, inclusive, homenagear este último, fazendo com que Paulo André pulasse da cama cantando o hino do Inter de Porto Alegre.&lt;br /&gt;Mas não sei. Estou na dúvida. Já está galhofeiro demais este texto. Talvez um final mais intelectual salve o escrito. Uma possibilidade é pensar em como alguns escritores célebres resolveriam o meu dilema. Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar Allan Poe: Paulo André vira-se rapidamente e, com uma faca, que estava sob o travesseiro, corta a língua e o pescoço de Maria Lúcia e esconde o corpo dentro da parede da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kafka: a polícia invade o quarto e prende os dois sem que eles saibam o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garcia Márquez: Paulo André sai flutuando da cama, encarna seu tataravô Aureliano Buendía e vai para a Colômbia derrubar o presidente do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges: Paulo André diz “CHEGA!” em sânscrito, língua que ele aprendeu lendo os livros antigos de um relojoeiro nascido em Antioquia e que vendera sua biblioteca para um sebo localizado próximo à Plaza de Mayo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marquês de Sade: Paulo André se anima, pega um par de algemas, um grampeador, dois alicates e um abridor de garrafas, e ainda pede para Maria Lúcia chamar umas amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hemingway: Paulo André resolve sair e beber todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emile Zola: Paulo André é salvo pelo despertador, que toca e lembra a ele e à Maria Lúcia que é hora de ir para a mina de carvão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camus ou Sartre: Paulo André começa a chorar compulsivamente diante do absurdo daquela situação, onde ele não era ninguém e nada daquilo tinha sentido algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues: Paulo André fecha os olhos, se entrega à língua de Maria Lúcia e pensa no seu sogro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, as possibilidades são inúmeras. Tantas que talvez o melhor seja dar autonomia aos personagens. Dizem que um texto é bom quando ele vai além de quem escreve. Deixo então a estória nas mãos (ou na língua...) dos seus protagonistas. Pensando bem, eles é que são os maiores interessados. Por que então fico aqui me metendo no momento de intimidade deles? Eles que se resolvam. Por isso mesmo, se o final não for a contento, a culpa não será minha. Inclusive, eu confessei no início que não sabia sobre o que escrever.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que fazer?&lt;br /&gt;Paulo André resolveu dizer chega.&lt;br /&gt;- Lucinha, me escuta!&lt;br /&gt;- Hum... – lambidas.&lt;br /&gt;-Lucinha, me escuta!&lt;br /&gt;- O quê, Paulo André?&lt;br /&gt;- Eu estava pensando... Hoje não. Não estou muito disposto.&lt;br /&gt;- ... -&lt;br /&gt;- Pode ser amanhã. Que é que você acha?&lt;br /&gt;- Amanhã?!&lt;br /&gt;- Sim, amanhã. Hoje eu queria ficar assim, agarradinho, sem fazer nada. Que tal?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora cabe a Paulo André descobrir o que significa este "não". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8734631689945745373?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8734631689945745373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8734631689945745373' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8734631689945745373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8734631689945745373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/07/passatempo.html' title='Passatempo'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RomaYiS87AI/AAAAAAAAAGk/z_VTTdmSSgA/s72-c/Passatempo+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4335871508177543620</id><published>2007-06-28T08:52:00.002-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.322-02:00</updated><title type='text'>Rave</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoOiWyS86-I/AAAAAAAAAGU/pQf1BdE5tyQ/s1600-h/roda%20infantil%201942%20PORTINARI.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081083316946136034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoOiWyS86-I/AAAAAAAAAGU/pQf1BdE5tyQ/s200/roda%2520infantil%25201942%2520PORTINARI.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; João amava Raimundo que ficava com Maria que curtia um lance com Lili que amava Joaquim que não amava ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João virou pastor evangélico, Raimundo abriu uma loja de piercings, Maria virou funcionária de banco, Lili viciou-se em crack e Joaquim casou-se com J. Pinto Fernandes, que durante muito tempo se chamou Juliana, mas fez operação para mudança de sexo e atualmente atende por Júlio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4335871508177543620?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4335871508177543620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4335871508177543620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4335871508177543620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4335871508177543620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/06/rave.html' title='Rave'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoOiWyS86-I/AAAAAAAAAGU/pQf1BdE5tyQ/s72-c/roda%2520infantil%25201942%2520PORTINARI.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1958479446098364257</id><published>2007-06-25T17:10:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.337-02:00</updated><title type='text'>O goleiro e sua condição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAijMf1I7I/AAAAAAAAAF0/0Nr64fq0x9A/s1600-h/O+goleiro+e+sua+condi%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080098367719416754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAijMf1I7I/AAAAAAAAAF0/0Nr64fq0x9A/s200/O+goleiro+e+sua+condi%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Belezas são coisas acesas por dentro&lt;br /&gt;Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;                                                              Jorge Mautner&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33 minutos. Segundo tempo. Voz de radialista:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;...cobrou agora Juvenal. Direto, sobre a área. Salta Chico. Não alcança a bola. Mas ficou ainda do campo contrário. Cruzou à boca da meta! Aliviou Gambetta! Vem para Bauer. Bauer aparou o couro no peito. Tentou passar por um contrário. Atrasou para Jair. Jair então infiltra-se. Empurrou o couro. Defendeu Tejera. Voltou para Danilo. Danilo perdeu para Julio Perez, que entregou imediatamente na direção de Míguez. Míguez devolveu a Julio Perez, que está lutando contra Jair, ainda do campo uruguaio. Deu para Ghighia. Ghighia devolveu a Julio Perez que dá em profundidade ao ponteiro direito. Corre Ghighia! Aproxima-se do gol do Brasil e atira! Gol! Gol do Uruguai! Segundo gol do Uruguai. Dois a um, ganha o Uruguai...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele se levanta lentamente e observa a comemoração dos uruguaios. Mantém, por um segundo, a cabeça baixa, como a pedir perdão por aquele momento. E aquele momento era um momento de silêncio, uma espécie de funeral repentino que tomara todo o estádio, que silenciara o pagode infernal que se estendia desde a manhã, como se o estádio obedecesse a um interruptor cuja posição fora invertida. Ouviam-se apenas os gritos uruguaios. A imagem daquele dia: onze jogadores silenciando duzentas mil pessoas. Mudas. Estáticas. Suspensas.&lt;br /&gt;E todos os silêncios e todos os olhos e todas as preces e todos os ódios, malefícios e mandingas, bençãos e orações, voltaram-se para aquele goleiro de 29 anos que, sozinho (como ficaria o resto da vida), agora estava de cabeça baixa, como que a ouvir a uma sentença.&lt;br /&gt;E nos doze minutos restantes do jogo ele ficaria ali em silêncio, solitário ante aquele mar de gente, observando o jogo de longe e torcendo, como um espectador, um ouvinte em Quixeramobim, um transeunte na Praça da Sé, um devoto em Juazeiro ou um marido qualquer no balcão de um bar perdido do Centro, por um gol, um mísero gol que evitasse a tragédia que se prenunciava. Ele, tão importante no jogo, nada podia fazer a não ser observar de longe e torcer, torcer, torcer.&lt;br /&gt;E nesses doze minutos que, conforme as leis físicas que regem o futebol, passaram como se fossem doze segundos – porque o time estava perdendo – ninguém no estádio percebeu que ele jogou de olhos marejados e que toda sua vida lhe viera à mente como num filme desbotado, preto e branco, porém nítido. Todas as cenas, desenlaces, ganharam naqueles doze minutos, uma nova exibição. Enquanto o jogo se concentrava no outro lado do campo, naquela tentativa desesperada do time para reverter a situação, e onde o outro goleiro se tornava o novo herói de uma nação minúscula, ele passava em vista todos os lances da sua vida.&lt;br /&gt;Nunca se sentira tão só em toda sua vida. Mesmo com duzentas mil pessoas em volta, era ele e mais ninguém.&lt;br /&gt;Lembrou da infância em Campinas, do futebol entre os amigos, da sua predileção pela ponta-esquerda, dos primeiros bicos e do seu emprego no laboratório de química, onde se revelou um ponta do time da empresa. Lembrou da sua chegada em São Paulo, para começar sua carreira no Ypiranga onde, por acidente, tornara-se goleiro. Lembrou da estréia no Vasco e dos milhares de gols que evitara; dos títulos que conquistara com o time do Rio e das manifestações de gozo da torcida. Lembrou das derrotas, dos xingamentos a que se acostumara. E diante destas lembranças percebeu como amava aquilo tudo, como o futebol dera o sentido da sua vida e que um dia tudo aquilo lhe estaria distante, no passado.&lt;br /&gt;E, num átimo, lembrou que ali estava no jogo mais importante da história, onde tudo seria dividido em antes e depois. E que aquele gol que tomara minutos atrás seria uma mancha, um estigma, a ser carregada pelo resto da vida. Onde quer que fosse seria declarado culpado, o maior dos traidores da pátria. E, por um instante, imaginou que após o fim da partida ninguém se lembraria do que fizera antes, dos gols que evitara. Ele seria para sempre o goleiro que falhara na hora imprevista, o homem derrotado no momento mais importante. A imagem do fracasso. E de súbito olhou para a torcida e teve a impressão de que todos o olhavam com ódio, desprezo e raiva. Teve, então, a pior sensação que jamais tivera: que, encerrada a partida, caso realmente perdessem, seria banido do mundo, condenado tal como um criminoso a expiar seu crime e que carregaria sobre o ombro a culpa daquele time pelo resto da vida. Viu-se dali a cinqüenta anos expiando um crime num país onde a maior pena possível era de trinta.&lt;br /&gt;Ao pensar isto, o desespero lhe veio como um tiro.&lt;br /&gt;Nesse exato momento ouviu um apito e voltou sua atenção ao jogo. Com um lance do outro lado do campo, ironicamente quando o outro goleiro agarrou o último ataque, a última tentativa daquele time de empatar o jogo, o juiz, britanicamente pontual, deu a partida por encerrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1958479446098364257?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1958479446098364257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1958479446098364257' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1958479446098364257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1958479446098364257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/06/o-goleiro-e-sua-condio.html' title='O goleiro e sua condição'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAijMf1I7I/AAAAAAAAAF0/0Nr64fq0x9A/s72-c/O+goleiro+e+sua+condi%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-883124043162914897</id><published>2007-06-25T13:58:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.343-02:00</updated><title type='text'>Variações Sobre Um Tema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mesmo sendo errados os amantes&lt;br /&gt;Seus amores serão bons...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De uma canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um início romântico, como devem ser os amores. Conheceram-se, encantaram-se, trocaram confidências, expuseram medos. Passaram-se alguns anos e o amor transformou-se em convivência e a convivência em impaciência e a impaciência em desespero. Em algum momento, o amor que havia entre os dois transfigurou-se em ausência de palavras. Não havia ofensas, não havia nada, simplesmente a noite. E como a noite, aos olhos dos dois, se confundia com o aquilo mais temiam – a morte – os dois amorosamente se separaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Juliana ainda chora a morte de André, num acidente de carro. Estavam noivos há três meses e namoravam havia anos. De tudo que sente falta, o que mais acomete Juliana é o café que o noivo preparava sempre que dormiam juntos. Tomavam café em silêncio, aproveitando de forma terna a luz da manhã que invadia a cozinha. Juliana lembra deste silêncio como se fosse uma tortura: André de pé diante do fogão, o barulho das xícaras, a bebida sendo servida, os olhares cúmplices. Para ela, este era o momento de maior intimidade entre os dois, uma intimidade feito de silêncio, ternura e um café delicioso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_1CMf1IvI/AAAAAAAAAEU/PcGdZGDqZfM/s1600-h/varia%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080048322760483570" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_1CMf1IvI/AAAAAAAAAEU/PcGdZGDqZfM/s320/varia%C3%A7%C3%B5es.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Andréa andava a esmo pelo centro da cidade, pensando se ainda continuaria casada ou não. Há meses sua relação entrara numa ausência de afetos, como se ela e o marido não mais se encontrassem. Não havia culpados: simplesmente os dois estavam longe um do outro. Encontrou, numa rua, por um acaso, Paulo, sua primeira paixão na vida – quando os dois ainda eram adolescentes – e a quem não via há muito tempo. Foram a um café, onde conversaram relembrando do tempo em que conviviam. Durante a conversa, Andréa lembrou o quanto fora apaixonada por Paulo e também das esperanças que, quando jovem, depositava no amor. De súbito, levantou-se, pediu desculpas e correu para casa. Resolveu tentar mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa separou-se há oito anos e sempre que pode maldiz o nome do ex-marido. Há oito anos todas as coisas ao seu redor ainda estão impregnadas com a presença dele. Há oito anos Teresa dorme com dois travesseiros, como se esperasse a volta de alguém. Há oito anos ela ainda faz vários pequenos rituais da época em que estava casada. Inclusive, no dia 17 de outubro, religiosamente, sempre vai ao mesmo restaurante onde ele a pediu em casamento. Simplesmente para maldizer o nome do ex-marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante meses, Marcos escutava em sua memória as palavras proferidas naquela noite chuvosa: “Eu vou embora, Marcos. Não dá mais pra mim”. E lembrava, de forma vívida, de tudo naquela noite: os olhos tristes de Mariana, a mala sendo fechada, o grito preso na garganta, o vazio da casa quando ela se foi. Apesar da profunda tristeza em que quedava junto destas lembranças, Marcos nunca chorava, como se sempre faltasse uma ponte para as lágrimas. Uma noite, porém, muito tempo depois, ao sentar-se à mesa para jantar, sozinho, Marcos reparou que estava chovendo. Nesse momento, chorou copiosamente feito um menino.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_0psf1IuI/AAAAAAAAAEM/j6XTW8Vih0A/s1600-h/varia%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-883124043162914897?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/883124043162914897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=883124043162914897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/883124043162914897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/883124043162914897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/06/variaes-sobre-um-tema.html' title='Variações Sobre Um Tema'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_1CMf1IvI/AAAAAAAAAEU/PcGdZGDqZfM/s72-c/varia%C3%A7%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8055068337362422082</id><published>2007-05-18T03:11:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.381-02:00</updated><title type='text'>À Flor da Pele</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rk1D5W1XcLI/AAAAAAAAAD0/bV93hdiKPNo/s1600-h/Kar+Way2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065779808522694834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rk1D5W1XcLI/AAAAAAAAAD0/bV93hdiKPNo/s200/Kar+Way2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Uma música que, de tão bonita, dói.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois têm um segredo. Tão guardado que é impronunciável.&lt;br /&gt;Está além de qualquer palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta um solo de violino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8055068337362422082?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8055068337362422082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8055068337362422082' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8055068337362422082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8055068337362422082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/05/flor-da-pele.html' title='À Flor da Pele'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rk1D5W1XcLI/AAAAAAAAAD0/bV93hdiKPNo/s72-c/Kar+Way2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-7964485948269511253</id><published>2007-05-08T23:27:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.387-02:00</updated><title type='text'>Memória de Minas</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_4-Mf1IxI/AAAAAAAAAEk/zeTahXlrr3I/s1600-h/Jo%C3%83%C2%A3o+e+Teresa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080052652087517970" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_4-Mf1IxI/AAAAAAAAAEk/zeTahXlrr3I/s200/Jo%C3%A3o+e+Teresa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_2kMf1IwI/AAAAAAAAAEc/aZ7pd3GaV0s/s1600-h/Jo%C3%83%C2%A3o+e+Teresa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para Fernando Sabino&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minas não existe. “Minas não há mais”. Outrora existira na mãe, tagarela e desconfiada, avessa a essas coisas estranhas dos modernos, e dada a uma sorte de devoção. Nossas Senhoras de todas as faces. A mãe de fofocas e pequenas aliterações – “Menino, meu fio” – e grandes dramas – “Mata sua mãe de vez, mata!”. Mãe de pequenos pratos: o arroz branco impossível de copiar; da couve, que em vidas passadas agradava tanto o paladar de uma outra mulher acostumada a temperos fortes; do bolinho de chuva que acompanhava o futebol das tardes de domingo. Mãe de medos absurdos e gargalhadas deliciosas. Mãe das chineladas. Mãe de consolos e colos. Mãe de pedir benção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia na mãe um tanto de Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outrora Minas existira no pai, capaz de serestas e silêncios. Pai de uma generosidade ímpar e ausências cordiais. Pai da farda e da última palavra. Pai de violões e cantorias. Pai das músicas de Maria Bethânia. Pai dos pequenos prazeres da vida: tão pequenos que eram só seus, como a caipirinha que sempre preparava ao chegar do trabalho, numa cumbuca que ficava no canto da pia. Pai de mínimos, quase imperceptíveis, rituais. Pai de quem nunca se ouviu uma palavra sobre si próprio. Pai dos mistérios. Pai invisível aos olhos de todos. Pai escondido dentro de uma concha. Pai de um passado que ninguém conhece. Pai do silêncio e das palavras cruzadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia no pai um tanto de Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum lugar, Minas deixou-se ficar. Agora, é apenas memória de um tempo vivido. Minas tem cheiro de infância. Minas é Milton Nascimento cantando “Os Povos”: “na beira da vida a gente torna a se encontrar só”. Minas era o tempo onde se fazia música em casa. Minas é passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um tanto de Minas numa família que outrora existira. Pai-mãe-filho numa cidade estrangeira de céu cinza. Em algum lugar pai-mãe-filho deixaram-se ficar. Agora, há pai, há mãe e há filho: cada um na beira da vida a se encontrar só.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Minas é a lembrança de uma família que, em algum lugar, deixou-se ficar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-7964485948269511253?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/7964485948269511253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=7964485948269511253' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7964485948269511253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/7964485948269511253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/05/memria-de-minas.html' title='Memória de Minas'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_4-Mf1IxI/AAAAAAAAAEk/zeTahXlrr3I/s72-c/Jo%C3%A3o+e+Teresa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-4524091735324630786</id><published>2007-04-29T23:19:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.395-02:00</updated><title type='text'>A Poesia e a Prosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E sei que a poesia está para a prosa&lt;br /&gt;Assim como amor está para a amizade&lt;br /&gt;E quem há de negar que esta lhe é superior?&lt;br /&gt;Caetano Veloso&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Luís roubou um beijo de sua nova amiga, ela tomou um susto. Ela já havia percebido que ele estava apaixonado. Mas Luís não era um homem aos olhos de Lenita. Não no sentido do que lhe apetecia. Lenita preferia homens mais velhos, que lhe davam uma sensação de segurança. Luís, na sua meninice, não lhe dava isto. Mas lhe dava algo mais caro: uma paz, um sentimento esquisito de sossego, algo quase familiar. Era como se ele tocasse um lado do seu coração interditado aos homens. O seu lado mais íntimo. Por isso mesmo, Lenita o empurrou e disse não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Clarice pensa no ex-marido, sente falta de muitas coisas, mas sobretudo dos amigos comuns que teve que abandonar quando se separaram. Alguns, mais amigos dele, ela os queria para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André negou o quanto pôde, mas um dia teve que admitir para si próprio que estava apaixonado por Lúcia, namorada de seu amigo de infância, Vinícius. André era o oposto de Vinícius. Onde este era palavra e extroversão, André era timidez e silêncio. Lúcia, às vezes, achava que André era gay, mas gostava de sua companhia. Quanto a Vinícius, na sua leveza, traía Lúcia sempre que podia e confidenciava tudo ao amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os dois se separaram, ela achou que poderiam ser amigos. Durante um tempo o procurou. Em vão. Ele se afastou dela como se sobre ela houvesse um tabu. Levou muito tempo para ela perceber que entre eles não havia possibilidade de uma relação que não fosse amorosa. Ela sofria em perceber que ele tinha virado a página e ela não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Marco e Milena fossem amantes, as confidências tomariam a forma de corpo. Seriam sensíveis: teriam cheiro, suor e tato. Amantes, poderiam simplesmente silenciar ante a presença um do outro. Palavras não seriam suficientes para a confluência que buscavam.&lt;br /&gt;Se Marco e Milena fossem amigos, as confidências seriam segredos falados, compartilhados. O corpo seria apenas uma promessa nunca realizada e tudo se resumiria num afago em forma de verbo.&lt;br /&gt;A poesia ou a prosa? Nem Marco, nem Milena, tinham a resposta a esta pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-4524091735324630786?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/4524091735324630786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=4524091735324630786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4524091735324630786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/4524091735324630786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/04/poesia-e-prosa.html' title='A Poesia e a Prosa'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-1775855205975535032</id><published>2007-04-14T20:34:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.399-02:00</updated><title type='text'>As Linhas das Tuas Mãos</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_9Hcf1IyI/AAAAAAAAAEs/2XSzDPyaZu0/s1600-h/M%C3%83%C2%A3os.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080057209047819042" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_9Hcf1IyI/AAAAAAAAAEs/2XSzDPyaZu0/s200/M%C3%A3os.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto do desenho das tuas mãos longas de dedos finos e compridos, que revelam teus ossos e a brancura da tua pele; mãos que, vez ou outra, imagino sobre mim pesquisando cada milímetro do meu corpo em movimentos firmes e curiosos. Gosto de observá-las enquanto discursas sobre algo que te incomoda, como se tuas mãos fossem guias para tuas idéias, pois gesticulas e as movimenta de modo enfático, de modo que sobre ti recaia a imagem da certeza. Gosto de ver tuas mãos enquanto retocam a pintura sobre o teu rosto, pesquisando delicadamente a pele em torno dos olhos, a boca, as faces, como se elas tivessem o dom da transubstanciação, o dom do ourives ou alguma alquimia obscena. Gosto das tuas mãos em meus cabelos quando, num ato de cuidado incestuoso, resolve você me enxugar após o banho. E tuas mãos vão e vêm e vêm e vão em investidas sobre a minha pele, sobre a base dos meus cabelos, os pêlos do meu peito; vêm e vão, lentas e firmes, com unhas capazes de cócegas e arranhões. E gosto de sentí-las no afã de rasgar a minha carne e no desejo de me tomar como seu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos quando me dominas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos quando as sinto sobre minhas costas, pernas e nádegas, enquanto simplesmente fodemos de um jeito que é só nosso, evitando ao máximo o momento do gozo e estendendo o quanto podemos o estorpor e a conjunção a que nos entregamos, onde você resume tudo com um simples "me fode". E gosto das tuas mãos enquanto elas me arranham-roçam-sangram-curtem-descobrem-me dividem em tantos pedaços quanto se divide o que sentimos. Gosto das tuas mãos quando agarram minha cabeça enquanto descubro teus gozos e roço minha barba rala nas tuas coxas. Tuas mãos quando as vejo apoiar-se na parede enquanto me ofereces a visão magnífica das tuas costas ou quando, deitada de bruços, tomas minhas mãos para que te alisem seios-nucas-penugens. Gosto das tuas mãos quando, no sofá do escritório, me enlaçam e apertam minha cabeça enquanto me devoras, olhando-me nos olhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos no depois, quando sôfrega se estendes sobre a cama, evocando um copo que compartilhamos ("foi o bastante, mas não o suficiente"), e quando me olhas de um modo terno e preguiçoso, porém ainda vivo. Ou quando me provocas com leves tapas de "E então? Não tem mais?" e, diante de uma resposta evasiva atacas indignada e divertida: "frouxo!". Gosto das tuas mãos quando resolvem, no interlúdio, explorar os meus pés. Tuas mãos quando, juntos num banho, me esfregas para limpar o que é teu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas também gosto das tuas mãos antes, quando no prenúncio do que virá elas se apossam de meu caralho como se ele fosse um outro e travam com ele uma relação íntima de posse, usos e ludismos, enquanto disputam com a tua boca a primazia da presença do meu músculo. E apertas e chupas e brincas e me olhas de um jeito que guarda uma promessa e uma ilusão. A promessa do que virá e de que até terminarmos tudo será bom. A ilusão de que eu, meu caralho, meu corpo, somos os únicos em tua vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos quando me enganas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos pelo cuidado com que tomas as coisas do mundo: a flor, o copo, o lápis, o jornal. Gosto das tuas mãos quando seguras um colar de miçangas; quando ajeitas a meia sob a saia; quando coças a nuca de um jeito que sempre me parece um convite; quando seguras uma cigarrilha ou quando brincas com meu pescoço enquanto dançamos um samba qualquer; quando tapas a vista diante de uma cena de violência ou terror; quando passas a tarde de um sábado desenhando com lápis de cera pequenos motivos coloridos. Gosto absurdamente das tuas mãos quando, antes de deitar, tiras os brincos, de um modo tão natural que parecem parte de ti. Gosto das tuas mãos quando me apontam algo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisas ver tuas mãos quando seguram uma xícara: são de uma beleza ímpar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos porque me acalmam. Excitam-me. Porque me assustam. Gosto das tuas mãos porque me fazem indefeso ao mesmo tempo que me oferecem um porto, uma rota à minha navegação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos porque escrevem, nos mais das vezes com linhas tortas, um capítulo único no livro da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto das tuas mãos porque são tuas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-1775855205975535032?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/1775855205975535032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=1775855205975535032' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1775855205975535032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/1775855205975535032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/04/as-linhas-das-tuas-mos.html' title='As Linhas das Tuas Mãos'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/Rn_9Hcf1IyI/AAAAAAAAAEs/2XSzDPyaZu0/s72-c/M%C3%A3os.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8769781823699492713</id><published>2007-04-12T01:22:00.000-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.402-02:00</updated><title type='text'>Breves Textos para John Coltrane</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “Out of this world”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Poucas coisas são mais deliciosas do que tomar um cappuccino num certo café do centro numa tarde de outono. Parar tudo o que se deve fazer e simplesmente saborear o café e o aroma; o café e a canela; o café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “Naima”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele sentou no café árabe aonde sempre ia e descobriu que a senhora da mesa ao lado chamava-se Naima. Ela, marroquina e ele, paraense. E ali estavam os dois, reunidos numa mesa de café numa rua perdida do centro. Conversaram durante horas. Finda a tarde ele foi para casa e simplesmente ouviu a gravação várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “Mr. Knight”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em Curitiba há uma praça onde há dois plátanos. Sempre que passava por ali, ele tinha vontade de dançar. Já imaginaram? Um moço de óculos, meio perdido, porém de boa vontade, dançando numa praça com plátanos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “Acknowledgement”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Maria vai todos os dias à Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. É uma igreja bonita, acha Maria. Fica ao lado de um campo de futebol num bairro bacana de Curitiba. Ao lado da igreja há um cemitério. Maria não gosta de cemitérios, mas acha tocante ver as pessoas sentadas na mureta fora da igreja nos dias em que a missa está cheia. À propósito: Maria não é das mais crentes. Na verdade, ela trabalha ali, na rua defronte a igreja, vendendo doces para as pessoas nos intervalos das missas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “In a sentimental mood”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Laércio já conhece de cor a maioria dos balcões do centro da cidade. Solteiro há anos, Laércio vive desesperado sua solidão. Uma solidão feita de cobertores velhos, casca de pão sobre a mesa da cozinha, poemas de T.S.Eliot e medo. Muito medo. Laércio está apaixonado, o que piora tudo. Sim, porque se apaixonou, uma vez mais, por alguém que não lhe dá a mínima. E pior: quando se apaixona e vive seus dias num modo sentimental, os balcões lhe parecem pouco, quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “Equinox”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hoje ele cantou parabéns para seu irmão, pelos seus quinze anos. Ele, seu irmão e a mãe, já senhora. Era início da noite e a casa tinha cheiro de pão e novela. Ele levou um bolo de chocolate, velinhas e pequenas cornetas, com as quais assustaram a pequena cadela da casa. Arrependeu-se de não ter comprado chapéus e línguas-de-sogra. Sentaram os três na mesa e, por alguns minutos, encarnaram o que tentavam ser a vida toda: uma família. Durou alguns minutos. O suficiente para que um sentimento de cumplicidade trespassasse entre os olhos. Ele viu seu irmão criança. Ele viu sua mãe jovem. E agora, estavam ali, os três, somente, comemorando o fato de um deles estar avançando no tempo: bolo de chocolate, velinhas e, talvez, a esperança que ele gostaria de dar ao irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O quarteto de John Coltrane tocando “My favorite things”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para João, esta música revela o lado possível, porém oculto, da vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8769781823699492713?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8769781823699492713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8769781823699492713' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8769781823699492713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8769781823699492713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/04/breves-textos-para-john-coltrane_12.html' title='Breves Textos para John Coltrane'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5611474598744063983</id><published>2007-04-12T01:20:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.427-02:00</updated><title type='text'>O Prazer da Prosa (aforismos da conversação)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação exige, antes de tudo, entrega. E o entregar-se à conversa é um deslizar-se entre dois pontos: dentro e fora de si. Isto é para poucos. Portanto, poucos são aqueles que conversam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação exige delicadeza dos gestos e gentileza das intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação exige sentido de espaço e tempo. Há lugares e horas para a conversação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação é, talvez, a forma mais sutil de relação entre duas pessoas. Exige cuidado e exercício constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação é uma invenção de pessoas do interior para o domingo à tarde. Pequenas cidades do interior de Minas ou de São Paulo comprovam isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação é vedado a certas profissões. Por exemplo: a músicos, porque não sabem ouvir, ou a jornalistas, porque falam do que nunca ouviram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato da conversação também pode ser praticado solitariamente. Neste caso, por favor: não pertube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5611474598744063983?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5611474598744063983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5611474598744063983' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5611474598744063983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5611474598744063983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/04/o-prazer-da-prosa-aforismos-da.html' title='O Prazer da Prosa (aforismos da conversação)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-2343267742463345305</id><published>2007-03-27T20:44:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.430-02:00</updated><title type='text'>Pequeno Dicionário dos Afetos: Curiosidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RgmsyM-aAfI/AAAAAAAAABw/KajOy6_9W3M/s1600-h/akertesz1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046754835921764850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RgmsyM-aAfI/AAAAAAAAABw/KajOy6_9W3M/s200/akertesz1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; s. 2 gên. (1) sentimento de necessidade de descoberta das coisas ou de detalhes da vida alheia. Pode vir na forma de perguntas insistentes, como em alguns homens, ou na forma de um olhar &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt;, como em analistas fora do consultório. É mais comum numa certa fase da vida, sendo crônica entre os 20 e os 30 anos. (2) sentimento muito comum em pessoas encantadas por outra. Neste caso, pode levar a um estranho hábito de questionamentos e perguntas constantes, ou ao desejo de proximidade intensa, traduzido em mensagens e encontros fortuitos. Se for o caso de pessoa apaixonada, aí a curiosidade pode chegar a níveis alarmantes. Tende a passar com o tempo, embora haja o perigo de se transformar em neurose motivada pela paixão crônica. (3) sentimento que todo bom marido, amante ou homem apaixonado deve evitar, sob pena de prejuízo e dores de cabeça. Há coisas que é melhor não descobrir, sobretudo sobre o passado... (4) loc. pop. sentimento que matou o gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinonímia: Revistas em salão de cabelereiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antonímia: Maridos felizes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-2343267742463345305?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/2343267742463345305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=2343267742463345305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2343267742463345305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/2343267742463345305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/03/pequeno-dicionrio-dos-afetos.html' title='Pequeno Dicionário dos Afetos: Curiosidade'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RgmsyM-aAfI/AAAAAAAAABw/KajOy6_9W3M/s72-c/akertesz1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-158090855875027481</id><published>2007-03-03T22:13:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.439-02:00</updated><title type='text'>Solo de Trompete</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ando solitário e numa esquina qualquer um solo de trompete, lento e doce, invade meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estanco meus passos e é como se eu tivesse olhos de vidro. De repente, tornam-se embaçados. É noite e uma tristeza sem fim me assalta. Onde estarei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei solitário amanhã? &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/ReofcXWYYSI/AAAAAAAAABM/RshGniuQxxY/s1600-h/Solo+de+Trompete.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037873705332007202" style="WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px" height="128" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/ReofcXWYYSI/AAAAAAAAABM/RshGniuQxxY/s200/Solo+de+Trompete.jpg" width="270" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Hoje ouvi risos, ouvi certezas, ouvi esperanças. Vi compaixão nos olhos e atenção nas falas. Porém, é como se eu fosse um desterrado entre conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E penso, penso, penso.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Nada, no entanto, me toca mais nesta noite do que um solo de trompete, lento e doce, que invade meu coração e me responde, sem hesitar: estarás só amanhã como estás agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Sim. Estarei. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/ReofcXWYYSI/AAAAAAAAABM/RshGniuQxxY/s1600-h/Solo+de+Trompete.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-158090855875027481?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/158090855875027481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=158090855875027481' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/158090855875027481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/158090855875027481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/03/solo-de-trompete.html' title='Solo de Trompete'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/ReofcXWYYSI/AAAAAAAAABM/RshGniuQxxY/s72-c/Solo+de+Trompete.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-5365297894579708529</id><published>2007-03-01T01:06:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.454-02:00</updated><title type='text'>Da Luxúria</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAEY8f1I3I/AAAAAAAAAFU/biIDs--oFqs/s1600-h/Lux%C3%83%C2%BAria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080065206276924274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAEY8f1I3I/AAAAAAAAAFU/biIDs--oFqs/s200/Lux%C3%BAria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis a luxúria. Confesso que este é o meu pecado predileto. Sejamos honestos: é na luxúria que sentimos o quanto humanos somos. Tanto que os gregos – juntos dos mineiros, inventores da nossa vã filosofia – atribuíam luxúria até aos seus deuses. É um pecado, digamos, divino.&lt;br /&gt;Pois a luxúria é definida pelos prazeres. É um apego aos prazeres, sobretudo aqueles ligados ao corpo, à carne. Pensando bem, a luxúria é a mãe de cinco dos outros seis pecados capitais. Tomemos como exemplo um objeto de luxúria: a loira do 701, que hora ou outra passa sob minha janela trajando vestes..., como digo?..., generosas. Pois bem, alguém que tivesse este objeto de luxúria jamais sairia da cama: preguiça. Iria ao bar do Japa contar aos companheiros de balcão, “vocês não sabem quem eu faturei...”: soberba. Não iria deixar nenhum engraçadinho se aventurar: ira. Saberia de cor a conjugação (inclusive no futuro do subjuntivo) do verbo comer: gula. Não dividiria a moça com ninguém: avareza. O difícil seria sentir inveja de alguém. Taí! Talvez a inveja seja isto: falta de luxúria ou da loira do 701. Depende do ponto de vista.&lt;br /&gt;O futebol é, por natureza, um esporte para os amantes da luxúria. Assistimos a uma partida de futebol na esperança de ter o prazer de um gol bonito, de uma jogada sublime, de um drible espetacular. Eduardo Galeano, torcedor do Nacional de Montevidéo, soltou a pérola: “o gol é o orgasmo da vida moderna”. Bem..., profundo isto... Não é em qualquer rabeira de caminhão que lemos esta frase, bela e de múltiplos sentidos. Há quem discorde. Mas, como dizem que o orgasmo é uma grande questão para as mulheres, aproveito a deixa para tentar exemplificar às leitoras, pouco entendidas no assunto (futebol, é bom que se frise...), o que seriam os vários tipos de gol. Estarei contribuindo, assim, para a cultura geral da sociedade brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, aquelas que têm orgasmos facilmente, poderão finalmente entender o que são os gols. Para aquelas que é mais fácil ver o que é um gol, poderão entender o que é um orgasmo. Vamos&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoADJsf1I1I/AAAAAAAAAFE/ssldHsh2lnY/s1600-h/Lux%C3%83%C2%BAria.jpg"&gt;&lt;/a&gt; aos exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gol comum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é aquele orgasmo sem graça. Aquele que você tem, quando tem, naquelas transas de quarta à noite após a novela das oito ou naquelas transas de quarta à noite, no inverno, quando você se apresenta extremamente sensual naquele moleton velho, azul marinho, tamanho GGGGGG. É aquele orgasmo que você nem se lembra no dia seguinte. É mais ou menos como os gols de uma partida entre a Ferroviária de Araraquara e o XV de Jaú, numa quarta à noite, com chuva, pela décima primeira rodada do campeonato paulista da segunda divisão. Não passa nem no Globo Esporte. Ou seja, é melhor virar para o lado e dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gol roubado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, aí depende. Se for um gol do seu time no principal rival, aos 48 do 2º tempo, numa semifinal de campeonato, o orgasmo será inesquecível. Seria como transar com o marido, com cara de Rodrigo Santoro, de uma conhecida de quem você não gosta. Mas se o gol for contra o seu time, seria como se seu marido dissesse o nome da conhecida enquanto transa com você. Pensando bem, nos dois casos, será um orgasmo inesquecível. Geralmente, um gol roubado causa muita confusão, briga, baixaria mesmo. Sempre termina com gente expulsa do jogo e indo pro chuveiro mais cedo. Mas, sem dúvida nenhuma, são lembrados para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gol de canela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é aquele orgasmo que você não espera. De repente, vem. Acontece com freqüência. O jogo estava se arrastando, vinte minutos do primeiro tempo e nada, nem uma bola na trave, você e seu companheiro de partida sem muita inspiração, quando de repente acontece o gol de canela e daí o jogo pega fogo. No futebol, “gol de canela” é aquele gol sem querer. No caso do orgasmo, “gol de canela” é uma metáfora: pode ser um cotovelo que bate no olho, uma goteira sobre os jogadores, um palavrão em homenagem à mãe do juiz ou até mesmo um espirro. As possibilidades são infinitas. Um gol de canela exige oportunismo e atenção dos jogadores, embora eles não sejam capazes de repetir o feito. Mesmo assim, há jogadores que só fazem gol de canela. Jogar com eles pode não ser lá estas coisas, mas que um golzinho sempre sai, isto ninguém pode reclamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gol sublime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este gol é raro. E é para atingí-lo que todos praticam este esporte coletivo – cujo número de jogadores varia, podendo chegar a 80, dependendo das preferências (society, salão, gramado, areia) – chamado sexo. E por ser raro, este é aquele orgasmo realmente inesquecível. Mas a perfeição, a completude, o ato sublime desse orgasmo só é reservado para poucos. São os chamados craques. Ser um craque exige alguns atributos: visão de jogo, domínio da bola, rapidez de raciocínio, controle da velocidade, resistência e, segundo muitas mulheres, saber usar bem as mãos (mesmo não sendo goleiro). E tudo isto junto numa pessoa só, convenhamos, é difícil. Por isto é que os gols sublimes são os mais lembrados por toda vida. Inclusive, há uma tendência feminina para um certo saudosismo com relação a isto. Para muitas, gol sublime só o Marcão, aquele namorado do tempo de faculdade, sabia fazer. “Ele fazia gol até de nariz”, ouvi certa vez de uma torcedora mais animada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, há tantos gols quanto orgasmos. Aliás, posso dar um caráter científico a esse texto apresentando uma fórmula devidamente comprovada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QO= 1/NGSTSMNC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde, QO= qualidade do seu orgasmo;&lt;br /&gt;NGSTSMNC= Número de Gols Sofridos pelo Time do Seu Marido Neste Campeonato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, cara leitora, antes de arranjar um namorado, marido, cacho, amante ou, simplesmente, um “homem pizza” (aquele que você liga e ele vem quentinho pra consumo), informe-se antes do time pelo o qual o rapaz torce e dê uma olhadinha na tabela no campeonato. Sua noite de luxúria poderá depender disto. Se o time tiver sofrido muitos gols, não desanime. Há um sempre um Marcão disponível por aí e que, provavelmente, para sua sorte, não dá a mínima para futebol... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-5365297894579708529?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/5365297894579708529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=5365297894579708529' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5365297894579708529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/5365297894579708529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/03/da-luxria.html' title='Da Luxúria'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAEY8f1I3I/AAAAAAAAAFU/biIDs--oFqs/s72-c/Lux%C3%BAria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-8797287887291700586</id><published>2007-02-27T00:11:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.459-02:00</updated><title type='text'>Da arte de tomar sol dentro de casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para os que exercitam a preguiça&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ela ama os últimos dias da primavera quando as manhãs de sol são suaves. Prenúncio dos dias de calor insuportável que virão. Nestes dias, o sol se dá no ponto exato da dobra entre o prazer e a preguiça. Entra pela janela lateral de um quarto e perfaz um ângulo perfeito para a contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Preguiça: s.f. estado de prostração e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que leva o indivíduo à inatividade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Confesse caro leitor: quantas vezes, num dia de semana, inclusive aqueles mais ocupados, você não olhou para aquele facho de luz incidindo sobre a sua cama e se deixou deitar e ficar ali simplesmente sentido o sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ócio: s.m cessação do trabalho; folga, repouso, quietação, vagar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Pois ela levou isto às últimas conseqüências e criou uma verdadeira ciência, um douto saber sobre esta arte, milenar. Sim, a palavra é esta: arte. Tomar sol dentro de casa exige aprimoramentos e estudos constantes. Em suma, método.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Método: s.m conjunto de regras e princípios normativos que regulam o ensino ou a prática de uma arte&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o colchão. Este deve ser colocado de modo que a incidência dos raios solares ocupe o maior espaço possível. Não precisa ser um grande colchão já que este é um prazer único, de solitárias vivências. Também não precisa ser um colchão bom. Pode ser um velho colchão, já moldado às exigências do seu corpo, como se fosse uma fôrma. O importante é que ele se dê ao sol (há colchões que o negam, retraindo-se à incidência da luz). Pois ela tinha o colchão perfeito: dobrável, onde seu corpo se estendia perfeitamente. O Colchão. Cada parte de si, cada fragmento, era preenchida pelo colchão, como se este fosse uma metáfora do seu corpo: um outro senão o mesmo.&lt;br /&gt;Depois, a janela. Este talvez seja o item mais difícil e mais importante. Assim como há colchões que negam a luz, há janelas completamente opacas, às quais a luz nada diz. A janela deve ser transparente, dar-se à luz, permití-la, e simplesmente ser um meio, jamais um fim. A janela deve ser um anteparo à luz excessiva do mundo. Um filtro que só permite a passagem da luz na medida exata. Uma retina que se contrai diante do que é excesso. Enfim, a janela deve ser uma passagem tênue, imperceptível, porém eficaz, entre dois mundos: um de sensações imediatas e excessivas que não dão margem à lentidão (a que chamamos labor), outro, infinitamente mais prazeroso, de sentidos inexatos e vagarosos (a que chamamos preguiça). Para ela, a janela do seu quarto não era das melhores (ela preferia a da sala, muito maior, porém exposta ao alarido da rua), mas tinha a vantagem de se abrir para os fundos do prédio onde morava e não vislumbrava senão telhados, quintais e roupas estendidas no varal. Portanto, esta era a sua janela. E melhor: aprendera, assistindo a um filme chamado “Moça Com Brinco de Pérola”, que a limpeza da janela pode criar um efeito de luz todo especial. Assim, marcara os dias em que limpava a janela: gostava dela nem tanto limpa por completo (o que significaria uma luz impessoal) e nem tanto suja. Buscava o meio-termo, um ponto onde a sujeira criava a luminosidade que queria. Ela ria de si própria quando pensava nesta “sujeira metódica”. “Coisa de virginianos...”, dizia. Mas se vangloriava quando percebia as minúcias e as delicadezas do seu método.&lt;br /&gt;Colchão e janela formavam as peças do seu jogo. Combinadas, restava a ela o ócio por atividade e a preguiça por exercício. Às vezes, deitava-se nua. Outras, com um pijama velho, de sapinhos estampados. Às vezes, folheava uma revista. Raras, um livro (Cortázar era o seu predileto). Porém, sua preferência era o devaneio. Puro e simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;O sol. O de Curitiba é peculiar.&lt;br /&gt;Não esquenta se for primavera. Pode-se ficar horas sob sua batuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso isto. Lembro o de Buenos Aires. Ah, o de Buenos Aires era ótimo. Dava uma luz mais escura, e criava um jogo de tonalidades mais neutras. Bem definidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol de Curitiba será portenho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Nunca prestei atenção nos sóis de outros lugares. Não lembro do sol de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O de Belo Horizonte não é muito bom não. Ilumina demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.......................................................................................................O sol daqui é ótimo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!?!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E ali permanecia durante as manhãs, deitada, inerte, lenta. Pensamentos vagarosos, sensações esboçadas. Um quase limiar de algo que o método a impedia de concretizar. Tudo se desmanchava no ar dos seus pensamentos. O sol, a janela, o colchão, ela própria. Devaneio. Devôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Devanear: v.i divagar com o pensamento; perder-se em cogitações.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não se perdia. Pelo contrário. Nestes momentos de ócio e preguiça e devaneios, sentia-se tão bem consigo mesma, tão viva, que desejava espalhar a sua arte, levá-la a amigos e conhecidos. Convidá-los a tomar sol consigo e compartilhar com eles o simples prazer da lentidão sob o sol e as delícias de não se fazer absolutamente nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-8797287887291700586?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/8797287887291700586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=8797287887291700586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8797287887291700586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/8797287887291700586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/02/da-arte-de-tomar-sol-dentro-de-casa.html' title='Da arte de tomar sol dentro de casa'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-3498517548251307108</id><published>2007-02-13T06:18:00.004-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.464-02:00</updated><title type='text'>Lição de Machado</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RdF0bfdfwSI/AAAAAAAAABA/KWe-XlcCtr8/s1600-h/alarme.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030930274400059682" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RdF0bfdfwSI/AAAAAAAAABA/KWe-XlcCtr8/s200/alarme.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fui além; gabei-lhe os olhos. Como então passasse os dedos pelas sobrancelhas, gabei-lhe a mão, e iria aos pés, se me mostrasse os pés, mas não me mostrou mais nada.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Machado de Assis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-3498517548251307108?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/3498517548251307108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=3498517548251307108' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3498517548251307108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/3498517548251307108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/02/lio-de-machado_13.html' title='Lição de Machado'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RdF0bfdfwSI/AAAAAAAAABA/KWe-XlcCtr8/s72-c/alarme.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116880599179525856</id><published>2007-01-14T18:09:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.468-02:00</updated><title type='text'>Pequeno Dicionário dos Afetos: Esperar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2493/2561/1600/465727/Edith%20Sitwell%20-%20Bill%20Brandt.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2493/2561/200/730439/Edith%20Sitwell%20-%20Bill%20Brandt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; v.t.i (depende do caso: há pessoas que esperam indefinidamente) (1) Ato de aguardar algo ou alguém, mas que na verdade revela apenas nossa submissão ao Tempo. A espera pode ser amorosa: há quem espere com angústia um telefonema, um sinal, um aceno com a cabeça do ser amado. A espera pode ser fatal: há quem espere a morte ou sua notícia. Há também uma espera que rima com esperança: gestantes, por exemplo. Ou o fim de uma viagem. Em todas elas, é o Tempo que se antepõe às vontades. E em todas elas, a angústia se faz presente (aqueles que já esperaram alguém amado em um café ou em um bar que o digam)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinonímia: Transporte Público em Florianópolis (o cúmulo da angústia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonímia: Philip Glass &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116880599179525856?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116880599179525856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116880599179525856' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116880599179525856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116880599179525856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/01/pequeno-dicionrio-dos-afetos-esperar_14.html' title='Pequeno Dicionário dos Afetos: Esperar'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116866063479205876</id><published>2007-01-13T00:59:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.478-02:00</updated><title type='text'>Fora do Texto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele acordou cedo disposto a aproveitar o dia. Trabalhar pelas manhãs lhe era mais agradável. O dia ainda fresco, a casa deserta, a luz entrando pela janela da cozinha e dando uma luminosidade toda especial. Enfim, era pela manhã que ele tinha as melhores idéias. Fez o ritual do café rapidamente - sim, o café da manhã para ele era um ritual - e sentou-se à mesa diante de uma página aberta no computador. A página, em branco, tinha uma expressão que lhe viera no dia anterior: "Fora do Texto". Ali estava ele e a página em branco. Não sabia bem ao certo o que escrever. Por quê "fora do texto"?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Resolveu mudar o título. Mas "fora do texto" lhe agradara. Resolveu manter a expressão. Tinha algo ali naquela frase e ele tinha, sim, uma idéia em mente, mas por onde começar? Ele odiava este momento: a primeira frase, a primeira palavra. Nunca sabia para onde ir, exatamente porque poderia ir para qualquer lugar. O papel em branco lhe parecia o espaço perfeito da liberdade. Esta era tanta que o sufocava. Para onde ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080068831229322114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 106px; TEXT-ALIGN: center" height="142" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAHr8f1I4I/AAAAAAAAAFc/bqaD_ax1Ggk/s200/banco+de+pra%C3%A7a.jpg" width="168" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele pára e durante minutos mira o papel em branco. Nestes momentos poderia apelar para certos recursos: um copo de café, um pouco de tabaco em seu cachimbo, uma música dos Beatles, uma mirada na janela para o prédio que se apresenta defronte a sua casa. Mas não. Ele recua diante de tais estrategemas. Fica ali, imóvel, inerte, absorto diante de uma simples página em branco. Ela o desafia. Tem em mente uma mulher no centro de São Paulo. Da onde tirou esta imagem? Talvez de alguma conhecida, talvez de um filme. Não sabe ao certo. Mas pensa num personagem feminino no centro de São Paulo. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O centro de São Paulo parecia a ela um labirinto no qual desejava se perder. Viver somente, deixar-se levar. O centro de São Paulo lhe dava medo e fascínio. Um prazer quase doloroso: prédios enegrecidos, calçadas imundas, postes antigos. Tudo ali lhe agredia, mas ao mesmo tempo lhe acariciava a alma. Era tudo vivo, muito vivo. Uma vida que só se percebe na decadência. Ela resolve subir a São João, passa pelo Largo Paissandú, dobra na Ipiranga e se assusta com o caos das obras da Praça da República. Foge dali rapidamente, e toma a Vieira de Carvalho onde observa o movimento dos travestis nas portas das boites que, ainda há pouco, estavam abertas. Chega finalmente ao Largo do Arouche, onde se senta diante de um quiosque que vende flores. São nove horas da manhã de uma segunda-feira e o Largo do Arouche é de um sossego só. Do seu banco ela apenas observa a preguiça dos funcionários do quiosque, uma jovem bonita sentada próxima e que lhe dá a impressão de estar chorando, o trabalho lento de dois garis, uma mulher que passeia com sua filha. Ela fecha os olhos e se deixa embalar pelos sons da maior cidade que conhece e que naquele momento só lhe passa a paz de uma cidade do interior. "A cidade não é grande", pensa. "São as pessoas que não a vivem". Sim, porque para ela uma cidade deveria ser vivida. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele estanca e relê o que escreveu. Não lhe diz nada. O centro de São Paulo só lhe passa a imagem de um inferno. "Prazer por prédios enegrecidos"? Pausa para os Beatles. Ele sempre destravava quando escutava certas canções de Lennon e McCartney. "Dear Prudence" era infalível. Talvez porque prudência fosse o que buscava nestas horas. Não se deixar levar pelo primeiro impulso. Remoer as palavras e as cenas. Ele adorava criar cenas e personagens. "&lt;em&gt;The sun is up, the sky is blue, is beatiful and so are you" &lt;/em&gt;canta Lennon. Resolve pensar em outra personagem. Alguém que não vê beleza em "prédios enegrecidos". Talvez uma mulher infeliz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desde que descobrira que Anselmo lhe traía, Vera tomou a pequena Letícia como uma espécie de proteção de si própria. Estar junto à filha passou a ser o sentido da sua vida e um antídoto contra suas próprias ações. Já pensara em se matar. Já pensara em armar um escândalo. Já pensara no divórcio. Mas para tudo isto faltava-lhe coragem e sobrava-lhe amor por Anselmo. Quanto mais ele a maltratava, mais aos seus pés ela desejava se jogar. Pois Letícia, "Leti" como a chamava, lhe salvava destes pensamentos e lhe exigia a atenção que gostaria de dar ao marido. Assim, passear com a filha era um dos raros momentos de equilíbrio que tinha em sua vida. Naquela manhã de segunda, as duas vão passear no Largo do Arouche. É sossegado andar lá e nem parece o centro de São Paulo. E da sua casa, na rua Helvétia, até o Largo é próximo e bom de caminhar pela manhã. No Arouche, nada lhe chama muito a atenção, mas Vera estranha aquela moça sentada de olhos fechados no banco defronte ao quiosque. Mulheres sozinhas lhe parecem incógnitas. Não gosta daquilo. Porém, sente pena de uma outra jovem sentada próxima e que chora copiosamente.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Por que choraria? Lembra de Anselmo e tem vontade chorar também.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele gosta do nome Letícia. E lembra que uma vez leu no jornal, no dia das mães, os depoimentos de algumas mulheres que diziam amar mais os maridos do que os filhos. Ficara impressionado com aquilo e compadecido das mulheres. Alguém que nega a maternidade carrega um estigma e isto lhe produz compaixão. Relê o texto e pensa que Vera talvez fosse assim e por isso não entende como uma mulher pode ficar sozinha. E por isso se compadece de outra que sofre, mesmo que não saiba o porquê. Porém, se for isto, a filha não pode ser um lugar de equilíbrio. Pelo contrário. Será que vale a pena mudar? Ele não sabe. Ademais, não estará muito meloso isto? Uma mulher que não consegue largar o marido? Tem cara de dramalhão mexicano. Pode ser, mas ele sabe que existem muitas mulheres assim. Conhece algumas que são mais esposas do que mães. Mesmo assim, ele está na dúvida. Talvez uma outra personagem. Uma jovem moça - o dia é de obsessão pelo feminino. Ele resolve tentar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Anna já andara todo o centro de São Paulo desde que vira André com aquela outra moça. "Vadia", pensava. Anna não se conformava de estar sem André. Seguiu-o à noite e o viu com a moça entrando num bar da Paulista. Não teve coragem de entrar. Mas também não quis ir embora. Quis ficar ali e ver André com a outra. Era doído e Anna sofria com isto. Mas ela precisava ver isto. Há semanas ela suspeitava da existência de outra mulher. Estava ali somente para confirmar. Quando os viu, saiu correndo e caminhou sem direção por todo o Centro. Agora, às nove da manhã, estava ali, sentada num banco do Largo do Arouche. Chorava, copiosamente. E no seu choro não deu a menor atenção às pessoas que a observavam: os funcionários do quiosque de flores, uma moça sentada em silêncio num banco próximo, uma mulher que passeava com sua filha. Esta última ficou lhe fitando, como se quisesse saber o porquê de sua tristeza. Teve ganas de xingá-la, de dizer "não é de sua conta, infeliz!". &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele desiste. Acha que de novo criou um apelo feito de imagens fáceis. Por que é sempre um homem a causa do sofrimento feminino? De onde ele tirou isto? Por que uma Anna abandonada ou uma Vera traída? Fica durante alguns minutos pensando nisto. Talvez o problema seja dele, em sua solidão, que o faz ver todos envolvidos em alguma relação. Talvez a escritura, para ele, acabe apenas refletindo os seus medos. Mas porque se limitar a isto? Ele levanta e vai à janela de casa e apenas observa, enquanto pensa neste ato que tem usado para estar no mundo, a escrita. E, por um instante, lhe vem a idéia de que lhe falta escuta, atenção às pessoas. Elas estão ali, a matéria-prima do que gosta de escrever. Basta observá-las. Ouví-las. Vem-lhe, então, a idéia de que a escritura está fora do texto: será que estes esteriótipos femininos que ele cria são devidos a sua pouca atenção ao que acontece fora de si? Talvez. Ele sempre admirou as pessoas que sabem ouvir e observar. Sempre quis ser uma delas, mas nunca foi muito bom nisto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Talvez um dia, quando for mais atento, escreva um texto para além de qualquer lugar-comum. Talvez um dia, quando apenas viver e transformar a escritura num retorno da vida, sem mistificações, sem compaixões, talvez aí escreva um texto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele resolve sair. Andar um pouco pelo centro. Desde que se mudara para o Largo do Arouche, perdeu o hábito de caminhar, o que é estranho, já que o Largo é tão sossegado. Há um quiosque, há os garis, um ou outro travesti da Vieira de Carvalho. O lugar exibe uma calma estranha para o centro da maior cidade que ele conhece. Quando sai do prédio, observa o Largo e o acha aprazível, mas não vê nada demais. Uma pena, porque se prestasse atenção, veria que próximo ao quiosque há três mulheres sentadas num banco. Uma delas segura uma criança. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116866063479205876?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116866063479205876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116866063479205876' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116866063479205876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116866063479205876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/01/fora-do-texto.html' title='Fora do Texto'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAHr8f1I4I/AAAAAAAAAFc/bqaD_ax1Ggk/s72-c/banco+de+pra%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116865546954665428</id><published>2007-01-13T00:07:00.000-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.484-02:00</updated><title type='text'>Grandes Momentos da Inveja: o Futebol e João Cabral de Melo Neto</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2493/2561/1600/516427/Man??.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2493/2561/320/150970/Man%3F%3F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;para o Helder e Rafael Benthiem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das minhas paixões, destas que nos arrebatam e consomem o calor dos dias, é este esporte de invenção bretã e que aqui ganhou o termo futebol. O porquê de gostar tanto? Sei lá. Eu só sei que há poucos prazeres maiores do que uma boa partida de futebol. E também há poucos lugares onde se exala tanta humanidade quanto no esporte bretão. Nelson Rodrigues, o nosso maior cronista no assunto, tem uma frase que talvez diga tudo: "A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakesperiana". Não é preciso dizer mais nada.&lt;br /&gt;E é exatamente por exalar tanta humanidade que o futebol me parece difícil de captar na palavra escrita. Talvez por isso o assunto não seja tão explorado. No Brasil, dos grandes, somente Nelson Rodrigues lhe dedicou um espaço central em sua obra. Seus dois livros - "A pátria de chuteiras" e "À sombra das chuteiras imortais" - são sublimes, sem contar crônicas diversas sobre futebol e bastidores. Outros grandes escritores deram ao tema um tratamento secundário: Drummond teve um livro de poesias sobre futebol publicado postumamente; João Ubaldo Ribeiro, Alcântara Machado, Rachel de Queiroz, Rubem Fonseca, Ignácio de Loyola Brandão, João Antônio e Luiz Fernando Veríssimo compuseram pequenos contos sobre o assunto (o de Luiz Fernando, sobre as regras da pelada, é uma das lembranças mais fortes que tenho da minha infância). Mas é unanimidade se afirmar que o futebol ainda é um tema para ser mais explorado pela literatura.&lt;br /&gt;Bem, isto cabe aos grandes escritores e aos críticos. De minha parte, que já vivo com a inveja de alguns dos autores acima citados e seus textos, gostaria de citar aqui um breve, mas absurdo poema, de João Cabral de Melo Neto (que inclusive, na juventude, foi aspirante do Santa Cruz de Recife). Talvez, ali, o casamento entre a palavra e o futebol esteja mais do que consumado. O poema se chama "A bola".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A bola não é a inimiga&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;como o touro, numa corrida;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;e, embora seja um utensílio&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;caseiro e que se usa sem risco, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;não é o utensílio impessoal,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;sempre manso, de gesto usual:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;é um utensílio semivivo,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;de reações próprias como bicho&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;e que, como bicho, é mister&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(mais que bicho, como mulher) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;usar com malícia e atenção&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;dando aos pés astúcias de mão.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Dar aos pés astúcias de mão" é tudo o que eu gostaria de dizer sobre minha paixão pelo futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S: reparem na foto. O zagueiro que está de frente para Garrincha é tcheco. Agora, eu pergunto a vocês: quando é que um tcheco, com cara de pânico, ficaria naquela posição com pernas arqueadas e mão na cintura?... Só o futebol faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116865546954665428?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116865546954665428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116865546954665428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116865546954665428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116865546954665428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/01/grandes-momentos-da-inveja-o-futebol-e.html' title='Grandes Momentos da Inveja: o Futebol e João Cabral de Melo Neto'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116769284098213312</id><published>2007-01-01T20:14:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.489-02:00</updated><title type='text'>5 Notas de Rodapé para Fim de Ano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1. Desdete, 21, é caixa de supermercado e teve de trabalhar no dia 31 até às oito da noite. Desdete mora longe e chegou em casa às onze. Lá, um marido bêbado e quatro filhos lhe esperavam para o ano novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Eriberto, 28, é ex-bombeiro e foi expulso da corporação por um erro de trabalho que custou a vida de cinco pessoas, sendo dois colegas. Desempregado, fez bico num shopping como Papai Noel. Tarefa: pegar no colo, conversar e dar balas para criancinhas. Algumas choravam de medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. Anita, 20, é designer e odeia natal e coisas a fins. Por ela, Osama Bin Laden atacaria nesta época do ano. Anita é branca e pálida, freqüenta um bar chamado "Berlim", e adora bandas inglesas depressivas. Seu sonho é morar em Londres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4. Rute, 39, é puta e faz ponto há anos na praça 29 de março, de onde hora ou outra tem de sair por queixas da vizinhança. Natural de Rolândia, no interior, Rute é conhecida na noite pelo seu boquete. Ela não gosta das festas de fim de ano porque o movimento cai bastante. À propósito: Rute atende homens e mulheres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5. Adolfo, 62, é chileno e é partidário de Pinochet. Para ele, tudo que se diz do general são intrigas da oposição. "O que são alguns mortos se a taxa de desemprego caiu?", pensa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desdete, Eriberto, Anita, Rute e Adolfo desejam a todos um ótimo 2007. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S: Neste momento, estão todos sentados em um ônibus no centro da cidade, rumo ao trabalho ou em visita a amigos. Por curiosidade, o motorista é o Anselmo, 43, fugitivo da cadeia pública, onde cumpria pena por parricídio. Ninguém na empresa de ônibus sabe disto. O único que desconfia é o seu colega cobrador que, por via das dúvidas, sempre anda armado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116769284098213312?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116769284098213312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116769284098213312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116769284098213312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116769284098213312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2007/01/5-notas-de-rodap-para-fim-de-ano.html' title='5 Notas de Rodapé para Fim de Ano'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116724839743271513</id><published>2006-12-27T17:36:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.494-02:00</updated><title type='text'>Dear Prudence</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Dear Prudence” é uma linda canção dos Beatles. E confesso que é a minha favorita.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Querida Prudence,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos que não nos vemos. Há tempos. Quando a vi pela última vez, mal conversamos, pois achei que nos veríamos em breve. Mas não. Perdi sua direção e ainda sigo te procurando. Por onde andas? É possível que tenha vindo me visitar e eu não estivesse. Que azar, pois sua presença seria muito bem vinda. Sinto sua falta nesses dias abafados de fim de ano. Sinto falta da paz da sua presença. Lembro de quando vivíamos próximos um do outro. Era bom e eu não tinha tantos anseios. &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAJ9sf1I5I/AAAAAAAAAFk/JCC1ov0Kkks/s1600-h/Dear+Prudence.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080071335195255698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAJ9sf1I5I/AAAAAAAAAFk/JCC1ov0Kkks/s200/Dear+Prudence.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Curioso é que eu estranhava a sua reclusão. Você nunca queria fazer nada. Ficava em casa o tempo todo enquanto nós, moleques ainda, estávamos na rua. O sol lindo daqueles dias, o céu azul, tudo tão bonito e você lá, como que meditando. Hoje sei que sua reclusão era muito mais um silêncio prazeroso do que uma atitude de ascese. É, eu nunca soube lidar com os silêncios, eles me dão medo. Meu pai (lembra dele?) agora se chama silêncio. Ele mal fala e isto me dá medo. E eu não sei lidar com isso. Você, com certeza, saberia entender o silêncio dele, sua mudez, sua distância. Eu não sou capaz disto ainda.&lt;br /&gt;Sim, ainda. Porque entender e viver o silêncio é algo que se aprende. Tenho me esforçado tanto para isto, você nem imagina. Porém, como em tudo na vida, meu progresso é lento, muito lento. Mas espero chegar lá. Lidar com os silêncios, vivê-los como você.&lt;br /&gt;Mas não é dos seus silêncios que eu me lembro mais. Agora, depois desses anos todos, certas coisas se desfazem e se perdem na fluidez da memória. Quando penso em você, lembro do sossego a que sua presença me remetia. Talvez porque eu fosse menino ainda (não saí disto ainda, na verdade), talvez porque eu fosse tão reprimido. Não sei. Só lembro que quando sentávamos no fim de tarde e ficávamos ali, os dois naquela preguiça juvenil, era bom e eu me sentia feliz. Às vezes, acho que toda a minha vida tem se resumido na busca daquela preguiça de fim de tarde, uma preguiça feita de vagarosas sensações e pensamentos imperfeitos.&lt;br /&gt;Pois tudo o que eu queria agora era de novo a sensação daquelas tardes. Minha vida, Prudence, anda uma bagunça e estou atordoado. Não sei direito o que fazer. Por isso que eu gostaria de te rever. Ando num momento onde tudo o que faço está em suspenso, como se não tivesse direção. Pese aí também uma certa imaturidade, ou covardia, da minha parte: não sei lidar, admito, com as exigências da vida. Deixar-se levar, adaptar-se aos movimentos impostos, às exigências que se apresentam. Vejo as outras pessoas vivendo simplesmente: alguns casando, outros tendo filhos, fulano escrevendo seus livros, sicrano fazendo suas músicas. Tudo tão simples. Menos pra mim. Prudence, você não imagina como invejo estas pessoas. Elas parecem felizes. Se me perguntares se sou feliz, te direi que não sou. Se me perguntares o porquê, te direi que não sei. Talvez por isso eu esteja a sua procura. Talvez porque sua presença suscite em mim a lembrança de um tempo onde eu apenas vivia, sem grandes questões. Enfim, sinto falta daquelas tardes.&lt;br /&gt;Mas não se assuste querida Prudence. Estou no meio de um redemoinho, é verdade (e cujo fim ainda está muito longe), mas ainda tenho esperança em mim mesmo. Sentimento piegas, não? Pois é, mas eu preciso acreditar que depois deste redemoinho virá uma calmaria, simplesmente para que eu possa respirar um pouco, ganhar fôlego, olhar para o que virá.&lt;br /&gt;Seria bom se você viesse me visitar neste redemoinho. Seria útil. Venha, Prudence! Prometo não ser enfadonho e prometo que riremos lembrando daqueles dias quentes onde por perto estavam Zelo, Sassá, Pé e Antonieta; onde meu pai era falante e feliz; e onde eu não tinha a incômoda sensação de ser uma pessoa ruim. Talvez a sua presença seja o que eu precise para atravessar a tempestade.&lt;br /&gt;Eu fico por aqui, minha querida. Espero que estas palavras te encontrem, onde quer que você esteja. E espero que você realmente apareça.&lt;br /&gt;Um grande abraço daquele menino que você conheceu um dia e que ainda persiste em mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116724839743271513?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116724839743271513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116724839743271513' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116724839743271513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116724839743271513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/12/dear-prudence.html' title='Dear Prudence'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoAJ9sf1I5I/AAAAAAAAAFk/JCC1ov0Kkks/s72-c/Dear+Prudence.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116692257863442887</id><published>2006-12-23T22:57:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.498-02:00</updated><title type='text'>Anúncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Venho, por meio desta, anunciar que João Pedro de Andrade anda em crise com seus textos. Ele simplesmente não consegue terminar nenhum. Alegação clássica: não sabe para onde ir. Ou seja, falta inspiração. Hoje de manhã acordou decidido a por um fim nesta questão. Passaram-se as horas e ele continua defronte a uma folha em branco. Coitado... Sem sua inspiração, ele nada pode fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já dando por perdida sua inspiração, João Pedro de Andrade solicita a todas as almas caridosas que lhe ajudem a procurar a inspiração que ele tinha. Não era muita, é verdade, mas estava de bom tamanho. Ele não se lembra da última vez que a viu. Talvez tenha sido no início do mês. Ele não se lembra. O fato é que sua inspiração sumiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, não pode ter ido longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, ajudem-no. Qualquer auxílio será benvindo. Pode ser uma informação, um convite para um café, uma visita, uma boa prosa, ou até mesmo um manual de redação. Não importa, o importante é ajudar o rapaz, que é meio atrapalhado com as coisas da vida, é verdade, mas não quer o mal de ninguém. Enfim, ajudem o moço singelo, de nome João Pedro de Andrade, 32, flamenguista, de óculos, a encontrar sua parca inspiração.  As informações podem ser enviadas para este blog.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele tem certeza que as almas caridosas não lhe deixarão na mão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como dizem que união faz a força, conclamo a todos a rezar para Nossa Senhora do Bom Texto de modo a conceder uma graça ao rapaz! Ele anda precisado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allan.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S: mesmo sem sua inspiração, amanhã sua luta com as palavras será retomada. Quem sabe dessa vez...Rezemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116692257863442887?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116692257863442887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116692257863442887' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116692257863442887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116692257863442887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/12/anncio.html' title='Anúncio'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116394934096159390</id><published>2006-11-19T12:59:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.501-02:00</updated><title type='text'>Pequeno Dicionário dos Afetos: Rir</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/Avestruz%20-%20tito%20alvarez.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/200/Avestruz%20-%20tito%20alvarez.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Rir: v.t. (1) maior ato de subversão de que um ser humano é capaz. (2) ação de afirmação perante o gozo ou de defesa perante a dor. Neste último caso é o prenúncio de lágrimas futuras. (3) ação capaz de provocar ojeriza em pessoas do teatro e da universidade. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sinonímia: Ítalo Calvino&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antonímia: Cursos de ciências humanas em geral&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116394934096159390?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116394934096159390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116394934096159390' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116394934096159390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116394934096159390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/11/pequeno-dicionrio-dos-afetos-rir.html' title='Pequeno Dicionário dos Afetos: Rir'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-116368447467421823</id><published>2006-11-16T11:40:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.504-02:00</updated><title type='text'>Pequeno Dicionário dos Afetos: Lembrar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para o Jantsch, meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lembrar: v.t (1). designa um tipo de ação involuntária que atinge sobretudo os fracos de coração, ou seja, os que vivem. Em algumas pessoas pode ser compulsiva, a tal ponto que transformam as lembranças em alimento (2) indica uma propensão insensata a negar o efeito do tempo, o que causa hábitos estranhos tais como a arte. Em fotógrafos tal propensão chega à beira da insensatez (embora muitos neguem) (3) mania comum em pessoas de Minas Gerais, habitantes do Juvevê e românticos em geral. Dizem que é patológico e tende a aparecer diante de certos filmes, músicas, livros ou poemas. Em caso mais críticos, um simples gesto, cheiro, gosto, novelo de lã, ou mesmo um certo ângulo pelo qual a luz do sol incide num quarto em um preguiçoso domingo de manhã, são capazes de provocar lembranças avassaladoras (4) ação tão presente na vida de certos indivíduos que um exímio saudosista criou a expressão remembrar, que é tornar uma lembrança parte de si, um membro do próprio corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinonímia: Viver &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antonímia: Cegar&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-116368447467421823?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/116368447467421823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=116368447467421823' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116368447467421823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/116368447467421823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/11/pequeno-dicionrio-dos-afetos-lembrar.html' title='Pequeno Dicionário dos Afetos: Lembrar'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-115971789929336374</id><published>2006-10-01T12:49:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.507-02:00</updated><title type='text'>Grandes Momentos da Inveja</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;para Fernando Nicollazi, Tiago Vehko e Homero Martins, três grandes figuras que sempre me causaram inveja.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hora ou outra deparo-me com textos que me encantam, comovem, divertem, aborrecem, enfim, causam-me uma impressão tão forte que sinto inveja. É isso que você leu, caro leitor, inveja. Eu admito: gostaria que tais textos fossem meus. Como leitor, de alguma forma, eles o são. No entanto, eu sinto mais: queria tê-los escrito, que tivessem saído das minhas idéias. Inveja, pura e simples. Fazer o quê?&lt;br /&gt;Por isso, resolvi criar dentro deste blog um espaço intitulado “Grandes Momentos da Inveja”, no qual transcreverei ou comentarei textos, ou trechos de textos, que me causaram inveja. Compartilho assim minhas leituras, além de me redimir deste pecado que me tem levado a atos imprudentes e insanos ao longo da vida.&lt;br /&gt;Ora, caro leitor, sejamos francos sobre a inveja: trata-se de um sentimento que todos escondemos sob sete chaves. Mas é inegável que todos sentimos inveja de vez em quando. Sejamos honestos. Só quem foi um alface na outra encarnação pode dizer “eu não sinto inveja”. Eu confesso: senti e sinto inveja a todo instante. Aliás, sinto até orgulho da minha inveja, fruto de um trabalho penoso de concentração e aprendizado que já dura anos. Ser invejoso não é para qualquer um e exige grandes sacrifícios. Ademais, não basta ter inveja. É preciso desejar também que tenham inveja de você. Este é o grau sublime da inveja, destinado a uns poucos escolhidos. Eu, um zero à esquerda, obviamente não sou um deles e não provoco inveja em ninguém, mas juro que gostaria. Na verdade, sinto inveja destes escolhidos, capazes de exercerem o pecado da inveja de forma tão única, já que eles vivem e provocam a inveja.&lt;br /&gt;O bom invejoso, é bom que se saiba, não sente inveja de qualquer um. Não é assim. É preciso selecionar de quem se terá inveja. Ter inveja de certas pessoas em certas ocasiões chega a soar mal. Imaginem alguém sentir inveja da senadora Heloísa Helena com seus casaquinhos, ou do Alckmin e seu penteado, ou ainda, do John Lennon numa cama com a Yoko pelada ao seu lado. Cruzes. Não, algumas pessoas não são feitas para causar inveja. O bom invejoso deve, em primeiro lugar, aprimorar sua seleção da inveja. E isto, é um exercício que demanda tempo. Por isso sinto orgulho da minha inveja. Ela não é para principiantes.&lt;br /&gt;A melhor definição para inveja foi formulada por Zuenir Ventura. Segundo ele, a inveja relaciona-se com outros dois pecados, o ciúme e a cobiça. Os três têm a ver com a relação que temos com o outro e com a posse. Tudo depende do ponto de vista. O ciúme aparece em relação àquilo que temos e que o outro não tem. Ou já teve, mas não tem mais. Lembro-me de um amigo que sempre sente ciúmes quando sua namorada fala de um ex-namorado de 1m80, fortão, conhecido pela alcunha de Talo (é, com um apelido destes, ciúme é pouco...). Enfim, temos ciúme do que é nosso. A cobiça, por sua vez, tem a ver com aquilo que o outro tem e nós não temos. Cobiçamos o que é do outro. Algo próximo ocorre com a inveja: também invejamos o que é do outro. A diferença é que se na cobiça pouco importa se o outro tem, desde que tenhamos também, na inveja queremos que o outro também não tenha. Enfim, temos inveja de algo que não temos e que o outro também não deve ter.&lt;br /&gt;Esta definição de inveja do Zuenir é tão bacana que... senti inveja. Queria ter escrito isto. Quanto ao Zuenir... bem, ele poderia ter escrito os meus textos. Para vocês verem que além de invejoso, eu quero o mal para as pessoas...&lt;br /&gt;Tenho tantas histórias de inveja para contar que não caberiam aqui. É que comecei muito cedo. Um verdadeiro fenômeno de precocidade. Algumas histórias a gente nunca esquece. Por exemplo, senti inveja pela primeira vez aos 6 anos quando o Tatá, meu amiguinho, ganhou um autorama de presente de&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoBu5cf1I9I/AAAAAAAAAGE/DFjfaRhhbEg/s1600-h/Autorama.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080182312855217106" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoBu5cf1I9I/AAAAAAAAAGE/DFjfaRhhbEg/s200/Autorama.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Natal. Quando eu tinha 6 anos, tudo o que eu queria na vida era um autorama. Senti tanta inveja do Tatá que, num acesso de criatividade, pisei no autorama e quebrei uns três carrinhos. Depois, aos 10 anos, tive inveja do Toninho, moleque que jogava futebol comigo e sempre dava olé em todo mundo. Ora, quando eu tinha 10 anos, tudo o que eu queria na vida era dar olé em todo mundo. Senti tanta inveja do Toninho que, num acesso de criatividade, acertei ele bonito num campeonato que teve lá na rua. Fui expulso do jogo, é verdade, mas o Toninho não jogou mais aquele dia. E depois dizem que a “inveja é uma merda”. O autor deste provérbio deve ter sido um alface na outra encarnação. A minha história é exemplar. Vejam como a inveja é edificante: com ela aprendemos muito sobre nós mesmos. Não fosse a inveja, eu não descobriria minha criatividade.&lt;br /&gt;Numa certa fase da vida, a inveja se soma a outras questões muito prementes, como as mulheres, por exemplo. Já adolescente, senti inveja do meu grande amigo Cassiano e seus olhos azuis que conquistavam todas as meninas. Para completar o serviço, ele tocava guitarra muito bem, o que só provocava mais suspiros femininos. Ora, quando eu tinha quinze anos tudo que eu queria na vida era conquistar todas as meninas e tocar guitarra de modo a provocar suspiros femininos. Sorte do Cassiano que eu não tive nenhum acesso de criatividade...&lt;br /&gt;Às vezes, a inveja me levou a algumas imprudências. Aos 13 anos, descobri horrorizado que só eu, na minha rua, nunca havia beijado uma garota. O leitor há de convir que esta é uma das grandes questões da vida de uma pessoa. E neste caso foi pior, pois senti inveja de todos os meus amigos. Desesperado, resolvi, então, apelar para a ignorância: decidi beijar a primeira garota possível. Obviamente, a possibilidade não foi das melhores: beijei uma ruiva, falsa (nos dois sentidos da expressão...), chamada Priscila, a garota mais chata da escola, e virei alvo de gozações de todos os meus amigos. Eis um exemplo das muitas imprudências que cometi devido à inveja. E neste caso ninguém ficou com inveja de mim, o que só prova que até nisto não sou dos melhores.&lt;br /&gt;O mesmo ocorre com este blog. Na verdade, confesso, ele é fruto de uma grande inveja que sinto de várias pessoas. Sinto inveja de Drummond, de Raduan Nassar, de Fernando Pessoa, de Fernando Sabino, de Albert Camus, enfim, pessoas cujos textos gostaria que fossem meus. Sinto tanta inveja deles que resolvi escrever também. Agora compreendo porque os textos que escrevo são tão ruins: eles são como a ruiva da escola. De novo, ninguém vai ficar com inveja de mim e até imagino a gozação alheia. Eu realmente não aprendo.&lt;br /&gt;Enfim, sem mais delongas, a inveja que sinto destas pessoas me levou então a criar este blog e, agora, este espaço chamado “Grandes Momentos da Inveja”. Já que não posso escrever estes textos, transcrevo-os. Para começar, transcrevo um texto curto, delicioso, chamado “Mentiras”, escrito por Fernando Bonassi, e que me provocou imensa inveja. E mais, além de delicioso parece que foi feito sob medida para mim. É verdade....Tá bom, eu admito, junto com a inveja, padeço do pecado da presunção.&lt;br /&gt;Segue, então, “Mentiras”, de Fernando Bonassi. O texto foi publicado no livro “100 coisas” que saiu, em 2000, pela editora paulista Angra. São textos curtos, de uma página apenas, sintéticos e perfeitos para uma leitura no ônibus, no trabalho ou outros lugares vividos de forma efêmera. Enfim, "Mentiras":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Eu minto. Minto sobre o passado, sobre o presente e o futuro. As mentiras saem de mim de forma tão natural, que se incorporam à minha vida com o peso de experiências. Filmes que não vi, lugares que não visitei, mulheres que não tive, presentes que não ganhei, sofrimentos que não passei. Minto assim...sem nenhum charme. Diria mesmo que, vez por outra, os acontecimentos são mais interessantes que as mentiras que coloco no lugar. Minto pra cacete. Minto inutilmente. Minto de me envergonhar. Agora mesmo eu nem sei se estou falando a verdade...&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos caro leitor. Morra de inveja: foi ou não foi feito sob medida para mim? Se você for ao livro do Bonassi talvez ache algum para você. Este, lamento, é meu. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-115971789929336374?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/115971789929336374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=115971789929336374' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115971789929336374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115971789929336374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/10/grandes-momentos-da-inveja.html' title='Grandes Momentos da Inveja'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_YFqkMt7vi70/RoBu5cf1I9I/AAAAAAAAAGE/DFjfaRhhbEg/s72-c/Autorama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-115568993365831214</id><published>2006-08-15T21:44:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.512-02:00</updated><title type='text'>Retrato do artista quando sombra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/Digitalizar0006.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/400/Digitalizar0006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia: Valéria Oliveira Santos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra nada revela dos seus intentos. Nada revela dos seus mistérios, muito menos de seus medos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra revela apenas aquilo que, no artista, se impõe e salta à vista: que sua arte não se presta à cena, pois obscena; não se presta à lida, pois inválida; não se presta ao verso, pois in-verso; não se presta ao canto, pois silêncio. Que sua arte não se presta ao tempo, pois in-vento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra revela apenas o que sua arte remembra, a que sua arte faz sombra. Assombra.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra revela o vão esforço da vista ante a impunidade da sombra. Sossombra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra revela, porém, a luz que salta e inverte a sombra, vertendo-se em nuvem. Penumbra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O retrato do artista quando sombra revela a luz que dá à arte a sua magia para além de toda sombra e esquecimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Alumbramento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-115568993365831214?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/115568993365831214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=115568993365831214' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115568993365831214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115568993365831214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/08/retrato-do-artista-quando-sombra.html' title='Retrato do artista quando sombra'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-115544031192196258</id><published>2006-08-13T00:28:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.591-02:00</updated><title type='text'>Ins-crever</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/Digitalizar0004.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/Digitalizar0004.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/320/Digitalizar0004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/Digitalizar0005.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/320/Digitalizar0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; &lt;em&gt;trechos de "Os Sertões"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;As palavras: como me encanta inscrevê-las, mesmo que não sejam minhas, sobre esta superfície chamada papel. Como me encanta descobrir, tal como um copista, os ritmos, os movimentos, a direção da escrita de outrem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-115544031192196258?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/115544031192196258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=115544031192196258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115544031192196258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115544031192196258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/08/ins-crever.html' title='Ins-crever'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-115540686616519909</id><published>2006-08-12T15:18:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.603-02:00</updated><title type='text'>O papel em branco</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/francis_bacon_self_portrait_composite.1.jpg"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/200/francis_bacon_self_portrait_composite.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2493/2561/1600/pg3.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;Lutar com palavras é a luta mais vã... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a escrita não lhe vem? E quando toda a comunicação, avessa do bastar-se em si em mim imigo, se dilui diante da ausência do outro? E quando o texto flui naquele rio de desprezo a que todos, por um instante, mergulhamos, e nada, nem versos, nem palavras, rabisco algum, escapa do seu destino atroz: o esquecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando palavra alguma basta? E quando o espanto, quiçá o medo, ante o mundo não mais pode ser traduzido em códigos cuneiformes e h-i-e-r-o-g-l-i-f-o-s e arabescos e traços fenícios e doxias do Lácio e ideogramas delicados como vasos da dinastia Ming?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando sobre o papel nada mais houver, senão o branco testemunho da incapacidade de amar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-115540686616519909?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/115540686616519909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=115540686616519909' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115540686616519909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/115540686616519909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/08/o-papel-em-branco.html' title='O papel em branco'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-114980698715649673</id><published>2006-06-08T19:47:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:04:15.606-02:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a Intransigência (com leves toques de arrogância)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;– Orlando Silva é “Nervos de Aço”. Beatles é “The End”. Riachão é “Cada macaco no seu galho”. Radiohead é “Subterranean Homesick Alien”. Bob Dylan é “Ballad of a thin man”. Cascatinha e Inhana é “Índia”. Jimi Hendrix é “Message to Love”. Chico é “Xote da Navegação”. Paulinho da Viola é “Roendo as unhas”. Lou Reed é “Sattelite of Love”. Thelonius Monk é “Epistrophy”. Lucho Gatica é “Tu me acostumbraste”. Violeta Parra é “Dos cruces”. Tom Waits é “Temptation”.&lt;br /&gt;– Stones é “Brown Sugar”. Tonico e Tinoco é “Em vez de me agradecer”. Billie Holiday é “Am I blue?”. Arnaldo Antunes é “O seu olhar”. Black Sabbath é volume IV. Miles Davis é “Stella by Starlight”. Carmem Miranda é “O mundo não se acabou”. Inocentes é “Pânico em SP”.&lt;br /&gt;– Gal é “Lágrimas Negras”. Sonic Youth é do caralho. Piazzola é “Zita”. Portishead é “Glory Box”. Pat Metheny é chato. Talking Heads é “Take me to the River”. Cartola é “Preciso me encontrar”. Titãs é “Lugar Nenhum”. Luiz Gonzaga é “Dezessete e Setecentos”. Ella Fiztgerald é “Midnight Sun”. Milton Nascimento é “Cais”.&lt;br /&gt;– Massive Atack é “Polaroid Girl”. Tião Carreiro e Pardinho é “Pagode”. Morphine é viciante. Jorge Ben é “Cinco Minutos”. Lou Reed, de novo!?, é “Perfect Day”. Bezerra da Silva é “Pega ladrão”. Alberta Hunter é “Sweet Georgia Brown”. Clementina é “Olhos de Azeviche”. Dead Kennedys é “California Über Alles”.&lt;br /&gt;– Roberto Carlos é rei e Ornette Coleman é indefinível.&lt;br /&gt;– Francisco Alves e Mário Reis são “Fita Amarela”. Joe Cocker é “Pardon me sir”. Duke Ellington é “Cotton Club”. Madonna é “Holiday”. Banda de Pífaros de Caruaru é “Pipoca Moderna”. Nelson Cavaquinho é “Flor e Espinho”. Dizzie Gilespie é “Manteca”. Odair José é “A Secretária”.&lt;br /&gt;– Ratos de Porão é “Aids, Pop, Repressão”. Bjork é “Bacherollete”, embora seja pálida demais.&lt;br /&gt;– Gardel é “Cuesta Abajo”. Jackson do Pandeiro é “Forró em Caruaru”. Michael Jackson é “Don’t Stop ´Til Get Enough”. Charlie Parker é “Ornitology”. Television é Tom Verlaine que, convenhamos, é o cara. Gil é “Aquele Abraço”. Sidney Magal é “Sandra Rosa Madalena”. Pink Floyd é “Fat Old Sun”. Lou Reed, putz! Ele de novo?! é “Walk on a Wild Side”.&lt;br /&gt;– João Gilberto é.&lt;br /&gt;– Caetano é “Triste Bahia”. Adoniran é “Vide Verso Meu Endereço”. Sarah Vaughan é “Lullaby of Birdland”. Alvarenga e Ranchinho é “Drama de Angélica”. John Coltrane é “My Favorite Things”. Ângela Maria é “Babalú”. Pat Metheny, repito, é chato, e Capiba é “Madeira que Cupim Não Rói”. Stevie Wonder é “Supersticious” e James Brown chega a ser uma ignorância.&lt;br /&gt;– E tenho dito!...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;P.S antes que eu me esqueça: Franz Ferdinand é novo demais para entrar nesta conversa, mas Cat Power é “Wild is the Wind”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-114980698715649673?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/114980698715649673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=114980698715649673' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/114980698715649673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/114980698715649673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/06/ensaio-sobre-intransigncia-com-leves.html' title='Ensaio sobre a Intransigência (com leves toques de arrogância)'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24672173.post-114977596856028984</id><published>2006-06-08T11:10:00.001-03:00</published><updated>2010-11-02T17:12:34.781-02:00</updated><title type='text'>O mito</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; mito é o nada que é tudo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;F. Pessoa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas lembranças de Hamm são o que restam daqueles dias de primavera. Sim, hoje, dotado desta distância que só o tempo produz, ele sabe que seu desejo por Hamm foi infinitamente superior ao que deixou transparecer. Um desejo feito de cantos e intermezzos, sons e silêncios. Desejo que se guiava por uma história de futuro, por algo que não foi, mas que poderia ter sido. Poderia: mistério. Desejo de futuro, mas que se realiza no pretérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Hamm, hoje ele bem sabe, não foi senão uma melodia suspensa, como um solo de oboé que, diante de uma página dobrada da partitura, estanca-se, interrompe-se, queda-se bruscamente em silêncio e imaginação pelo que viria depois. O que viria depois? Solos? Tuttis? Duetos? Pouco importa: visto de agora, são meros exercícios de imaginação. Imaginação que guia suas memórias, feitas de nuvens difusas e perfis pouco nítidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Hamm, ele guarda o riso, promessa de gozos infindos. Riso de quem sabe viver. Nem simpático, nem irônico: suficiente apenas para um convite e um deslize. Uma fuga. O riso-enigma. O riso em negativo. Riso em potência e seu encantamento em ato. Pois foi o riso quem produziu seu cadafalso diante de Hamm. Se conheceram assim: “olá!” e ela sorriu. Simplesmente um cadafalso. É óbvio que ele, precário em seus sentidos e covarde ante as paixões (sobretudo as d’alma), ofuscou seu desejo com uma dança estúpida feita de comentários e frases feitas que aos ouvidos de Hamm soaram como gracejos desinteressantes e incômodos. Assim soaram aos seus ouvidos e assim confirmaram os seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos que durante meses não viram (ou fingiram não ver) as outras danças com que ele buscava, algo patético, por um segundo ter a graça de Hamm. Olhos que Hamm escondia atrás dos óculos escuros que lhe davam um ar despojado e feroz, enquanto observava, sentada num banco próximo à escada do pátio, o movimento e o alarido juvenis. Olhos que, algumas vezes, nos intervalos dos exercícios de sedução, que ela, aprendiz das artes do cinismo, repetia à exaustão, ele pôde mirar, enquanto ela sorvia um aguado café e esperava, sempre em silêncio, como se não estivesse ali (ou se protegendo da investida de seres precários), o retorno aos seus exercícios. Olhos que Samuel Beckett transformou em mote para as implicâncias de Hamm com Clov. “Você já viu os meus olhos?”. “Viu os meus olhos?”. “Os meus olhos?”. Os olhos de Hamm. E por um instante, não era a Clov que a pergunta se dirigia. E por um instante, ele teve ganas de, num assalto de audácia com a qual apenas sonhava, irromper o silêncio do templo sagrado de Hamm e de seus espectadores e vociferar “Sim, eu já vi seus olhos pretos, vermelhos, pretos! Já interrompi o fluxo dos meus dias observando em surdina o movimento dos seus olhos!”. E ante o susto ofendido da platéia, enfretaria Hamm. Ele, tímido tornado audaz, fraco transmutado em impávido, de pianíssimos ataques convertidos num cluster infernal, berraria de modo a afetar tímpanos e gargantas e silêncios e a alma daqueles espectadores mortos: “Pois eu me masturbo todos os dias pensando nos seus olhos!”. E quem sabe ali mesmo poderia praticar o nefando crime solitário a que se reduzia e, diante do espanto daqueles mortos-vivos que profanavam com sua presença o templo-igreja de Hamm, despejaria sobre ela, sobre os mortos, sobre os vivos, sua ânsia, o fruto dos seus ócios e de seus delírios retidos durante toda uma primavera eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. Logo o instante se desfez e sua opressão racional se restituiu. Ele, covarde, bastou-se num reflexo da fala de Clov: “Não, não vi seus olhos”. Olhos que o condenavam a ganas de insensatez e malefícios e que ele exaltava em solfejos de solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Hamm, guarda a lembrança dos convites de seu pescoço exposto por cabelos curtos e cortados de forma moderna, quase ousados. Pescoço longo de elegante perfil e que lhe dava um ar nobre, superior, impedindo as tentativas que ele fazia para negar a condição feminina de Hamm e impor a ela uma imagem de infante de modo a provocar nele a repulsa pelo personagem de Nabokov. Vão esforço. Pois do pescoço logo ele se guiava até os ombros largos, de diva de filme mudo e cinza, e descia pelos braços finos e chegava às mãos. Ah, as mãos! Como desejou tê-las sobre ele num deslizar de suavidades e descobertas, onde seu corpo se pungisse ante o mais leve toque e onde Hamm o ensinasse suas habilidades e imponências. Mãos de dedos finos e longos, de uma delicadeza quase senil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do pescoço às mãos, o trajeto da infância ao pleno despudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de Hamm ele guarda, sobretudo, a lembrança da inquietude a que o remetia sua presença quase ofensiva, um redemoinho de interrogações e violências. Inquietude que o fazia viver como se fosse um personagem fugido da prosa de Clarices e Virgínias, um traço sem direção, um rabisco inacabado. Inquietude que o fazia sonhar em ser Clov, simplesmente para estar ali, próximo do escrutínio, do azedume, da acidez de Hamm. Inquietude que o fazia pensar que o absurdo não estava na desrazão da espera de Hamm e de Clov ante o fim de tudo, ou no ritual barroco destes dois personagens de Beckett, mas sim nos delírios a que ele se condenara por conta de um desejo de mão única, um desejo interrompido no ponto de chegada, um desejo que criava uma relação na qual ele não era ninguém. Era isto: a inquietude que Hamm lhe provocava o fazia encarar a própria deformidade da sua condição. Ele não era nada. Ele não era ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo, que o fazia ser, repentinamente o diluía no nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ele não vive mais a presença de Hamm e tudo isto são evocações que ele guarda de um passado cada vez mais distante. Hamm tornou-se um vulto ofuscado no tempo. Às vezes, andando por ruas de peixe e lágrima ele se pergunta, “que será de Hamm?”. Chega a ter curiosidade, mas sabe que o tempo é implacável e, como o deus que é, jamais permite, sem punições, que o já vivido se concretize. Agora, talvez, ele pudesse ver Hamm na sua condição humana, tirá-la de seu pedestal, dotá-la de sangue, estupidez e pus. Agora, quem sabe, ele poderia apenas lhe dar um beijo na face e dizer “afinal, nos compreendemos. Não mais te temo e podemos rir juntos”. Quem sabe o tempo não tenha lhe dado a chave para vencer o mito? Mas isto ele nunca vai descobrir e, no fundo, ele sabe que Hamm em carne e osso e sangue e plasma não lhe interessa, pois não há vida mais concreta do que aquela que ele imagina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24672173-114977596856028984?l=a-sede.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-sede.blogspot.com/feeds/114977596856028984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24672173&amp;postID=114977596856028984' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/114977596856028984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24672173/posts/default/114977596856028984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-sede.blogspot.com/2006/06/o-mito.html' title='O mito'/><author><name>João Pedro de Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12817120905867841031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YFqkMt7vi70/TIE4axh48_I/AAAAAAAAATk/mVs9KWcB2Bw/S220/Palavras.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
